2011-04-26

Subject: Persiste mistério do plástico 'degradável'

 

Persiste mistério do plástico 'degradável'

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureA versão amiga do ambiente do polietileno pode, afinal, não ser assim tão amiga.

O polietileno é um dos materiais mais utilizado do mundo e os sacos de plástico descartados tornaram-se o mais forte símbolo do impacto humano sobre o ambiente. Assim, com o aumento da preocupação com a vasta escala de resíduos deste plástico, também cresceu a utilização das suas formas alegadamente 'degradáveis'.

Acrescentando-lhe metais de transição, como o ferro ou o cobalto, pode-se promover a oxidação dos polímeros de etileno e as alegações de degradabilidade ou biodegradabilidade destes materiais são generalizadas em embalagens de alimentos e sacos de plástico. Mas uma análise publicada recentemente na revista Environmental Science & Technology, salienta que não há evidências de que os 'polietilenos degradáveis' sejam tudo o que sugerem.

Apesar de ser claro que os sacos de plástico 'degradáveis', por exemplo, se desfazem no ambiente, os fragmentos daí resultantes podem persistir por muito tempo e não existem estudos a longo prazo sobre estes pedaços. Uma questão crucial é que produtos podem ser descritos como biodegradáveis sem referência à escala de tempo em que biodegradam completamente.

"Há um número enorme de artigos sobre o polietileno degradável mas nenhum mostrou realmente uma degradação elevada", diz Ann-Christine Albertsson, investigadora de polímeros no Real Instituto Sueco de Tecnologia (KTH) em Estocolmo e autor principal da análise crítica. "Claro que eles de alguma de alguma forma, perdem parte das suas propriedades mas se queremos que signifique de forma positiva para a natureza, isso ainda não foi provado."

Os países em desenvolvimento, como a China, também estão a começar a utilizar o polietileno 'degradável', diz Albertsson. As autoridades indianas também estão muito interessadas no tema e recentemente enviaram um estudante para trabalhar com ela. Apesar de alguns países já estarem a tomar medidas para passar a utilizar produtos genuinamente degradáveis contendo o derivado do amido polilactato, isso permanece dispendioso e os produtos à base de papel também não são adequados pela necessidade de abate de árvores.

 

Noreen Thomas, investigadora de materiais na Universidade de Loughborough, foi uma das autoras do relatório de 2010 para o Departamento de Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (DEFRA) sobre plásticos oxi-degradáveis. Neste incluem-se essencialmente polietilenos mas também polipropilenos.

A velocidade com o plástico se decompõe em fragmentos depende fortemente da exposição ao calor e à luz, logo o meio em que o plástico acaba os seus dias. O relatório da DEFRA sugere que os fragmentos oxi-degradáveis deixados no exterior no Reino Unido se tornam pequenos fragmentos no espaço de dois a cinco anos. A biodegradação deste fragmentos pequenos decorre depois "muito lentamente". "A nossa conclusão é que não existem benefícios para o ambiente na utilização de plásticos oxi-degradáveis", diz Thomas.

Estes plásticos não devem ser compostados, pois os seus fragmentos irão arruinar o composto resultante mas também não podem ser incorporados nos sistemas tradicionais de reciclagem de plástico pois os próprios aditivos que estimulam a decomposição do material original irão degradar o material reciclado produzido.

O relatório recomenda que estes plásticos sejam mantidos fora dos sistemas de reciclagem de plástico tradicionais e sejam antes incinerados ou colocados em aterros, ainda que saliente que "ambas estas opções tornem as propriedades 'degradáveis' dos plásticos oxi-degradáveis irrelevantes".

 

 

Saber mais:

DEFRA

KTH

Estudo mede acumulação de plástico no Atlântico

Ilha de lixo descoberta no Atlântico norte

Plástico decompõe-se na água e liberta tóxicos

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2011


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com