2011-06-27

Subject: Análise das migrações revela Serengeti marinho

 

Análise das migrações revela Serengeti marinho

 

 

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TOPP species

Duas grandes áreas do Pacífico norte, uma ao largo da costa oeste dos Estados Unidos e outra entre o Havai e o Alasca, revelaram-se as contrapartidas marinhas da planície africana do Serengeti. Cheias de vida, estes pontos quentes oceânicos são importantes corredores migratórios para predadores marinhos de grande porte, desde atuns a baleias.

A descoberta provém de um imenso conjunto de dados que sintetiza e compara os padrões de migração sazonais de 23 espécies de predadores e foi publicada na revista Nature.

Entre 2000 e 2009, as espécies foram seguidas pelo programa Tagging of Pacific Predators (TOPP), parte da colaboração internacional do Censo da Vida Marinha. Etiquetas electrónicas colocadas nos animais registaram os seus movimentos e as condições da água em seu redor, incluindo a temperatura, salinidade e profundidade. No total, o programa colocou 4306 etiquetas electrónicas, que forneceram 1791 rotas individuais e 265386 dias de recolha de dados. Os dados resultantes do projecto foram agora combinados pela primeira vez.

"É como perguntar 'de que forma usam os leões, zebras e chitas África como continente?', mas fizemo-lo para um vasto oceano", diz Barbara Block, oceanógrafa da Universidade de Stanford, Califórnia e principal autora do estudo. "Já houve artigos sobre uma única espécie e os seus padrões migratórios mas nunca foram unidos."

Os dados combinados das espécies etiquetadas, que cuidadosamente remove qualquer influência devida ao lugar onde os animais foram etiquetados, mostram dois pontos quentes onde as rotas de migração dos predadores se concentram no Pacífico norte. Estas são a corrente californiana que corre para sul ao largo da costa dos estados Unidos e a a zona de transição do Pacífico norte (NPTZ), que corre de leste para oeste entre o Havai e o Alasca ao longo dos limites das águas frias subárcticas e as subtropicais mais quentes, e que funciona como uma auto-estrada migratória transoceânica.

"Estas são as localizações oceânicas onde a comida é mais abundante e isso foi conduzido pela alta produtividade primária na base da cadeia alimentar. Estas áreas são as savanas do mar", diz Block.

 

Combinando o movimento e os dados físicos de tantas etiquetas pode ajudar a explicar os padrões comportamentais observados. Por exemplo, as populações de tubarões dos salmões, brancos e mako "dividem o território do Pacífico central e oriental", diz Block. Registos das etiquetas mostram que preferências ligeiramente diferentes de temperatura da água impedem que espécies fortemente aparentadas se atravessem no caminho umas das outras.

O trabalho também mostra que muitas espécies com percursos migratórios longos, incluindo atuns, tubarões-brancos e dos salmões e focas-elefante, regressão fielmente da sua migração à mesma regiões todas as estações. "Para mim, esta capacidade de regressar a casa tem sido a maior surpresa", diz Block. "Não sabíamos que estes animais tinham bairros."

Os dados do TOPP sugere que a temperatura da água e a quantidade de produção oceânica devida à ascensão de nutrientes com a água fria das profundezas pode conduzir a migração sazonal de muitas espécies, com um efeito particularmente evidente na corrente da Califórnia. "Usando as observações de satélite da temperatura e concentrações de clorofila por si só, podemos agora prever quando e onde as espécies deverão estar", diz Daniel Costa, ecologista da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e co-autor do artigo.

Patrick Halpin, ecologista marinho geospacial na Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte, membro do Censo da Vida Marinha mas não do TOPP, diz que o estudo é inovador, fornecendo não apenas uma imagem abrangente dos padrões de comportamento dos predadores marinhos na região mas também um quadro metodológico para futuros estudos em larga escala. 

David Sims, ecologista comportamental da Associação de Biologia Marinha em Plymouth, Reino Unido, também elogia o estudo, salientando o número sem precedentes de etiquetas electrónicas. "Lançaram o comportamento animal marinho como grande ciência, revelando a ambição de alguns grandes projectos de astronomia e física."

Block considera que a informação do estudo pode ajudar os esforços de protecção e conservação da biodiversidade dos pontos quentes. Saber onde e quando as espécies se sobrepõem é uma informação valiosa nos esforços de gestão e protecção de espécies críticas e seus ecossistemas, diz ela.

 

 

Saber mais:

Tagging of Pacific Predators

Barbara Block

Patrick Halpin

David Sims

 

 

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