2011-05-07

Subject: Baleia perdida não foi um acaso

 

Baleia perdida não foi um acaso

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureO avistamento de uma solitária baleia cinzenta Eschrichtius robustus ao largo das costas de Israel e Espanha no ano passado, foi uma surpresa para muitos. Como é que um animal normalmente encontrado no Pacífico veio aparecer no Mediterrâneo?

Apesar de ninguém saber o que aconteceu ao mamífero depois da sua última aparição em Maio de 2010, um grupo de investigadores vem agora sugerir que os avistamentos podem indicar uma tendência mais vasta, a mistura dos ecossistemas marinhos do norte do Atlântico e Pacífico, tornada possível pelo desaparecimento do gelo marinho do Árctico devido às alterações climáticas.

O biólogo marinho Aviad Scheinin, do Centro de Assistência e Investigação de Mamíferos Marinhos de Israel em Haifa, analisou a provável origem e rota da baleia errante. Num artigo publicado online na Marine Biodiversity Records, ele elimina a possibilidade de o animal provir da presumida extinta população do Atlântico norte. Comparando fotos da barbatana caudal com as dos indivíduos da pequena e criticamente ameaçada população do noroeste do Pacífico, não encontraram correspondências, o que implica que a baleia é membro da população do nordeste do Pacífico com cerca de 20 mil indivíduos.

Depois de se ter alimentado nos mares de Chukchi e de Bering durante os meses de Verão, as baleias cinzentas geralmente deslocam-se para sul través do Pacífico. Esta baleia pode ter seguido, em vez disso, uma rota árctica, talvez ao longo da costa da Sibéria onde o gelo marinho tem sofrido uma regressão marcada.

"A baleia devia ter ido para a Califórnia ou para o México", diz Scheinin "Mas perdeu-se e acabou no Atlântico norte e começou a ir para sul, mantendo a costa à sua esquerda como se estivesse a viajar para sul ao longo da costa da América do Norte e virou à esquerda em Gibraltar."

No Outono de 2009, quando presumivelmente a baleia teria começado a sua odisseia, a cobertura de de gelo marinho no Árctico era escassa o suficiente para tornar essa passagem plausível, diz Harry Stern, matemático na Universidade de Washington em Seattle, que estuda o gelo marinho. "A abertura das passagens a que temos assistido nos últimos quatro ou cinco anos não tem precedentes."

 

John Calambokidis, biólogo do Colectivo de Investigação Cascadia, uma organização científica e educacional sem fins lucrativos de Olympia, Washington, diz que os autores fizeram um bom trabalho na consideração de factores, como as populações de baleias cinzentas, seus hábitos alimentares e velocidades de deslocação. "Uma baleia cinzenta no Mediterrâneo não faz sentido, mas entre as explicações possíveis para esta ocorrência bizarra, esta é decididamente a mais plausível."

A falta de uma amostra de tecidos significa que a baleia não pode ser seguida até à sua população original através de marcadores genéticos. Sem mais dados, é prematuro concluir que o avistamento está relacionado com as alterações climáticas, diz a ecologista Kristin Laidre, da Universidade de Washington em Seattle. Mas o clima vai com certeza afectar futuros avistamentos de baleias, continua ela. "Não há dúvida que a perda de gelo vai permitir que o Árctico funcione como um corredor para as espécies marinhas alternarem entre áreas que estavam anteriormente isoladas. As baleias vão migrar para o Árctico mais cedo, deslocar-se mais para norte e aí permanecer mais tempo. É o que prevemos e esperamos ver."

As baleias cinzentas não são os únicos animais cujos territórios se podem expandir com a contracção do gelo marinho. "Pode-se argumentar para qualquer espécie com uma fase de oceano aberto no seu ciclo de vida", diz o biólogo evolutivo David Tallmon, da Universidade do Sudeste do Alasca em Juneau. Os potenciais viajantes vão desde as menores diatomáceas às maiores baleias e incluem espécies terrestres que procuram temperaturas mais baixas perto dos pólos. "Regimes térmicos inteiros em mudança podem levar a todo o tipo de efeitos ecológicos estranhos", diz Tallmon.

 

 

Saber mais:

Narvais transmitem dados climáticos do oceano Árctico

Misteriosa baleia cinzenta avistada novamente

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2011


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com