2012-07-26

Subject: NASA regista degelo sem precedentes na Groenlândia

 

NASA regista degelo sem precedentes na Groenlândia

 

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@ NASA/esquerda

Os cientistas chegaram a duvidar da veracidade das imagens de satélite que mostram que uma enorme parte da camada de gelo da Groenlândia desapareceu em apenas quatro dias, um fenómeno nunca antes visto.

“Isto é tão extraordinário que a princípio eu questionei os resultados: é mesmo real ou a leitura está errada?”, afirmou Son Nghiem, investigador da agência espacial norte-americana (NASA).

O que levou Nghiem e outros cientistas a duvidarem do que estavam a ver foram imagens de três satélites que mostram a Groenlândia entre os dias 8 e 12 de Julho e registam que o degelo saltou de 40% para 97% neste curto período.

É comum que a Groenlândia perca boa parte do gelo durante o Verão, porém nunca antes tinha sido registado um degelo tão rápido e extenso. A média das últimas três décadas é de 55% mas este ano “literalmente uma onda de calor varreu a região e derreteu tudo pelo caminho”, explica Tom Wagner, da NASA.

Outros centros de investigação foram consultados e todos confirmaram os dados da agência norte-americana.

 

“O degelo extremo coincide com uma série de ondas de ar quente, descritas como ‘redomas de calor’. Cada uma dessas ondas tem sido mais forte do que a anterior”, destacou Thomas Mote, da Universidade da Geórgia.

Este foi o segundo evento raro registado na Groenlândia nos últimos dias: na semana passada um icebergue de 119 quilómetros quadrados, duas vezes o tamanho de da ilha de Manhattan, desprendeu-se do glaciar de Petermann.

O Verão de 2012 está tão intenso que, mesmo na área ao redor da chamada Estação de Encontro que fica mais de dois quilómetros acima do nível do mar, existem sinais de degelo, algo que não acontecia desde 1889.

“Houve períodos em que o degelo pode ter ocorrido a essa altitude, mas apenas por um ou dois dias. Agora, um derretimento com esta extensão, por toda a Groenlândia, era desconhecido, com certeza nunca tinha acontecido desde o início da monitorização por satélites”, salientou Jay Zwally, glaciologista da NASA.

Os investigadores não podem ainda determinar se o degelo foi resultado de um raro evento natural ou das alterações climáticas mas afirmam com certeza que a camada de gelo está a ficar mais fina a cada ano devido ao aquecimento global.

“Quando vemos um fenómeno assim, nunca observado antes, somos obrigados a parar e pensar: o que está a acontecer? É um sinal que temos que analisar e compreender muito bem estas questões nos próximos anos”, declarou Waleed Abdalati, chefe dos investigadores da NASA.

 

 

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