2011-04-21

Subject: Um ano depois da Deepwater Horizon

 

Um ano depois da Deepwater Horizon

 

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@ NatureEm Abril de 2010, a plataforma de perfuração da BP Deepwater Horizon explodiu e afundou-se no golfo do México.

Com o tubo que antes conduzia o petróleo 1400 metros desde o fundo do mar partido, perto de 4,9 milhões de barris de petróleo e um volume equivalente de gás, derramaram-se durante três meses, segundo o governo americano.

A BP acrescentou cerca de 9 milhões de litros de dispersantes químicos ao petróleo, cerca de um terço desse total em profundidade.

O desastre aconteceu perto de um fluxo rico em nutrientes do delta do Mississippi, uma das zonas mais produtivas de um golfo prolífico. Perto de 1728 espécies se alimentam e reproduzem nesta zona e muitas estavam na época da reprodução na altura, expondo as larvas e os jovens vulneráveis ao petróleo tóxico. Um ano depois, a revista Nature examina os danos e avalia a resposta ao desastre.

A limpeza já acabou?

O governo americano estima que 1,24 milhões de barris de petróleo foi recuperado directamente do tubo partido, recolhido da superfície ou queimado. Estima também que outros 1,2 milhões de barris "se evaporaram ou dissolveram", 1,1 milhões formaram manchas superficiais e bolhas de alcatrão, afundaram-se ou acabaram nas praias, 630 mil barris dispersaram naturalmente e 770 mil barris foram dispersados quimicamente (apesar de valer a pena salientar que os dispersantes não removem o petróleo do ambiente, apenas o quebram em pequenas gotículas). As equipas de resposta removeram o petróleo das praias mas não dos sapais e mangais, onde os esforços de limpeza fariam mais mal que bem, destruindo a vegetação, compactando o solo e enterrando o petróleo nos sedimentos, onde se degrada mais lentamente.

Apesar da Equipa de Aconselhamento do governo federal ter relatado em Dezembro que "não restava petróleo na água ou sedimentos em águas profundas", reconheceu que "estimativas quantitativas do petróleo restante estavam para além do seu âmbito". Vários estudos indicam que quantidades significativas de petróleo permanecem a profundidades de 1100 metros e possivelmente no fundo. Ainda na semana passada foi observado petróleo nas zonas húmidas da baía Barataria no Louisiana.

"A limpeza não ficará completa e não saberemos as consequências totais a nível ambiental após pelo menos 40 anos", diz Tierra Curry, bióloga do Center for Biological Diversity em Flagstaff, Arizona.

Que grau de danos foram infligidos ao ambiente?

O complexo emaranhado legal da Natural Resource Damage Assessment federal, coordenado por um ramo da National Oceanic and Atmospheric Administration, continua, por isso ainda pouco se sabe mas, diz Curry, "os danos são generalizados e persistirão durante décadas". O petróleo e os dispersantes são tóxicos para os ecossistemas, segundo Larry McKinney, director executivo do Instituto Harte de Investigação para Estudos do Golfo do México na Universidade Texas A&M, que prevê que os efeitos do derrame durem décadas. O governo indica número significativo de animais mortos: 6104 aves, 609 tartarugas marinhas e 100 mamíferos marinhos mas apenas inclui os cadáveres recolhidos, salienta Curry. A mortalidade real deve ser muito superior, as carcaças devem representar apenas um quinto dos números reais para tartarugas e quando muito 6% dos cetáceos. A maioria dos animais que morreu ter-se-á afundado ou terá sido devorado, apenas uma percentagem pequena terá sido trazida para terra ou observada.

Os efeitos a longo prazo serão mais difíceis de detectar mas mais insidiosos. Se o petróleo persistir no oceano e sedimentos, plantas e animais estarão expostos aos seus efeitos e inevitavelmente entrarão na cadeia alimentar. "Algumas populações de aves ainda não recuperaram após 20 do derrame do Exxon Valdez devido à perturbação da cadeia alimentar", diz Greg Butcher, director da conservação de aves da National Audubon Society de Washington DC.

Estudos mostraram que o petróleo disperso é mais tóxico que o petróleo ou o dispersante por si sós e os dispersantes químicos nunca tinham sido usados em profundidade, pelo que os seus efeitos são desconhecidos. Os cientistas também ainda estão a tentar perceber os efeitos do petróleo sobre o ambiente marinho de profundidade.

 

O que causou o acidente?

Erros humanos e falhas de equipamento. "Sistemas complexos como as plataformas de perfuração em águas profundas falham de forma complexa", diz Tad Patzek, presidente do departamento de engenharia de petróleo e geossistemas da Universidade do Texas, Austin. "Uma confluência de muitos factores provocaram a explosão do poço", incluindo cimento que não solidificou, insuficiente taxa de injecção de cimento, má interpretação do teste de pressão negativa e a não colocação de uma tampa de cimento para isolar o fundo do poço antes do teste. 

Ele coloca a culpa, em última análise, na má gestão, incluindo falta de comunicação, alterações de ordens e treino inadequado. "A meu ver, a maior falha foi que não se trabalhasse de acordo com um único imperativo. a segurança."

A perfuração e pesquisa em águas profundas ainda é permitida no golfo?

"Vamos perfurar em águas profundas porque é lá que o petróleo está e precisamos dele", diz Patzek. No sul da Louisiana, a zona mais atingida pelo derrame, a produção de petróleo representa parte importante da economia. Michel Claudet, presidente da paróquia de Terrebonne, diz que muitos dos seus constituintes apoiam o levantamento federal da moratória à perfuração, feita a 12 de Outubro de 2010.

A 8 de Abril de 2011 o governo aprovou a décima licença para um poço pós-derrame. Actualmente, três leis aguardam aprovação na Câmara dos Representantes que permitirão mais licenças no golfo, ao largo da costa leste e oeste e um aumento da produção ao largo.

Que medidas foram criadas para garantir que este tipo de acidente não volta a acontecer?

O Minerals Management Service, que regula as perfurações ao largo da costa, tem mais uma vez um novo director, Michael Bromwich, e um novo nome, Bureau of Ocean Energy Management, Regulation and Enforcement (BOEMRE). Mas os ambientalistas alegam que as alterações são pura cosmética e Bromwich já disse ao The New York Times que a sua agência não tem fundos, pessoal e capacidade de actuação adequados.

A comissão nomeada por Barack Obama para investigar o acidente apelou a mais financiamento à pesquisa e avaliações científicas das candidaturas a perfuração ao largo da costa. Patzek está no comité de aconselhamento sobre segurança energética nos oceanos da BOEMRE, que faz recomendações sobre segurança, investigação e treino.

O acidente tornou claro que o equipamento de emergência precisa de ser concebido, construído e colocado nos portos, para utilização imediata, diz ele, o que foi feito. "Usámos a experiência deste desastre para obter muito mais material e ficar mais preparados. Muita desta tecnologia já existia mas não estava testada. A BP testou-a debaixo de fogo e daí resultou o melhor design que tapou o poço."

 

 

Saber mais:

Natural Resource Damage Assessment

Bureau of Ocean Energy Management, Regulation and Enforcement

Center for Biological Diversity

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