2012-07-27

Subject: Fenda gigante acelera degelo antárctico

 

Fenda gigante acelera degelo antárctico

 

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@ NASA/BBC

Uma fenda nas rochas da Antárctica tão profunda como o Grand Canyon americano está a aumentar o degelo no continente, dizem os investigadores. Uma equipa inglesa descobriu o rift Ferrigno usando RADAR para penetrar o gelo e revelar uma estrutura com cerca de quilómetro e meio de profundidade.

A Antárctica apresenta um sistema geológico de rifts em que nova crosta está a ser formada, ou seja, locais onde as metades este e oeste do continente se estão lentamente a separar. A equipa de investigadores escreve na revista Nature que o rift está a permitir a chegada de mais água do mar quente, acelerando o degelo.

O rift Ferrigno localiza-se muito perto do glaciar de Pine Island onde os cientistas descobriram uma fenda gigante no ano passado mas a nova descoberta parece não ter relação directa com esse facto.

O rift está por baixo da calote de gelo Ferrigno numa zona da costa tão remota que apenas tinha sido visitada uma vez anteriormente. O British Antarctic Survey (BAS) revisitou a zona há dois anos através da pessoa do glaciologista da Universidade de Aberdeen, Robert Bingham.

O plano era fazer observações no solo que pudessem relacionar com os dados de satélite que revelavam acentuada e inesperada perda de cobertura de gelo na zona. Para isso, transportaram ao local um RADAR capaz de penetrar o gelo através de 2500 km.

"Descobrimos que debaixo do gelo há um vale imenso, partes do qual estão mais de um quilómetro abaixo da paisagem em redor", diz Bingham. "Se removêssemos todo o gelo, veríamos uma estrutura geológica tão dramática como os vales de rift que conhecemos em África e de dimensões semelhantes às do Grand Canyon americano. Isto vai contra a ideia de planura que temos ao andar sobre o gelo, sem estas medições nunca teríamos sabido que lá estava."

 

O rift Ferrigno estende-se para um sulco no fundo do mar conhecido por Belgica. Os cientistas sugerem que durante as idades do gelo, quando o nível do mar era muito mais baixo, o rift seria um canal de passagem para o fluxo de gelo.

Agora, sugerem eles, os papéis inverteram-se, com as paredes do sulco Belgica a canalizarem a relativamente quente água do mar de volta ao limiar do gelo. Penetrando entre a rocha antárctica e o gelo que a cobre, lubrificando a união entre os dois, a água permite que o gelo flua muito mais rapidamente para o mar.

"Sabemos que a perda na camada de gelo da Antárctica é governada pela chegada de água quente e que a água quente está a chegar através de canais antes obstruídos por glaciares", diz David Vaughan, do BAS. "Por isso, a geologia e a actual taxa de perda de gelo estão intimamente associadas e retro-alimentam-se."

Vaughan duvida que existam muitas outras estruturas do género ao longo da costa da Antárctica ocidental, ainda que haja alguma possibilidade nas zonas ainda mais remotas da costa leste.

Pensa-se que a perda de gelo da Antárctica ocidental contribua cerca de 10% para a subida global do nível do mar mas de que forma as coberturas de gelo da Antárctica ocidental e da Groenlândia responderão à subida das temperaturas é a incógnita maior na predição a velocidade de subida das águas no próximo século. O degelo total de qualquer dessas coberturas de gelo levaria, no entanto, a subidas globais de vários metros no nível do mar.

A Antárctica oriental, pelo contrário, é de tal forma fria que se projecta que o seu coberto de gelo se mantenha sólido durante séculos.

"Desde o relatório de 2007 do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas ter salientado as incertezas relativas às coberturas de gelo, quase todos os dados de investigação produzidos têm aumentado a importância da Antárctica ocidental e da Groenlândia", diz Vaughan. "As alterações potencialmente rápidas e de grande dimensão dizem respeito aos oceanos e o nosso objectivo é fazer modelos desses sistemas."

 

 

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