2011-03-29

Subject: Nova pista sobre mortífero cancro do pâncreas

 

Nova pista sobre mortífero cancro do pâncreas

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureActualmente não há arma eficaz contra o adenocarcinoma do ducto pancreático, situação em que o diagnóstico é seguido de morte em apenas alguns meses.

Mas agora os cientistas alcançaram um desenvolvimento inesperado que parece permitir ultrapassar as formidáveis defesas do cancro em testes clínicos com humanos e ratinhos. Os seus resultados foram publicados na última edição da revista Science.

Robert Vonderheide, imunologista do Centro Abramson do Cancro da Universidade da Pennsylvania em Filadélfia, activou células imunitárias que abriram buracos na camada protectora, o estroma, que as células pancreáticas constroem à sua volta e atacaram as células tumorais.

Surpreendentemente, as células imunitárias envolvidas não eram as suspeitas do costume, as sofisticadas células T anti-tumorais, mas células mais genéricas, os macrófagos.

"Isto abre um novo conjunto de possibilidades na busca de novos tratamentos", diz Terry Van Dyke, chefe do Programa de Genética do Cancro de Ratos do Instituto Nacional do Cancro de Frederick, Maryland, que não esteve envolvido no estudo. "É uma clara indicação que activar os macrófagos pode ser eficaz."

É o invulgarmente resistente estroma que rodeia os adenocarcinomas do ducto pancreática que é responsável pelo mau prognóstico da doença. Não só é quase inteiramente impenetrável aos medicamentos, como também fica embebido com glóbulos brancos que impedem que o sistema imunitário lance o seu próprio ataque ao cancro.

Outros já tinham proposto estratégias moleculares para atacar o estroma na esperança de facilitar o acesso aos medicamentos, que estão a ser actualmente testados clinicamente mas o assalto ao estroma pela equipa de Vonderheide foi inadvertido.

A intenção original dos autores foi tentar contrapor as acções imunossupressoras do estroma activando a proteína CD40. Esta proteína activa muitos tipos de células imunitárias mas é mais conhecida por activar as células anti-tumorais T. E foi sobre estas que os cientistas focaram a sua atenção, esperando que estas atravessassem o estroma e atingissem o cancro.

Realizaram um teste clínico com 21 pacientes com cancros pancreáticos inoperáveis que foram tratados com gemcitabina, o medicamento de quimioterapia standard para a doença. Para além disso, deram aos pacientes injecções adicionais de um anticorpo experimental activador da CD40.

Em média, os 21 pacientes sobreviveram várias semanas além do que seria de esperar sem o tratamento com o anticorpo e quatro pacientes exibiram uma regressão temporária dos tumores. Os autores examinaram as biopsias de dois dos tumores reduzidos e descobriram que estavam cheios de macrófagos mas sem células T.

 

"Mesmo antes de o teste com pacientes terminar, percebemos que a terapia estava a parecer ser bem sucedida mas talvez não pelas razões que imaginávamos", diz Vonderheide.

Para estabelecer o mecanismo subjacente, os cientistas voltaram-se para os ratos geneticamente modificados para desenvolver um cancro semelhante ao adenocarcinoma do ducto pancreático. Conseguiram repetir o teste humano com os animais, com um conjunto completo de controlos, e sujeitaram-nos a mais exames detalhados e invasivos.

Trataram um conjunto de animais com gemcitabina e a versão de ratos do anticorpo activador da CD40, enquanto outros conjuntos foram tratados só com gemcitabina, só com anticorpo ou sem medicamentos. Os tumores regrediram em 30% dos ratos tratados com o anticorpo, tivessem ou não recebido gemcitabina. "Também foi uma surpresa descobrir que a gemcitabina ela própria não estava a contribuir muito para o efeito terapêutico", diz Vonderheide.

Os autores olharam, então, mais de perto para a forma como o sistema imunitário dos ratos, e os seus tumores, reagiam à activação da CD40.

"O anticorpo na realidade activa as células T mas por alguma razão elas permanecem nos nódulos linfáticos e não migram para os tumores", diz Vonderheide. Em vez disso, descobriram que os macrófagos activados infestam os tumores e permanecendo em volta do estroma, levando-o a enrolar para dentro e degradar-se.

"Esta descoberta podia nunca ter sido feita sem a utilização do modelo rato do cancro para dissecar o mecanismo em detalhe", diz Van Dyke. Muitos outros estudos estão a começar por todo o mundo com o mesmo objectivo, de alinhar os estudos em ratos e humanos, incluindo um grande programa em Harvard em Cambridge, Massachusetts.

"Apesar de muitos esforços, apenas um novo medicamento, o erlotinib, foi aprovado pela Food and Drug Administration na última década para o tratamento do cancro pancreático metastático e esse apenas prolonga a vida em duas semanas", diz Vonderheide. "Talvez a nossa descoberta conduza a novas ideias sobre como manipular o sistema imunitário para melhor efeito terapêutico."

 

 

Saber mais:

Como os tumores resistem à quimioterapia

Medicamento para osteoporose pode curar cancro da mama

Drosophila ajuda na compreensão do cancro

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2011


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com