2011-03-10

Subject: Como o pénis perdeu os espinhos

 

Como o pénis perdeu os espinhos

 

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@ NatureO sexo seria uma proposição muito diferente para os humanos se, como alguns animais incluindo os chimpanzés, macacos e ratos, os homens tivessem pénis equipados com pequenos espinhos rijos.

Agora, investigadores da Universidade de Stanford na Califórnia descobriram um mecanismo molecular para a forma como o pénis humano pode ter evoluído para perder os espinhos. Eles consideram que se tratou da perda de um segmento em particular de DNA não codificante que influencia a expressão do gene do receptor de androgénio envolvido nos sinais hormonais.

"É uma pequena mas fascinante parte de uma imagem maior sobre a evolução das características especificamente humanas", diz Gill Bejerano, bióloga do desenvolvimento em Stanford que liderou o estudo em conjunto com o seu colega David Kingsley. "Tivemos uma perspectiva molecular para uma discussão que já decorre à décadas."

Publicada na última edição da revista Nature, a investigação também sugere um mecanismo molecular para a forma como desenvolvemos cérebros maiores do que os chimpanzés e perdemos os pequenos bigodes sensoriais que os macacos, com os quais partilhamos 96% do nosso DNA, têm nas faces.

Há muito que se acreditava que os humanos desenvolveram pénis lisos em resultado de terem adoptado uma estratégia reprodutiva mais monógama do que os seus primeiros ancestrais humanos. Esses ancestrais podem ter usado espinhos penianos para remover o esperma dos competidores quando acasalavam com as fêmeas, no entanto, exactamente como a transformação ocorreu não se sabe.

Os investigadores não tinham inicialmente a intenção de estudar espinhos penianos, em vez disso, procuravam segmentos de DNA que tinham sido perdidos do genoma humano mas não do genoma do chimpanzé, com o objectivo de identificar a função desses segmentos.

A abordagem difere da maioria dos estudos, explicam Bejerano e Kingsley, ao analisar o que foi apagado do genoma humano em vez do que está presente. "No caso do nosso estudo, se tivéssemos começado com o genoma humano, não haveria nada para ver", diz Bejerano.

Em primeiro lugar identificaram sistematicamente 510 sequências de DNA que faltavam aos humanos e estavam presentes nos chimpanzés, descobrindo que essas sequências eram quase exclusivamente parte de regiões não codificantes do genoma. Escolheram duas delas cuja ausência nos humanos pensaram poder ser interessante, uma de perto de um gene receptor de androgénio (AR) e outra de perto de um gene envolvido na supressão de tumores (GADD45G).

 

Inserindo as sequências de chimpanzé em embriões de rato revelaram que as antigas sequências produziam tanto os espinhos penianos como os bigodes sensoriais presentes em alguns animais. A última sequência funcionava como uma espécie de travão ao crescimento de certas regiões cerebrais específicas, com a remoção da sua função a parecer ter aberto caminho para a evolução do grande cérebro humano.

"O objectivo do projecto era descobrir lesões moleculares que estivessem por trás de características evolutivas humanas, com os exemplos a ilustrar diferentes aspectos do princípio", diz Kingsley.

"Até que analisámos onde o DNA era expresso, não tínhamos nenhuma ideia que desencadeador, se algum, realmente o controlava" acrescenta Bejerano.

Outros biólogos moleculares elogiaram o trabalho pela sua abordagem inteligente e consideram que abrirá novos caminhos de pesquisa, particularmente para quem trabalha na evolução do cérebro humano.

"É um trabalho de detective e uma lembrança de que, no curso da evolução, a informação é tanto ganha como perdida", diz Sean Carroll, perito em genética animal e evolução na Universidade do Wisconsin, Madison.

"Tal como tantas vezes acontece com as boas ideias, parece óbvio à posteriori", diz Svante Pääbo, director do departamento de genética do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig, Alemanha, que fez parte da equipa que recentemente sequenciou o genoma de Neanderthal. "Dado que duas das quase 500 sequências apagadas que identificaram se revelaram interessantes, tenho a certeza de que várias outras na sua lista se revelarão interessantes também."

David Haussler, que estuda a evolução molecular do genoma humano na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, acrescenta que os nossos ancestrais terem perdido os espinhos penianos é uma vantagem para nós actualmente. "Casais de todo o mundo podem estar agradecidos que este segmento de DNA em particular tenha sido perdido."

 

 

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