2011-04-24

Subject: Teoria sobre cancro enfrenta dúvidas

 

Teoria sobre cancro enfrenta dúvidas

 

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Não pode ser fácil estar em frente de centenas de colegas e dizer-lhes que que dez anos de investigação os conduziu na direcção errada mas no encontro anual da Associação Americana de Investigação do Cancro (AACR) o patologista David Tarin fê-lo ao desafiar a hipótese mais aceita sobre a forma como os cancros metastizam.

Tarin, da Universidade da Califórnia, San Diego, questionou a ideia de que as células cancerosas se libertam e migram para novas localizações no corpo revertendo para um estado que se assemelha às células móveis dos embriões. As evidências laboratoriais para a hipótese originou a esperança de um dia se poder bloquear as metástases, que em 90% dos casos é o que acaba por matar o paciente. Mas Tarin, bem como outros biólogos do cancro, defende que ninguém observou o processo em acção em cancros humanos.

A maioria dos cancros ocorre nas camadas de células que forram os órgãos. As células epiteliais são normalmente imóveis mas durante o desenvolvimento embrionário algumas começam a produzir proteínas associadas à motilidade e param com a produção das proteínas que as mantêm unidas. Esta transformação torna-as células mesenquimatosas mais móveis que migram para as suas localizações correctas no embrião. Se a mesma transição epitelial a mesenquimatosa (EMT) ocorrer nos cancros, pode explicar como as células cancerosas se separam das suas vizinhas e entram na corrente sanguínea para formar um novo tumor, como se vê na figura acima.

"É um conceito interessante", diz Pierre Savagner, investigador de cancro no Instituto de Investigação do Cancro de Montpellier. "Torna as coisas relativamente fáceis de perceber."

Apesar de controversa ao início, a hipótese da EMT foi apoiada por experiências em ratos que mostravam que a activação da EMT conduzia a metástases. A OSI Pharmaceuticals, sediada em Melville, Nova Iorque, já está a investigar inibidores da EMT como possível tratamento do cancro, bem como vários laboratórios académicos.

"A EMT está realmente a tornar-se um tema popular", diz Shoukat Dedhar, investigador do cancro no Centro de Investigação do Cancro da Colúmbia Britânica em Vancouver e um convertido à hipótese. "Há mais e mais dados a chegar a favor do papel da EMT na metástase."

Ainda assim, os cépticos permanecem. Tarin, entre outros, está preocupado com o facto de a hipótese ter atingido popularidade com base em resultados obtidos com células de cultura e modelos animais, sem que haja evidências convincentes da sua importância na metástase em humanos. Ele defende que os patologistas analisaram milhões de secções de tecidos tumorais sem verem células em transição.

 

Os defensores da hipótese EMT–metástases, incluindo o biólogo do cancro líder Robert Weinberg, do Instituto de Investigação Biomédica Whitehead em Cambridge, Massachusetts, dizem que isto pode simplesmente dever-se à EMT ser tão transitória, uma vez a célula metástica invadindo um novo tecido, as suas características mesenquimatosas desaparecem. "Quando examinamos um pedaço de tecido de um paciente temos um momento", concorda o investigador do cancro Gianluigi Giannelli, da Universidade de Bari, Escola de Medicina. "Não temos o filme inteiro."

Tarin discorda deste raciocínio. "É comparável a dizermos que existem nesta sala extraterrestres invisíveis mas que não os vemos porque não usámos as ferramentas correctas", disse ele na conferência da AACR.

Outros fazem eco das suas preocupações. Savagner salienta que as proteínas que podem indicar que a activação da EMT também pode estar presente durante processos não relacionados, como a morte celular programada. "As pessoas querem mesmo que as células façam EMT e levam o conceito demasiado longe."

Mesmo Dedhar se preocupa com as alegações exageradas, por exemplo, muitos artigos relatam resultados em células de cultura, diz ele, sem confirmar que as células são metásticas em animais vivos.

A imagem real, diz Tarin, pode não incluir uma alteração na identidade celular. Em vez disso, ele e outros sugerem que a metástase ocorre quando mutações nas células cancerosas comprometem a adesão celular. Outros sugerem que as células se separam do tumor em blocos e se deslocam em grupo.

Weinberg diz que uma experiência chave que poderia resolver a controvérsia seria seguir células cancerosas individuais desde o momento em que se separam do tumor até ao momento em que colonizam um novo órgão. Uma experiência dessas seria tecnicamente desafiadora em humanos, diz ele. "Pode-se estudar o tumor primário e as células que envia para circulação mas descobrir o que acontece a essas células cancerosas em circulação depois de ficarem alojadas é muito difícil."

"Se este processo é obrigatório para a metástase ocorrer ainda não é claro", diz Isaiah Fidler, biólogo do cancro no Centro do Cancro M. D. Anderson em Houston, Texas. "Mas a EMT não deve ser posta de lado, não se pode por nada de lado."

 

 

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