2011-04-16

Subject: Predadores dinossauros caçavam no escuro

 

Predadores dinossauros caçavam no escuro

 

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@ NatureOs paleontólogos há muito acreditavam que apenas os mamíferos eram activos à noite durante o Mesozóico mas agora descobriu-se que alguns dinossauros também eram nocturnos.

Lars Schmitz e Ryosuke Motani, paleobiólogos na Universidade da Califórnia, Davis, analisaram ossos encontrados nos olhos de dinossauros fossilizados e répteis com eles relacionados que viveram há 250 a 65 milhões de anos.

A equipa sabia, por ter analisado animais vivos, que se o diâmetro interno do anel ósseo da esclera do olho era maior em relação ao seu diâmetro externo, o olho estava bem adaptado a lidar com baixos níveis de luminosidade. Usando esta medida, a equipa descreve quais das 33 espécies antigas era provavelmente nocturnas e quais eram provavelmente activas durante o dia. As suas descobertas foram publicadas na última edição da revista Science.

Os ossos do olho da maioria dos predadores do Mesozóico que a equipa analisou sugerem que eram activos à noite, como a maioria dos modernos predadores mamíferos.

Os caçadores nocturnos vão desde o Microraptor gui, um dinossauro alado com pouco mais de 90 cm de comprimento, ao Megapnosaurus kayentakatae, uma espécie caçadora em grupo que atingia os 3 metros, e ao Velociraptor mongoliensis, o predador com garras ominosas que ganhou fama no livro Parque Jurássico.

Vários pterossauros, répteis voadores aparentados de perto com os dinossauros, também tinham formas de olho que indicam que eram activos à noite. O que esses pterossauros faziam no escuro é pouco claro, mas Schmitz e Motani sugerem que podem ter-se comportado como os petréis e os albatrozes (ordem Procellariiformes) our os patos (ordem Anseriformes), que frequentemente se alimentam à noite.

"Penso que esta situação solidamente acaba com a visão de que todos os dinossauros eram diurnos e que todos os mamíferos eram nocturnos", diz Schmitz.

Nem todas as espécies que a equipa analisou eram nocturnas, alguns pterossauros e a maioria das aves primitivas que examinaram, incluindo o Archaeopteryx lithographica e o Confuciusornis sanctus, a ave com bico mais antiga que se conhece, tinham formas de olho semelhantes às das aves modernas que são activas durante o dia.

 

A maioria dos 13 dinossauros herbívoros de grande porte examinados pela equipa, incluindo o Diplodocus longus de pescoço comprido e o eriçado Protoceratops andrewsi, tinham anéis da esclera com forma intermédia entre as das espécies nocturnas e diurnas. Combinada com a grande dimensão geral do olho dessas espécies, sugere que que eram capazes de funcionar tanto de dia como de noite.

A conclusão é apoiada por estudos sobre mamíferos vivos, em que espécies com mais de 400 kg de massa, como os elefantes, precisam de se alimentar durante mais de 12 horas por dia para obter as suas necessidades energéticas, o que exige que sejam activos de dia e de noite devido aos Invernos reduzirem a menos de 12 horas a duração do dia.

Com isso em mente, os paleontólogos defendem ultimamente que os dinossauros de grande dimensão teriam que ter as mesmas necessidades visuais mas, até agora, as provas anatómicas não existiam.

"Este trabalho está a dar-nos um vislumbre dos detalhes da vida dos dinossauros que na realidade não tinha a menor ideia de que poderíamos ter", diz Lawrence Witmer, paleontólogo na Universidade do Ohio em Athens.

As descobertas estão também a lançar luz sobre a forma como as espécies interagiam umas com as outras. Num famoso fóssil, um Velociraptor está preso num combate mortal com um Protoceratops: os dois animais foram enterrados por um súbito deslizamento de terras enquanto lutavam e o seu combate ficou registado na pedra.

O fóssil ajudou os paleontólogos a confirmar que os dinossauros realmente se predavam uns aos outros mas, combinado com o trabalho de Schmitz e Motani, fornece ainda mais informação, sugerindo que o Velociraptor, um predador nocturno, atacou o Protoceratops enquanto este descansava à noite. "Esta descoberta abre novos caminhos de investigação em aspectos como a utilização do ambiente e a divisão de recursos", diz Witmer.

 

 

Saber mais:

Ryosuke Motani

Lawrence Witmer

 

 

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