2011-03-16

Subject: Abalo gigante agita ideias sobre comportamentos sísmicos

 

Abalo gigante agita ideias sobre comportamentos sísmicos

 

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@ Nature"Este sismo foi uma lição de humildade" diz Emile Okal, geofísico da Universidade Northwestern de Evanston, Illinois, que estuda grandes sismos e tsunamis.

Poucos peritos tinham pensado que a zona sísmica perto de Sendai, Japão era capaz de originar sismos com o poder destruidor do de magnitude 9 de 11 de Março, o maior de que há registo no Japão. Okal e os seus colegas querem compreender a razão porque o evento foi tão mais forte do que era expectável, bem como o que isso significa para o risco sísmico no Japão e noutros locais do mundo.

O sismo ocorreu ao longo de um limite de placas em que o Pacífico mergulha sob a placa tectónica que transporta o norte do Japão (ver imagem). Esse processo de subducção desencadeia os maiores sismos do mundo, tal como o de magnitude 9,5 no Chile em 1960 e o de 9,1 em Sumatra em 2004. 

No entanto, os geofísicos pensavam que os grandes sismos de subducção ocorriam apenas em zonas onde a crosta oceânica mais jovem se afunda para o manto com grande atrito pois a crosta mais antiga (mais fria e mais densa) deslizaria com maior facilidade, desencadeando sismos mais fracos. A crosta oceânica ao largo da costa nordeste do Japão, já agora, formou-se há cerca de 140 milhões de anos, o que se pensa ser tãoa antigo quanto é possível ser.

A história da região de Sendai parecia apoiar esta ideia. "Tem havido sismicidade mas nada parecido com grandes sismos", diz says Hiroo Kanamori, sismólogo no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. Nos últimos séculos, a zona de subducção ao largo da costa de Sendai gerou sismos de magnitude até 8 mas nada tão poderosos como 9, que liberta cerca de 30 vezes mais energia.

Dado esse historial, os sismólogos japoneses não consideraram que houvesse ameaça de grandes sismos na zona de Sendai e apesar da região ser uma das melhor preparadas para tsunamis do Japão, as altas muralhas protectoras ao longo da costa foram construídas para bloquear ondas muito menores do que as gigantes de 13 a 15 metros que atingiram a costa, provocando a maior parte dos danos e desencadeando a actual crise nuclear.

 

Mas algumas pistas sugeriam que a região de Sendai podia ser capaz de maior violência. O sismo gigante de Sumatra levantou questões sobre a hipótese da idade do fundo oceânico pois a velha crosta de subducção deveria ter eliminado a possibilidade de um sismo daquela dimensão, diz Okal. 

Estudos geodéticos recentes por todo o Japão mostraram que a região de Sendai está a ser comprimida, como num torno, pela pressão dos movimentos das placas. O enrugar sugeria que a placa do Pacífico estava presa e não a deslizar suavemente sob o Japão, criando tensão na crosta.

A tensão apenas pode ser libertada com sismos e acumula-se tão rapidamente que a dimensão e frequência dos sismos do passado recente não teria sido suficiente para a libertar, diz Thomas Heaton, geofísico do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Só o sismo da semana passada o conseguiu e, grande como foi, pode ainda não ter libertado toda a energia acumulada, diz Heaton. 

Se a zona de subducção perto de Sendai pode produzir um grande sismo, então outras zonas com crosta oceânica antiga também podem, diz Okal, que diz que as regiões de Tonga e nordeste das Caraíbas devem ser analisadas com mais cuidado. Pistas para os raros sismos de grande dimensão podem lá estar escondidas, tal parecem ter estado em Sendai.

O último grande tsunami registado em Sendai foi em 869. A avaliar pelos vestígios geológicos de dois depósitos de tsunami ainda mais antigos, Koji Minoura, geólogo da Universidade de Tohoku em Sendai, propôs em 2001 que as ondas gigantes atingiam a região com intervalos de 800 a mil anos. Atendendo a que o último tinha ocorrido no século IX, o investigador escreveu que "a possibilidade de um tsunami de grande dimensão atingir a planície de Sendai é elevada". 

 

 

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