2011-05-15

Subject: Células reprogramadas desencadeiam reacção imunitária em ratos

 

Células reprogramadas desencadeiam reacção imunitária em ratos

 

 

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@ NatureCélulas que foram reprogramadas para se tornarem diferentes tipos de tecidos podem ser rejeitadas pelo corpo, mesmo quando são transplantadas para o indivíduo de onde foram retiradas, relatam os investigadores num estudo agora publicado na revista Nature.

O estudo foi liderado por Yang Xu, biólogo molecular na Universidade da Califórnia, San Diego, e vai abalar o campo da medicina regenerativa pois, até agora, a maioria dos cientistas assumiu que células reprogramadas obtidas a partir dos próprios tecidos de um dado indivíduo poderia ser transplantadas com segurança de volta à mesma pessoa.

"Isto é uma surpresa, vai abalar os trabalhos em todo o campo", diz Paul Fairchild, imunologista e biólogo de células estaminais na Universidade de Oxford, Reino Unido.

O último estudo analisou células estaminais embrionárias e células pluripotentes induzidas (iPS) de rato. Ambos os tipos de célula são pluripotentes, o que significa que podem originar muitas outras variedades de células.

A equipa de Xu transplantou as células para ratos com a mesma composição genética que os ratos que tinham doado as células originais, imitando o transplante de células de um dado indivíduo para si próprio.

Quando transplantadas, as células estaminais embrionárias deram origem a teratomas, tumores contendo uma mistura caótica de tipos celulares, que são prova da pluripotência das células. A maioria das células iPS, pelo contrário, não foram capazes de formar teratomas ou formaram teratomas que foram atacados ou rejeitados pelo sistema imunitário do rato hospedeiro.

"Esperávamos que as células iPS geradas a partir de pacientes fossem capazes de ser transplantadas de volta para eles", diz Nissim Benvenisty, biólogo de célula estaminais na Universidade Hebraica de Jerusalém. "Este artigo indica que pode não ser assim."

A equipa descobriu que certos genes se expressavam a taxas muito mais elevadas nos teratomas formados pelas células iPS do que nos formados por células estaminais embrionárias. Dois dos genes, Zg16 e Hormad1, eram especificamente alvo dos ataques imunitários, pelo que Xu sugere que eles estarão normalmente inactivos quando o feto inicia o processo de desenvolvimento de tolerância imunitária aos seus próprios tecidos. A reprogramação iPS pode alterar a expressão normal destes genes.

Mas o estudo de Xu não é necessariamente portador de más notícias para o campo das iPS, como pode parecer.

Os investigadores que estão a trabalhar com as células derivadas de iPS que se diferenciaram foram capazes de as transplantar para ratos sem rejeição mas estas experiências foram feitas em animais sem sistema imunitário funcional. Os cientistas que concebem terapias estão essencialmente a propor apenas um tipo de célula diferenciada de cada vez a ser transplantada, em vez da mistura de células diferenciadas que se encontra num teratoma.

 

Xu ainda não sabe se as células diferenciadas derivadas de iPS purificadas seriam rejeitadas ou se o problema é específico das células indiferenciadas. O estudo de Xu "na realidade não reflecte a situação clínica de todo", diz Fairchild.

Fairchild salienta que as células iPS do estudo de Xu eram derivadas de células embrionárias da pele e não de células da pele adultas, como seria o caso em humanos. Talvez estas células de pele imaturas tenham maior probabilidade que as adultas de desencadear uma reacção imunitária. Ele acrescenta que não é claro quais as células do teratoma desencadearam a rejeição ou mesmo se as células humanas reagiriam da mesma forma. Até que estas questão sejam esclarecidas, diz Fairchild, o artigo de Xu "pode estar a lançar uma sombra sobre todo um campo da medicina regenerativa sem necessidade".

Joseph Wu, biólogo de transplantes da Universidade de Stanford em Palo Alto, Califórnia, concorda que o artigo "pode desencadear mais preocupações regulatórias" para os transplantes específicos para um dado paciente derivados de células iPS.

Wu não pensa que as companhias estejam interessadas no desenvolvimento de terapias derivadas de células iPS específicas para um dado paciente. É mais provável que se foquem em terapias derivadas de células que possam ser usadas em muitas pessoas, que requerem a supressão do sistema imunitário na mesma.

Xu concorda. Os próximos passo da sua equipa serão examinar especificamente que células nos teratomas desencadeiam a reacção imunitária e em que condições. A equipa usou dois métodos diferentes de obtenção de células iPS e eles revelaram propensões ligeiramente diferentes para desencadear reacção imunitária, pelo que os métodos de reprogramação têm que ser afinados para evitar o problema completamente.

"Nós propomos que a tecnologia para gerar as células iPS precisa de ser melhorada para minimizar a diferença entre as células estaminais iPS e embrionárias, para que as primeiras possam ser mais úteis em terapias humanas", diz Xu.

 

 

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