2012-07-23

Subject: Fertilização do oceano ajuda na redução do carbono atmosférico

 

Fertilização do oceano ajuda na redução do carbono atmosférico

 

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@ Philipp Assmy/AWI, Germany/ NatureNa busca por métodos que limitem o aquecimento global, parece que a estimulação do crescimento de algas nos oceanos pode afinal de contas ser uma maneira eficiente de remover o excesso de dióxido de carbono da atmosfera.

 Apesar de outros estudos sugerirem que esta abordagem é ineficaz, uma análise recente de uma experiência de fertilização dos oceanos realizada há 8 anos no Oceano Antárctico indica que encorajar o crescimento de algas pode absorver carbono, que posteriormente será depositado no oceano profundo com a morte destes organismos.

Em Fevereiro de 2004, investigadores envolvidos na Experiência Europeia de Fertilização com Ferro (EIFEX) fertilizaram 167 quilómetros quadrados do Oceano Antárctico com várias toneladas de sulfato de ferro. Durante 37 dias a equipa a bordo do navio alemão de investigação Polarstern monitorizaram o crescimento e morte de algas unicelulares do fitoplâncton numa zona pobre em ferro mas rica noutros nutrientes.

Cada átomo de ferro fornecido retirou pelo menos 13 mil átomos de carbono da atmosfera ao encorajar o crescimento das algas, que, através da fotossíntese, captura carbono. Num artigo agora publicado na revista Nature, a equipa relata que grande parte do carbono capturado foi transportado para o oceano profundo, onde permanecerá sequestrado durante séculos, um sumidouro de carbono.

“Pelo menos metade do crescimento foi exportado para profundidades superiores a mil metros”, diz Victor Smetacek, biólogo marinho no Instituto Alfred Wegener de Investigação Polar e Marinha em Bremerhaven, Alemanha, que liderou o estudo.

A equipa utilizou um medidor de turbidez, um mecanismo que mede o grau de transparência das águas em função da presença de partículas em suspensão, para estabelecer a quantidade de biomassa, tal como algas mortas, que se afundavam através da coluna de algas em direcção ao fundo marinho. Amostras recolhidas fora da área experimental revelaram significativamente menos carbono a ser depositado nas profundezas oceânicas.

Os resultados da EIFEX apoiam a hipótese avançada pelo falecido oceanógrafo John Martin, que relatou pela primeira vez em 1988 que a carência de ferro limita o crescimento do fitoplâncton em partes do oceano Pacífico subárctico. Martin propôs posteriormente que vastas quantidades de poeiras ricas em ferro vindas das regiões continentais secas e com pouca vegetação poderiam ter estimulado a produção oceânica no passado, contribuindo assim para a redução do dióxido de carbono atmosférico durante os climas glaciais, uma ideia que fica reforçada pelas descobertas da EIFEX.

 

Alguns defensores da geoengenharia pensam que este mecanismo de arrefecimento pode ajudar a mitigar as alterações climáticas actuais. No entanto, a ideia de deliberadamente estimular o crescimento de algas em larga escala é altamente controverso. Após salientar que existiam falhas no conhecimento científico acerca desta abordagem, os participantes na Convenção de Londres, o tratado internacional que governa os despejos oceânicos, acordaram em 2007 que a fertilização oceânica ‘comercial' não se justificava (veja-se 'Convention discourages ocean fertilization').

A descoberta de que a fertilização oceânica funciona realmente, apesar de prometedora, não é suficiente para acalmar os receios relativos aos potenciais efeitos colaterais negativos sobre a química dos oceanos e dos ecossistemas marinhos, diz Smetacek. 

Alguns cientistas temem que a fertilização marinha em larga escala pode levar ao surgimento de florescimentos de algas tóxicas ou que reduza o teor de oxigénio no meio da coluna de água. Dada a controvérsia em redor de outra experiência semelhante (veja-se 'Ocean fertilization experiment draws fire'), que os críticos consideram que nem devia ter sido aprovada logo à partida, o Instituto Alfred Wegener não irá realizar outros estudos de fertilização oceânica, de acordo com Smetacek.

“Não sabemos o que pode acontecer à composição de espécies, entre outros aspectos, se acrescentássemos continuamente ferro ao oceano”, diz Smetacek. “Estas questões apenas podem ser abordadas com mais experiências, incluindo estudos a longo prazo dos florescimentos naturais que ocorrem em redor de algumas ilhas antárcticas."

Mas alguns peritos defendem que os estudos sobre a fertilização oceânica artificial não devem ser simplesmente abandonados. “Estamos perto de recomendar a fertilização do oceano como ferramenta de geoengenharia”, diz Ken Buesseler, geoquímico do Woods Hole Oceanographic Institution no Massachusetts. “Só porque não temos todas as respostas não devemos dizer não a mais investigação." 

 

 

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