2011-04-25

Subject: Penas contam história de um século de poluição com mercúrio

 

Penas contam história de um século de poluição com mercúrio

 

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@ BBCAs penas dos albatrozes de espécimes de museu permitiram aos cientistas construir um registo da poluição de mercúrio desde há mais de 100 anos.

As penas, de albatrozes de patas negras, contêm vestígios de mercúrio que as aves recolheram quando se alimentaram.

A espécie está ameaçada e, apesar da pesca ser a principal causa dessa situação, a equipa de cientistas sugere que os níveis de mercúrio podem ter sido suficientemente elevados para causar problemas à sua procriação.

O estudo foi publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A equipa analisou penas de 54 aves mantidas em museus da Universidade de Harvard e da Universidade de Washington em Seattle, tendo as amostras mais antigas mais de 120 anos de idade.

Não há tendência nas concentrações totais de mercúrio ao longo do tempo mas o o nível de metilmercúrio, uma forma tóxica do metal formada frequentemente por bactérias, mostram realmente uma subida.

O metilmercúrio é facilmente absorvido pelas formas de vida marinhas, como pequenos peixes, e os predadores dessas formas de vida, como as aves, podem acabar por acabar com enormes concentrações nos seus tecidos.

Essas concentrações elevadas podem causar problemas de desenvolvimento em humanos e há evidências de que pode causar problemas semelhantes em aves e peixes.

"Já se tinham realizado estudos sobre os níveis de mercúrio usando espécimes de museu anteriormente mas a maioria para o Atlântico", diz Scott Edwards, professor de biologia em Harvard que também é curador da colecção de ornitologia do museu da universidade. "O nosso é um dos primeiros a analisar os padrões na bacia do Pacífico, que tem o maior número de colónias de aves marinhas, o maior número de colónias ameaçadas e está sob severa ameaça das emissões de mercúrio com origem na Ásia."

 

Cerca de metade do mercúrio que atinge a atmosfera provém de fontes naturais, como os vulcões, a outra metade tem como fonte principal a queima de carvão, pois o mercúrio é um elemento vestigial em muitos depósitos.

Apesar das maiores fontes históricas se localizarem na América do Norte e na Europa, a Ásia contribui agora com cerca de dois terços desse total, devido à produção de energia e indústria.

Há dois anos, os governos concordaram em estabelecer um tratado global para restringir as emissões de mercúrio, um processo que deve ficar finalizado em 2013.

O padrão de subida das concentrações de metilmercúrio nas penas e, sugere a investigação, um reflexo da subida dos seus níveis no ambiente mas as amostras mais antigas também contêm mercúrio que aparentemente era um componente dos conservantes usados pelos curadores, produtos que deixaram de ser utilizados há muito.

Os cientistas gostariam agora de trabalhar com albatrozes vivos para responder a algumas questões cruciais sobre o impacto do mercúrio.

"Não temos evidências directas de que os níveis de mercúrio estejam a ter impacto no seu sucesso reprodutivo", diz Edwards. "O que gostaríamos de fazer a seguir é medir os níveis nos albatrozes vivos e verificar se há uma correlação com as probabilidades de os seus ovos chocarem. São aves fantásticas e muitos boas de estudar, adoraria realizar este trabalho com elas."

Como muitas espécies de albatrozes, os de patas negras, que se encontram apenas no Pacífico norte, têm sido fortemente afectados pela pesca de linha longa, em que os navios arrastam linhas armadas de anzóis com dezenas de quilómetros para capturar espécies valiosas como o atum.

O isco desses anzóis também atrai albatrozes e tartarugas, pelo que a pesca com linha longa é a principal causa de morte em ambas as espécies, apesar de vários países terem já introduzido legislação obrigando a utilização de anzóis seguros para estes animais.

 

 

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