2011-08-23

Subject: Alterações climáticas vão atingir a diversidade genética

 

Alterações climáticas vão atingir a diversidade genética

 

 

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@ NatureAs alterações climáticas são uma ameaça não apenas à existência de espécies individualmente mas também para a diversidade genética nelas escondida, dizem os investigadores.

A descoberta promete complicar as avaliações da forma como as alterações climáticas vão afectar a biodiversidade e tarefa dos conservacionistas para a preservar.

Estudos de DNA revelaram que as espécies tradicionais, tal como definidas pelos taxonomistas, contêm uma enorme quantidade de diversidade 'críptica', como as diversas linhagens ou mesmo subespécies. Carsten Nowak, biólogo conservacionista dos Institutos de Investigação Senckenberg e do Museu de História Natural de Gelnhausen, Alemanha, fez a primeira tentativa para compreender a forma como o aquecimento global pode afectar esta forma de diversidade e publicou as suas descobertas na revista Nature Climate Change.

A equipa analisou os insectos aquáticos que viviam nos ribeiros das montanhas da Europa central, sete espécies de moscas-de-água, uma de efémeras e uma de plecópteros. Os insectos foram escolhidos porque devem ser especialmente vulneráveis à subida das temperaturas pois precisam de água fria e têm uma capacidade limitada para viajar grandes distâncias.

Para medir a diversidade genética, a equipa de de Nowak sequenciou genes das mitocôndrias dos animais, o que lhes permitiu dividir cada espécie em várias unidades evolutivas significativas (UES), o termo técnico para uma população de uma espécie que seja geneticamente distinta das restantes.

Com base em onde na Europa cada UES se localiza, os investigadores analisaram de seguida se o insecto associado seria capaz de tolerar temperaturas mais altas ou deslocar-se para um local mais frio, usando modelos desenvolvidos pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

Segundo o cenário climático 'business-as-usual' do IPCC, 79% das UES incluídas no estudo estariam extintas em 2080, enquanto no cenário de emissões reduzidas este número caiu para 59%. As UES sofriam uma taxa de extinção muito superior à das espécies.

Esta perda de potencial evolutivo pode prejudicar a capacidade das espécies para se adaptarem. "Esta diversidade genética é a mais fundamental forma de biodiversidade, essencialmente é o substrato da evolução", diz Nowak.

O estudo "mostra de que forma as alterações climáticas globais podem conduzir a uma perda de quantidades significativas de diversidade escondida, mesmo que algumas das espécies tradicionalmente definidas persistam", diz Michael Balke, entomólogo da Colecção Estatal de Zoologia da Bavária em Munique, Alemanha.

O que não está claro é até que ponto esta abordagem se pode aplicar a espécies com diferente poder de migração ou dispersão. "Se os investigadores conseguirem compreender como o factor capacidade de dispersão, um atributo frequentemente não bem definido para espécies individuais, influencia, o potencial impacto na diversidade genética torna-se muito mais aplicável", diz Jim Provan, geneticista molecular na Universidade da Rainha em Belfast, Reino Unido.

 

O co-autor do estudo Steffen Pauls, do Centro de Investigação Climática e Biodiversidade em Frankfurt, Alemanha, concorda que esse tipo de factores também é importante. "Esperamos que esta abordagem seja desenvolvida ainda mais para incorporar diferentes capacidades migratórias, tipos de dispersão e adaptabilidade térmica", diz ele.

"Para a Europa, afinal as regiões com maior diversidade genética são também as mais ameaçadas", diz Nowak. O estudo prevê que a perda de diversidade genética nos insectos do estudo será máxima na região mediterrânica, onde todas excepto duas populações se projecta que se extingam e esta é também a região com a maior diversidade genética.

Esta combinação de diversidade genética e vulnerabilidade foi encontrada para outras espécies mediterrânicas, como a alga Chondrus crispus, que já se deslocou para norte durante os últimos 40 anos. Muitas espécies europeias recuaram para o Mediterrâneo durante as últimas eras glaciares, o que significa que as suas populações mais a sul são especialmente antigas e diversificadas. A perda destas populações pode comprometer a capacidade das espécies para se adaptarem a aquecimento futuro.

Combinando a genética e a ecologia poder-se-á ajudar os esforços de conservação. "Este estudo salienta que o enorme potencial das iniciativas de sequenciação de DNA para revelar os altos níveis de diversidade críptica, da maior importância para a tomada de decisão informada na conservação", diz Balke.

A diversidade genética está a ganhar cada vez mais atenção nos círculos da conservação. "Ainda que o nosso trabalho determine estratégias de adaptação climática, nós sabemos que a genética é apenas uma maneira de obter uma melhor perspectiva da forma como as espécies são afectadas pelas alterações climáticas", diz Ahmed Djoghlaf, secretário-executivo da Convenção sobre a Diversidade Biológica, o tratado das Nações Unidas que vincula os seus signatários a desenvolver estratégias nacionais para a utilização sustentável e conservação da biodiversidade.

A adopção no ano passado de um tratado para gerir e partilhar os benefícios económicos dos recursos genéticos do mundo com as nações em desenvolvimento, o Protocolo Nagoya, também aumentou o interesse na catalogação da diversidade genética. "Os países estão a começar a investir mais para para documentar aspectos das espécies das suas jurisdições nacionais, para melhor compreender como ser reembolsados pela sua utilização", diz Djoghlaf.

 

 

Saber mais:

Carsten Nowak

Steffen Pauls

Jim Provan

Convention on Biological Diversity

 

 

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