2012-03-10

Subject: Medicamento revela HIV latente

 

Medicamento revela HIV latente

 

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Linfócito T infectado com  HIV (@Nature)Um estudo agora conhecido veio melhorar as perspectivas de uma cura para o HIV.

Pela primeira vez, resultados mostraram que um medicamento pode, de forma segura, desencadear a produção do vírus dormente em pacientes, de forma a que seja detectado e atacado mais facilmente pelo sistema imunitário.

A descoberta foi anunciada na 19ª Conferência anual de Retrovírus e Infecções Oportunistas em Seattle, Washington, mas outros estudos entretanto publicados no mesmo evento sugerem que obrigar o vírus a revelar-se não será suficiente para matar as células infectadas, pelo que a cura pode ainda estar algo distante.

O HIV integra-se no genoma das células, levando a que estas façam novas cópias do vírus quando transcrevem o seu próprio DNA. NO entanto, em algumas células, o HIV sobrevive durante décadas num estado latente sem transcrever os seus genes para a formação de novos vírus. Esta situação transforma as células infectadas em 'reservatórios latentes' do vírus, invisíveis para as defesas imunitárias do corpo e para os tratamentos anti-retrovirais.

Estudos já tinham sugerido que um medicamento chamado ácido suberoilanilide-hidroxâmico (SAHA) podia despertar o vírus do seu torpor mas a abordagem não tinha sido testada em humanos. 

Por essa razão, investigadores liderados por David Margolis, virologista molecular na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, trataram seis pessoas com uma única dose de SAHA e testaram o seu efeito sobre as células CD4+ T infectadas, as células do sistema imunitário alvo da infecção do HIV. O estudo descobriu que o SAHA realmente desencadeava a transcrição do HIV em células CD4+ T infectadas latentes: os investigadores detectaram cerca de 5 vezes mais transcrições de HIV nas células CD4+ T latentes dos pacientes após o tratamento e não havia efeitos secundários graves.

“Este estudo fornece a primeira prova do conceito de perturbação da latência, o que é um passo significativo em direcção à erradicação do HIV do corpo", diz Margolis.

Mas Margolis e outros investigadores são cautelosos sobre o significado do estudo na busca da cura para o HIV. Sharon Lewin, especialista em doenças infecciosas na Universidade de Monash em Melbourne, Austrália, também estuda o SAHA em pacientes. Até agora, 10 tomaram o medicamento durante duas semanas sem efeitos secundários graves mas, diz ela, ainda nenhum estudo demonstrou que a activação do HIV latente conduz à destruição das células infectadas.

 

O estudo de Margolis, diz Lewin, “analisou um pequeno número de pacientes e apesar de ser um importante passo na demonstração da forma como o medicamento causa alguma alteração na produção viral, ainda não sabemos em quê que isso se traduz em termos de células infectadas latentes."

Na conferência de Seattle, Liang Shan, investigador na Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, apresentou os resultados de um estudo, publicado na revista Immunity, em que as células CD4+ T foram retirardas de pacientes com HIV e tratadas com SAHA in vitro. As células não morreram, mesmo quando combinadas com as células assassinas do próprio paciente, especializadas em destruir células infectadas por vírus. No entanto, quando as células assassinas T foram expostas pela primeira vez a pedaços do HIV, destruíram as células infectadas.

Siliciano também está a co-liderar um teste clínico de disulfiram (Antabuse), usado para impedir os alcoólicos de beber mas que também já foi demonstrado quebrar a latência do HIV em estudos celulares. No entanto, num estudo com 14 pacientes, Siliciano descobriu que o disulfiram não aumentava significativamente a produção viral nem reduzia o reservatório de células T infectadas. A produção do vírus parecia aumentar temporariamente em alguns pacientes poucas horas após a toma de disulfiram, mas não é claro se o medicamento poderia realmente ter esse efeito rápido. 

Muitos investigadores do HIV acreditam que a combinação das diversas abordagens deve ser necessária para erradicar o HIV do corpo.

“O que podemos precisar é de uma abordagem em duas etapas, em que um medicamento activa a transcrição viral e um segundo envia um sinal ao sistema imunitário para destruir essas células”, diz Spivak.

Margolis concorda que ainda está longe o momento em que o campo pode responder a questões como que combinações de medicamentos irão activar melhor o HIV latente, se esses medicamentos precisarão de ser usados juntamente com outras estratégias para destruir as células latentes infectadas e de que forma os medicamentos deverão ser administrados aos pacientes.

“Há enorme interesse e entusiasmo neste campo de estudos mas estamos apenas no começo”, diz ele. 

 

 

Saber mais:

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