2011-09-18

Subject: Aniversários de Greenpeace e WWF salientam estratégias radicalmente diferentes

 

Aniversários de Greenpeace e WWF salientam estratégias radicalmente diferentes

 

 

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@ The Guardian/Stringer/Reuters

Esta semana marcou dois aniversários de grupos globais de defesa do ambiente que não poderiam ser mais diferentes, ainda que tenham os mesmos objectivos.

Na quinta-feira passada o Greenpeace fez 40 anos, um candidato improvável para a meia-idade, dada a reputação dos seus activistas para as manifestações vistosas e por vezes perigosas. No domingo passado, o WWF celebrou a passagem de 50 anos desde a abertura do seu primeiro escritório na Suíça, uma organização muito mais recatada, como convém a quem tem o apoio do príncipe de Gales e do duque de Edimburgo.

O WWF, Worldwide Fund for Nature e World Wildlife Fund, o seu nome original, ainda que actualmente seja conhecido apenas pelas iniciais e pelo famoso panda, nasceu da consciência de que alguns dos locais e espécies selvagens estavam sob severa ameaça.

O catalisador para a sua fundação foi uma série de artigos no jornal Observer escritos pelo biólogo Julian Huxley, neto do Thomas Huxley, o conhecido "buldogue de Darwin" pela sua defesa da evolução, alertando para a espoliação dos habitats africanos. A ele juntaram-se conservacionistas como Godfrey Rockefeller e Peter Scott, filho do Scott do Antárctico, e rapidamente o World Wildlife Fund rapidamente recolheu apoio aristocrático. O seu primeiro presidente foi o príncipe holandês Bernhard of Lippe-Biesterfeld, seguido do príncipe Filipe de Inglaterra. Ironicamente, para um grupo conservacionista, os seus apoiantes mais mediáticos eram precisamente os que poucos anos antes eram grandes caçadores.

À medida que o fundo crescia, no ano passado obtiveram mais de 500 mil euros a nível global, a organização gradualmente tomou uma abordagem mais abrangente da conservação, passando da sua concentração na "megafauna carismática" para campanhas sobre alterações climáticas, poluição e políticas públicas. O WWF também começou a trabalhar de perto com as grandes companhias, algumas das alegadas poluidoras ou de altas emissões que outras ONG criticam, a Lafarge ou a The Coca-Cola Company.

Por isso mesmo, epítetos como "vendidos" são comuns aos seus detractores de outras ONG. "Algumas das pessoas que trabalham para o WWF são provavelmente muito parecidas com as de outras ONG como o Greenpeace, mas os seus apoiantes são muito diferentes", diz um activista.

 

Solitaire Townsend, consultora ambiental, caracteriza as duas organizações como "um adolescente irado e um elegante senhor grisalho" e considera que servem objectivos muito diferentes. "O tipo de pessoas que são atraídas para cada um é totalmente diferente. Se os problemas ambientais te deixam realmente irritado e queres insultar os grandes, vais para o Greenpeace. Se te entristecem e preferes ficar em casa com um peluche a ver fotos de animais queriduchos, vais para o WWF", diz ela. "Há espaço para ambos, claro, mas não penso que haja sobreposição de personalidades."

David Nussbaum, chefe executivo do WWF-UK, não vê as coisas dessa maneira mas reconhece a distinção entre a abordagem da sua organização e alguns dos seus colegas mais barulhentos. "Essa abordagem mais combativa e agressiva do Greenpeace pode ser efectiva mas temos um método contrastante. Vemos uma necessidade de trabalhar de forma construtiva com o mundo comercial e usamos a nossa influência sobre ele."

Enquanto o Greenpeace pode ser normalmente encontrado à porta das grandes empresas a protestar, o WWF poderá estar no seu interior num encontro com o seu chefe. Os críticos dizem que isso pode levar as empresas a usar o WWF para 'lavar' a sua mensagem mas Nussbaum não pede desculpa. 

O foco mais alargado do WWF é justificado por Nussbaum citando um dos fundadores, o ornitólogo Max Nicholson: "O WWF não é apenas salvar baleias, tigres e florestas tropicais, impedir a poluição e o desperdício mas especialmente a preocupação com a conduta futura, bem-estar e felicidade, sem dúvida com a sobrevivência da humanidade neste planeta."

É difícil avaliar se o apoio do WWF mudou ao longo destes 50 anos, as coroas ainda lá estão, entre os 5 milhões menos aristocráticos em todo o mundo. Na Europa, 40% deles são dadores habituais, geralmente aposentados, cerca de um terço adoptaram uma espécie (maioria solteiros jovens e habilitados), cerca de 28% receberam uma adopção como presente e muitos são crianças. Governos e outras entidades públicas são responsáveis por 17% e doações de empresas correspondem a 10% do rendimento.

Que tanto o WWF como o Greenpeace se tenham tornado marcas reconhecidas a nível global testemunha o seu sucesso nas últimas décadas e a recorrente importância dos temas que defendem, diz Townsend. Mas o verdadeiro desafio para os próximos 50 anos não são as diferentes abordagens do par mas como difundir as suas bases de apoio ocidentais para outras zonas do mundo.

 

 

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