2012-04-29

Subject: Primeiros humanos relacionados com extinção de grandes carnívoros

 

Primeiros humanos relacionados com extinção de grandes carnívoros

 

 

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@ NatureAmantes dos animais de todo o mundo conhecem as lontras como amorosas, brincalhonas e muito pouco ameaçadoras mas os primos gigantes destes mustelídeos que viveram em África podem ter competido numa luta de vida e morte com os ancestrais do Homem e acabaram por perder.

O desaparecimento da gigantesca lontra-urso Enhydriodon dikikae fez parte de um declínio mas abrangente dos grandes carnívoros em África, que acelerou há cerca de 2 milhões de anos, mais ou menos no momento em que os primeiros representantes do género Homo apareceram em cena. 

Lars Werdelin, curador do Museu de História Natural da Suécia em Estocolmo, tem vindo a construir um cenário em que os nossos antepassados tiveram algo a ver com esta alteração. Apesar das evidências directas de qualquer ligação causal estarem tristemente ausentes, diz Werdelin, a transição no registo fóssil dos carnívoros coincide muito bem com avanços no fabrico de ferramentas e alterações de dieta entre os primeiros hominídeos.

“Como eu vejo a coisa, esta é uma das primeiras formas em que manipulámos o nosso ambiente em larga escala”, diz Werdelin, que apresentou as suas últimas descobertas num simpósio sobre evolução humana e alterações climáticas no Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia em Nova Iorque. 

Werdelin defende que os hominídeos podem ter competido indirectamente com alguns destes carnívoros pela ocupação de habitats valiosos, forçando assim os animais a alterar o seu comportamento sem alguma vez sem chegarem ao contacto directo com eles. Em alguns casos, os hominídeos podem ter vencido a competição com os carnívoros directamente forçando-os a entregar as presas frescas. Independentemente, a emergência dos primeiros humanos podem ter seguido em cascata pela cadeia alimentar, eventualmente dizimando muitos dos grandes comedores de carne africanos.

Vai ser difícil provar que os nossos ancestrais tiveram um impacto substancial num ponto tão inicial da evolução humana. Afinal, os cientistas ainda debatem a extensão do papel da humanidade no surto de extinções de megafauna no final do Pleistoceno, há cerca de 50 a 12 mil anos, quando o Homem moderno se espalharam pelo globo. O registo fóssil sugere que uma população de Homo habilis muito menor andaria pela paisagem africana de há 2 milhões de anos.

“É um estudo muito interessante e penso que vai desencadear pesquisas adicionais”, diz René Bobe, antropólogo da Universidade George Washington em Washington DC. Ao mesmo tempo, os primeiros hominídeos deixaram muito poucos vestígios da sua presença, o que torna mais difícil dizer algo de conclusivo. “Pode ser verdade”, diz Bobe da hipótese de Werdelin, “mas certamente não temos dados para a demonstrar."

 

Werdelin apresentou dados não publicados sobre dentes fossilizados, mandíbulas e crânios recuperados de locais arqueológicos de toda a África. Ele encontrou evidências de que há 3 milhões de anos existiam 19 espécies de grandes carnívoros, incluindo lontras, civetas e um urso, no continente. Entre 2,5 e 1,5 milhões de anos, esse número tinha caído para 15. Mas mais importantes, diz ele, houve uma acentuada redução da diversidade dos grandes carnívoros e dos nichos ecológicos de há 2 milhões de anos. Antes desta alteração, existiam muitos tipos de caçadores e necrófagos que juntavam uma variedade de plantas e frutos na sua dieta, diz ele. Desde há 2 milhões de anos, o registo mostra uma maior proporção de predadores que eram essencialmente comedores de carne.

Muitos investigadores sugerem que a paisagem do leste africano pode ter mudado drasticamente por volta dessa época, tornando-se muito mais seca e com mais savana aberta mas Werdelin diz que não encontra evidências de que as alterações climáticas e de vegetação seja o motor das extinções dos grandes carnívoros. A diversidade dos predadores de menor dimensão aumentou ao longo do mesmo período, salienta ele.

Os grandes herbívoros, como os antílopes, elefantes e precursores dos porcos modernos, sofreram as suas próprias alterações durante este período. Depois de se adaptarem à savana aberta, os herbívoros floresceram no ambiente de pastagem aberta durante cerca de um milhão de anos antes de, também eles, começarem a desaparecer. A queda do mamute peludo e de outros grandes animais no final do Pleistoceno foi apenas “a última gota num padrão de extinções que já vinha ocorrendo há algum tempo", diz Bobe. Os primeiros humanos podem ter desempenhado um papel ao longo do tempo mas provavelmente outros factores também terão sido importantes."

Sejam quais forem as causas, os efeitos podem ser vistos no registo fóssil, diz Werdelin, e na fortemente reduzida diversidade que continuou até ao presente. “Actualmente temos seis espécies de grandes carnívoros em África e são todas muito semelhantes, todas caçam grandes herbívoros.”

 

 

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