2011-11-23

Subject: Preparem-se para os extremos climáticos

 

Preparem-se para os extremos climáticos

 

 

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@ NatureExtremos climáticos, como a onda de calor na Rússia em 2010 ou a seca no corno de África, vão tornar-se mais frequentes e severos à medida que o planeta aquece, alerta o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) no seu relatório recentemente dado a conhecer. Algumas áreas podem tornar-se “cada vez mais marginais para que lá se viva", conclui o relatório.

É “virtualmente certo", significando uma probabilidade entre 99 a 100% na terminologia do IPCC, que o século XXI assista a um aumento da frequência e magnitude dos extremos de temperatura elevada e uma redução dos extremos de temperatura baixa.

É muito menos claro, no entanto, de que forma as alterações climáticas afectarão a precipitação, o risco de cheias e as tempestades.

Um sumário do relatório para decisores foi publicado no plenário do IPCC em Kampala, Uganda. O relatório completo, compilado ao longo dos últimos dois anos e meio por mais de 100 cientistas, recolhe os resultados de milhares de estudos sobre alterações climáticas físicas, gestão de riscos e adaptação às alterações climáticas, e deve ser conhecido no início do próximo ano.

“Estamos mais confiantes agora do que alguma vez estivemos antes de que as alterações climáticas irão amplificar o número de dias invulgarmente quentes e isso vai afectar os padrões de precipitação em muitas regiões”, diz Thomas Stocker, cientista climático na Universidade de Berna, Suíça, e chefe do grupo de ciências físicas do IPCC.

Mas a confiança não aumentou sobre outros fenómenos, incluindo eventos em escala relativamente menor como deslizamentos de lama e terras ou tempestades tropicais. “Há enormes falhas na investigação", diz ele.

A incerteza é particularmente grande relativamente ao que possa acontecer no futuro imediato. Para todos os possíveis níveis de emissões de gases de efeito de estufa ao longo das próximas duas ou três décadas, as alterações projectados nos extremos são relativamente pequenas quando comparadas com a variabilidade natural do clima. Para eventos como as inundações locais, é ainda menos claro se serão mais ou menos frequentes, diz o relatório.

“É extremamente improvável que as alterações climáticas não afectem alguns extremos do clima”, diz Peter Stott, cientista climático no Centro Hadley em Exeter, Reino Unido, que não esteve envolvido no relatório. “Mas vai levar mais tempo e esforços para avaliar no contexto mais vasto de que forma as alterações na temperatura média e precipitação afectarão a probabilidade de qualquer tipo de extremo acontecer."

A incerteza deriva tanto das limitações até dos modelos climáticos numéricos mais sofisticados e da brevidade, e em algumas regiões, pouca fiabilidade, do registo de observações.

 

O relatório tem "baixa confiança" em observações de qualquer aumento a longo prazo da actividade de ciclones tropicais, por exemplo, e também considera que a subida na tendência das perdas económicas devidas a ciclones e furacões “não pode ser fiavelmente atribuída a alterações climáticas naturais ou antropogénicas”.

O relatório está a “lidar de forma mais cândida com a incerteza e a reflectir de forma mais rigorosa sobre a literatura revista por pares” do que as avaliações anteriores do IPCC, diz Roger Pielke Jr, investigador de políticas climáticas na Universidade do Colorado, Boulder. “É gratificante ver que a comunidade das ciências climáticas está à beira de finalmente compreender o tema como deve ser."

Mas o intervalo entre a publicação do sumário e do relatório final ainda é “infeliz", diz Stefan Rahmstorf, investigador climático e oceanográfico no Instituto Potsdam para Investigação do Impacto Climático, Alemanha. “Os governos no passado têm vindo a enfraquecer significativamente a linguagem dos sumários do IPCC para os decisores. Enquanto o relatório completo não estiver disponível é difícil dizer se, e até que ponto, isso pode ter acontecido novamente."

Ao contrário dos relatórios completos, os sumários do IPCC para decisores estão sujeitos à aprovação dos governos envolvidos nos processos do Painel. Os delegados em Kampala referem que, como sempre, foi um exercício longo e complicado analisar e concordar em todas as frases do sumário de 29 páginas.

O que foi acordado fornece, ainda assim, uma importante orientação para as nações e comunidades vulneráveis às alterações climáticas, diz Rajendra Pachauri, secretário-geral do IPCC. As descobertas são especialmente úteis para aumentar a resiliência dos países em desenvolvimento que tendem a sofrer mais severamente com os extremos climáticos que os mais ricos.

Ao longo dos últimos 30 anos, 95% das vítimas relacionadas com tempestades, inundações e outros desastres relacionados com o clima ocorreram em países em desenvolvimento. O relatório delineia uma variedade de estratégias de adaptação, como os sistemas de alerta prévio e melhores códigos de construção, sistemas de drenagem e práticas de conservação do solo e das plantas, que podem ajudar a reduções danos futuros e perda de vidas.

O relatório também tem como objectivo informar as futuras conversações climáticas sob a égide das Nações Unidas, que têm início a 28 de Novembro em Durban, África do Sul.

“Apesar todas as incertezas, é crucial que os decisores permaneçam conscientes da realidade científica das alterações climáticas”, diz Pachauri. “Se a ciência não tiver a primazia que merece é improvável que qualquer das acções que este relatório pede sejam implementadas.”

 

 

Saber mais:

IPCC Summary for Policymakers

 

 

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