2011-08-20

Subject: Resíduos de medicamentos perigosos para peixes

 

Resíduos de medicamentos perigosos para peixes

 

 

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@ NatureConsumidores que lançam na sanita contraceptivos que não utilizam há muito que são considerados culpados pelo surgimento de órgãos sexuais em excesso em peixes e os medicamentos excretados pelos pacientes também contaminam os rios, mesmo depois de passarem pelas estações de tratamento.

Mas as evidências estão a acumular-se sobre os efluentes provenientes de fábricas farmacêuticas também estarem a levar medicamentos para os rios. Muitos ecotoxicólogos tinham assumido que os standards de qualidade da água, bem como o desejo das companhias de não desperdiçar valiosos fármacos, iriam minimizar a quantidade dos compostos bioactivos libertados pelas fábricas para os esgotos e, eventualmente, para os rios.

Uma série de estudos sugeriam, no entanto, outra coisa. Em 2009, por exemplo, investigadores relataram níveis muito altos de ingredientes farmacêuticos em efluentes tratados resultantes de uma instalação processadora de esgotos de fábricas perto de Hyderabad, Índia. No ano seguinte, uma descoberta semelhante foi feita em duas outras estações de tratamento de águas em Nova Iorque, ambas receptoras de fábricas de medicamentos.

Agora os investigadores forneceram a primeira evidência de problemas semelhantes na Europa e associaram-nos a disrupção do sexo em populações selvagens de peixes do rio Dore, França. "Pensava-se que isto não podia acontecer num país com tão elevados standards de protecção do ambiente e boas práticas de produção", diz Patrick Phillips, chefe do Programa Nacional de Avaliação da Qualidade da Água do US Geological Survey em Troy, Nova Iorque e autor principal do estudo americano. "As evidências dos Estados Unidos e agora de França mostram que esse não é o caso."

A descoberta desencadeou apelos a uma maior fiscalização da indústria. Os Estados unidos, União Europeia, Reino Unido e França não têm regulamentação que limite a concentração de fármacos libertados para o meio aquático nas águas residuais municipais ou nos efluentes industriais. "As pessoas pensam que a libertação de fármacos é regulada mas não é", diz Joakim Larsson, farmacologista na Universidade de Gotemburgo, Suécia, e autor de um dos estudos indianos.

O estudo francês investigou a saúde do góbio Gobio gobio selvagem de um rio perto de uma fábrica em Vertolaye, pertencente à multinacional farmacêutica Sanofi, que produz compostos esteróides e foi encomendado pelo ministro francês do ambiente depois de pescadores terem detectado peixes anormais na área.

A jusante da fábrica os investigadores encontraram em média 60%, e num caso 80%, de peixes com características sexuais femininas e masculinas. A montante das descargas de efluentes, esses peixes intersexos correspondiam a apenas 5% da população.

Os machos que vivem a jusante da fábrica também apresentavam níveis significativamente maiores de vitelogenina, uma proteína normalmente encontrada nos óvulos, do que os peixes que viviam a montante.

"Isto é realmente um problema", diz Wilfried Sanchez, ecotoxicólogo do Instituto Nacional para o Ambiente e Riscos industriais francês e autor principal do estudo. As anormalidades sexuais do góbio podem impedi-lo de se reproduzir mas também indicar problemas para outras espécies, bem como a redução do seu efectivo populacional, que pode ter consequências mais vastas no ecossistema fluvial.

 

Em resultados ainda não publicados, Sanchez identificou os principais poluentes farmacêuticos no rio como dexametasona (um anti-inflamatório e imunossupressor), spironolactona (um diurético que também bloqueia os efeitos das hormonas sexuais masculinas) e canrenona, também um diurético. Todos foram medidos a concentrações perto dos 10 microgramas por litro, o que é "muito alto" para substâncias biologicamente activas, diz Sanchez. Não é claro como estas substâncias acabaram no rio.

Ian Weatherhead, director de comunicações da Sanofi, salienta esse aspecto pois "não foram observados efeitos semelhantes noutras espécies", é difícil ter  certeza até que ponto o problema está generalizado. Ele diz estar a cooperar com as agências reguladoras, investigadores e associações de defesa do ambiente para identificar a causa das "perturbações", que serão "provavelmente multi­factoriais".

@ Nature

Alguns cientistas e decisores dizem que regulamentações mais abrangentes são necessárias. A Comissão Europeia está a considerar estabelecer limites a um punhado de medicamentos vulgarmente encontrados no cursos de água, incluindo o anti-inflamatório ibuprofeno e o contraceptivo etinilestradiol. Espera publicar a sua decisão no Outono, como parte de reformas propostas na Directiva-Quadro da Água, que governa a poluição aquática. A reforma pode, por exemplo, exigir processos de limpeza mais intensos nas estações de tratamento de águas residuais.

A complicar os esforços dos reguladores, os cientistas não determinaram os limites seguros para muitos dos fármacos no meio aquático ou até que ponto o problema é generalizado, diz Susan Jobling, ecotoxicóloga na Universidade Brunel em Londres.

 

 

Saber mais:

Sanofi

US Geological Survey

 

 

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