2011-08-18

Subject: Hienas sabem contar como os macacos

 

Hienas sabem contar como os macacos

 

 

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@ NatureAs hienas podem contar até três. Investigadores que reproduziam os chamamentos gravados descobriram que as hienas malhadas Crocuta crocuta selvagens reagiam de forma diferente dependendo de ouvirem um, dois ou três indivíduos.

O resultado acrescenta a avaliação numérica à lista de capacidades cognitivas que as hienas partilham com os primatas e apoia a ideia de que a vida em grupos sociais complexos, como acontece com as hienas e primatas, é crucial para a evolução de grandes cérebros.

Sarah Benson-Amram, zoóloga da Universidade Estadual do Michigan em East Lansing, reproduziu as gravações dos chamamentos das hienas para membros de dois clãs de hienas da Reserva Nacional de Masai Mara no sudoeste do Quénia. As gravações foram realizadas na Tanzânia, Malawi e Senegal, pelo que os chamamentos não eram familiares para os clãs quenianos e seriam interpretados como pertencendo a potenciais intrusos.

Os registos consistiam em três sequências de chamamentos, de um, dois ou três animais diferentes. Em 39 testes envolvendo adultos em repouso, na maioria fêmeas solitárias, Benson-Amram mediu a forma como os animais se tornavam vigilantes com a reprodução das gravações, por comparação entre o tempo que passavam frente ao altifalante e o tempo que olhavam para outro local ou a descansar.

Apesar de algumas fêmeas ficarem devidamente atentas em resposta a todas as gravações, a maioria dos animais distinguiam entre um, dois ou três intrusos, aumentando o seu grau de atenção com o número de chamamentos individuais que ouviam.

A descoberta foi publicada na revista Animal Behaviour.

Uma capacidade semelhante já tinha sido demonstrada em leões Panthera leo, chimpanzés Pan troglodytes e macacos uivadores negros Alouatta pigra mas na maioria destes estudos os chamamentos foram todos reproduzidos ao mesmo tempo, pelo que os animais apenas podiam responder ao total do coro.

Para evitar essa situação, Benson-Amram reproduziu os chamamentos consecutivamente, fosse repetindo o mesmo chamamento ou misturando os chamamentos de dois ou três animais. Para compreender quantos oponentes tinham que enfrentar, as hienas que os ouviam tinham que se recordar de quantos chamamentos no total tinham sido emitidos mas também tinham que reconhecer se já tinham ouvido cada autor do chamamento anteriormente.

Michael Wilson, o antropólogo da Universidade do Minnesota em Minneapolis que tinha levado a cabo o estudo anterior com chimpanzés, descreve o trabalho como "muito elegante" e considera que faz todo o sentido que as hienas sejam tão aptas com números: "O seu modo de vida depende de defenderem o território do grupo e saberem quantos rivais enfrentam. Não se quer começar uma luta com os vizinhos se eles forem mais numerosos que nós."

 

A supervisora do doutoramento de Benson-Amram, Kay Holekamp, passou mais de 20 anos a estudar as capacidades cognitivas das hienas numa tentativa de testar a hipótese da inteligência social, que postula que os primatas desenvolveram os cérebros grandes para se manterem a par das complexas rivalidades sociais resultantes da vida em grandes grupos.

As hienas oferecem uma oportunidade perfeita de estar essa ideia pois vivem em clãs hierárquica e socialmente voláteis que atingem os 90 indivíduos, com subgrupos de dimensão variada em confronto regular. "As hienas foram expostas exactamente ao mesmo conjunto de pressões selectivas que os macacos", diz Holekamp. Se a hipótese da inteligência social for correcta, então as hienas devem ser tão inteligentes como os primatas.

Holekamp já descobriu que as hienas realmente rivalizam com os primatas em termos de capacidades sociais, incluindo a capacidade de membros do grupo de estranhos e de compreender o estatuto social relativo dos diferentes indivíduos.

Mas este último estudo é um dos primeiros a investigar uma capacidade não social das hienas. Para além de ter um papel na gestão de conflitos entre clãs ou dentro do grupo, a capacidade rudimentar de avaliar os números pode ser útil noutras situações, como na competição com leões por alimento.

Provavelmente as hienas não conseguem distinguir o número de indivíduos muito para além dos três, os primatas geralmente chegam aos seis ou sete no máximo, mas Benson-Amram considera que as hienas podem ser capazes de avaliar a dimensão relativa de grupos maiores para resolver conflitos sem luta.

No conjunto, diz Holekamp, há "convergências tremendas e muito interessantes" entre as capacidades intelectuais das hienas e dos primatas. As hienas parecem ser muito mais inteligentes que outros carnívoros, como os leões, que vivem em grupos menores e que Holekamp descreve como "surpreendentemente robóticos nas suas respostas às situações".

"As hienas vivem em grupos ao estilo dos dos primatas e parecem apresentar capacidades cognitivas semelhantes às dos primatas", concorda Wilson.

Mas apesar do ambiente social complexo ser "um motor importante" da inteligência, Holekamp alerta para o facto de essa não ser a história toda. Mesmo com as hienas a experimentar virtualmente pressões sociais idênticas, "os macacos tendem a ser mais inteligentes que os carnívoros", salienta ela. "Claramente há outras coisas igualmente importantes."

 

 

Saber mais:

Kay Holekamp

Michael Wilson

 

 

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