2011-03-08

Subject: África (do sul) Minha

 

África (do sul) Minha

 

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@ NatureUma análise genética das populações de caçadores-recolectores modernos de África sugerem que os humanos evoluíram no sul do continente e não no leste, como até aqui se considerava.

O trabalho apresenta um grande desafio às evidências obtidas com dados antropológicos, pois todos os crânios dos primeiros humanos anatomicamente modernos foram encontrados no leste de África, e genéticos, pois todos os humanos do resto do mundo transportam um subconjunto de genes que se encontra especificamente no leste de África.

O último estudo, publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, foi liderado por Brenna Henn, geneticista na Universidade de Stanford na Califórnia. Ela usou kits de amostras de saliva para recolher amostras de DNA de tribos africanas raramente estudadas. A sua equipa trabalhou especificamente com as tribos Hadza e Sandawe da Tanzânia e os aborígenes Khomani da África do Sul.

Os investigadores compararam o DNA recolhido com amostras de tribos mais intensivamente estudadas, como os Masai do Quénia e da Tanzânia e os Yoruba da África ocidental. O DNA também foi comparado com o de um grupo com origem na Toscânia, Itália, para comparação.

Os investigadores analisaram polimorfismos de nucleótido único (SNP): variações menores na colocação de nucleótidos em sequências de DNA partilhadas pelas diferentes populações humanas. Por exemplo, numa sequência específica de DNA partilhada pelos povos tribais, uma adenina presente numa tribo pode ser substituída por uma citosina noutra.

Este tipo de diferença permitiu aos geneticistas calcular as relações e os momentos de divergência evolutiva, bem como a forma como grupos diferentes podem ser geneticamente semelhantes e considerar os níveis de diversidade genética.

Henn relata que a genética dos Khomani e dos aborígenes namibianos, dos Sandawe e dos pigmeus Biaka da República Centro Africana parece ser a mais diversa, e por isso a mais antiga, das que se podem encontrar nos humanos modernos.

"É tão importante ter mais informação sobre a genética das populações nestas tribos sub-representadas de África", diz Sarah Tishkoff, geneticista da Universidade da Pennsylvania em Filadélfia.

"Estes são dados muito mais desenvolvidos dos polimorfismos de nucleótido único dos grupos de caçadores-recolectores que alguma vez tivemos", diz Chris Stringer, antropólogo do Museu de História Natural de Londres.

 

A equipa usou as localizações geográficas dos diversos grupos de pessoas para determinar onde os humanos terão emergido pela primeira vez.

Os investigadores salientam que que enquanto os pigmeus Biaka vivem nas florestas tropicais da África central e os Sandawe na África oriental, tanto os Khomani como os aborígenes namibianos vivem no sul de África. Esta geografia, quando combinada com os dados genéticos de outras populações, levou a equipa a sugerir o sul de África como ponto de origem.

Esta sugestão está a criar muita discordância. 

"As populações africanas têm histórias demográficas complexas e não há nenhuma razão a priori para acreditar que as populações evoluíram in situ nas regiões onde estão actualmente. Alguns podem ter migrado de outras regiões", diz Tishkoff.

"Eu ficaria mais cautelosa acerca da localização da origem", diz Stringer. "Os territórios dos povos estudados neste grupo são actualmente bastante limitados mas ao olharmos para as pinturas rupestres, muitas estão associadas aos aborígenes e indicam que em tempos estiveram mais espalhados", diz ele.

Diferentes populações na África antiga terão provavelmente contribuído com vários genes e comportamentos para os humanos modernos, diz Stringer. "Não penso que haja um único Jardim do Éden onde tudo tenha contecido."

Henn admite que a migração pode certamente ser uma possibilidade mas contrapõe que quando uma população migra apenas um subconjunto se desloca para uma nova área e esse subconjunto é menos diversificado geneticamente que a população-mãe. Ela defende que se um grupo tivesse deixado a África oriental para a zona sul seria de esperar que houvesse menos diversidade no sul e "não é isso que encontramos nos dados", diz ela.

Quanto à razão porque os estudos genéticos mostram que todos os humanos modernos transportam DNA do lese africano e não do sul, Henn sugere que é apenas porque a genética do sul ainda não recebeu atenção suficiente. "Muitos grupos africanos, especialmente aqueles da zona sul, foram muito mal estudados do ponto de vista genético."

 

 

Saber mais:

Brenna Henn

Sarah Tishkoff

Chris Stringer

 

 

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