2012-04-05

Subject: Ter-se-ia o Titanic afundado em 2012?

 

Ter-se-ia o Titanic afundado em 2012?

 

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RMS Titanic

A 15 de Abril de 2012 celebra-se o centésimo aniversário do afundamento do Titanic, o mais tristemente famoso navio de passageiros.

Todos conhecem bem a sua história: na madrugada daquela manhã de 1912, o Titanic, o maior navio da sua classe na época, atravessava o Atlântico na sua viagem inaugural quando chocou com um icebergue. O rasgão que foi aberto no seu casco conduziu a um dos mais mortíferos desastres marítimos em tempo de paz da história (1500 mortos) e o seu afundamento surpreendeu tudo e todos, dos engenheiros ao público em geral pois o navio era considerado inafundável.

Mas um icebergue é muito destrutivo. São corpos de gelo extremamente denso, razão pela qual apenas uma pequena porção do seu volume é visível acima do nível do mar. Combine-se a enorme densidade, tamanho e peso de um icebergue com um navio de cruzeiro que se desloca a perto de 30 nós (em busca do recorde de tempo de travessia do Atlântico) e destrutivo torna-se desastroso.

Por isso, com as alterações climáticas que estamos a assistir actualmente, podemos dar graças a Deus que as temperaturas superiores da água do mar certamente levarão a que haja menos icebergues e menor risco de catástrofes marítimas devido a este tipo de colisão.

Certo?

Errado. Afinal, as alterações climáticas podem ser responsáveis pela existência d emais icebergues nos oceanos e não menos.

“As alterações climáticas têm o potencial de criar mais icebergues", diz Frank Lowenstein, líder a estratégia de adaptação climática da Nature Conservancy. “É contra-intuitivo, mas faz sentido se pensarmos nisso. As alterações climáticas estão a acelerar a criação de icebergues."

Os icebergues formam-se de duas maneiras: no Atlântico norte quase todos resultam da quebra de pedaços de glaciares que desaguam no mar. Lowenstein explica que quanto mais altas as temperaturas, mais a água do degelo age como um lubrificante que faz o glaciar deslizar mais rapidamente para o mar. “Por isso, temos mais icebergues pois cada glaciar traz centenas ou mesmo milhares de toneladas extra de gelo para o oceano todos os anos."

 

O outro mecanismo de formação de icebergues é a quebra gradual de plataformas de gelo que já flutuam sobre os oceanos, situação mais comum nos oceanos do sul. Segundo Lowenstein, esses icebergues criados a partir de plataformas de gelo podem ser muito maiores: “São monumentais, em 2010 um icebergue do tamanho do Luxemburgo, que se tinha partido de uma plataforma de gelo, chocou com um glaciar que entrava no mar e partiu-lhe um icebergue menor mas ainda do tamanho de Rhode Island. Os cientistas têm estes grandes icebergues debaixo de olho, neste momento há um do tamanho de Manhattan ao largo de Newfoundland e outro mais ou menos do mesmo tamanho pode partir-se da costa antárctica a qualquer momento."

Mas o aumento do número de icebergues deve ser motivo para preocupação relativamente às rotas marítimas?

“Não me parece que haja motivo para preocupação", refere Lowenstein. “Ainda que provavelmente haja mais navios de passageiros actualmente nos oceanos do que no tempo do Titanic, a maioria deles navega em águas quentes e chocar com um icebergue, mesmo nos oceanos nórdicos, não é muito provável graças às novas tecnologias, como os sistemas de RADAR."

Ainda assim, os factos sobre as alterações climáticas e seis efeitos sobre os icebergues são inesperados e mostram a forma como estas alterações continuam a afectar o nosso mundo.

“Aquilo com que nos precisamos de preocupar é o efeito sobre a subida do nível do mar. Bastam poucos centímetros para ameaçar comunidades costeiras, erodir as linhas de costa e causar grandes danos à propriedade."

Lowenstein e outros cientistas da Nature Conservancy estão a ajudar as pessoas a preparar-se para estes e outros perigos mas as respostas não dependem apenas novos paredões mais elevados.

“A natureza tem as suas próprias defesas contra a subida do nível do mar e tempestades mais violentas”, diz Lowenstein. “Recifes de coral, mangais e sapais, quando mantidos intactos e saudáveis, podem ser muito eficazes na protecção das comunidades costeiras. Se combinarmos a restauração com a utilização de novos modelos computorizados que mostram aos decisores as áreas mais vulneráveis, teremos avançado um grande passo na protecção de todos os que vivem perto do nível do mar.”

 

 

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