2011-06-23

Subject: O cheiro do carnívoro

 

O cheiro do carnívoro

 

 

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@ NatureSe formos um pequeno animal, é bastante útil sabermos se há algo por perto que nos possa comer. 

Stephen Liberles, da Escola de Medicina de Harvard em Cambridge, Massachusetts, analisou amostras de urina de uma variedade de habitantes de jardins zoológicos, incluindo leões e ursos, e descobriu como os roedores utilizam o olfacto para fazer exactamente isso.

Num estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Science, a equipa identifica um composto químico encontrado em elevada concentração na urina dos carnívoros que leva os ratos e ratazanas a procurarem abrigo.

Já foram identificados compostos químicos que permitem às presas reconhecer um predador conhecido mas esta é o primeiro exemplo de uma pista genérica que permite a um animal detectar qualquer potencial predador, independentemente de as duas espécies alguma vez terem estado em contacto.

Os investigadores começaram por analisar um enigmático grupo de receptores olfactivos descobertos em 2001 e conhecidos por receptores associados a vestígios de aminas (TAAR). Existem na maioria dos vertebrados, em número variável. Os ratos, por exemplo, têm 15, as ratazanas 17 e os humanos apenas 6. Pouco se sabe sobre os compostos que a eles se ligam.

Liberles descobriu que um membro desta família de receptores, o TAAR4, é fortemente activado pela urina de lince, vendida online e usada pelos jardineiros para afastar roedores. Conseguiu extrair a molécula responsável pela activação do receptor, a 2-feniletilamina.

Colocou a questão de a molécula ser específica do lince mas a urina de outros animais nem sempre pode ser adquirida com facilidade. "Para além disso, os produtos comerciais podem estar contaminados e nós queríamos ter a certeza que estávamos apenas a estudar substâncias naturais", diz David Ferrero, estudante de graduação do laboratório de Liberles e autor principal do estudo.

Por isso os investigadores recolheram amostras de urina de várias fontes, incluindo jardins zoológicos na Nova Inglaterra e Dakota do Sul. A sua colecção abrangeu 38 espécies de predadores como leões, leopardos das neves e servais a herbívoros como vacas, girafas e zebras. Também testaram humanos, gatos e vários roedores.

 

A operação não foi trivial. A girafa teve que ser treinada a urinar para um copo e Ferrero teve um encontro imediato com um jaguar pouco cooperante.

Os carnívoros tinham de longe a maior concentração de 2-feniletilamina na urina, com o maior nível em leões, servais e tigres. Os níveis na urina dos herbívoros eram até 3 mil vezes inferior. O composto pode ser um sub-produto da digestão das proteínas da carne, apesar de os investigadores ainda não terem confirmado esta ideia.

Liberles e a sua equipa confirmaram o papel da 2-feniletilamina colocando algumas gotas do composto, por si só ou em conjunto com urina de leão, numa jaula. Descobriram que os ratos e as ratazanas se mantinham afastados dessa parte da jaula mas quando usaram uma enzima para remover o composto da urina de leão, as gotas já não provocavam reacção.

"O papel dos receptores TAAR ainda é um mistério", diz Anna Menini, fisióloga da Escola Internacional de Estudos Avançados de Trieste, Itália, e presidente da Organização Europeia de Investigação sobre Quimiorrecepção de Paris. "Temos aqui a primeira evidência convincente de que podem controlar um comportamento instintivo."

Ela acrescenta que o estudo questiona um dogma dos estudos olfactivos, o de que os receptores olfactivos que desencadeiam respostas instintivas se encontram apenas no órgão vomeronasal, uma parte do sistema olfactivo que o Homem perdeu. Os receptores TAAR encontram-se no epitélio olfactivo, presente em humanos, apesar de de não termos um gene TAAR4 activo.

Ainda falta aos investigadores a prova final de que o TAAR4 controla directamente o comportamento do animal pois um rato em que este receptor foi silenciado deveria ser temerário em presença da urina de carnívoros. Liberles refere que está a trabalhar neste aspecto, bem como no estudo de quais os circuitos cerebrais activados pelo receptor.

 

 

Saber mais:

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