2011-03-03

Subject: Como os tumores resistem à quimioterapia

 

Como os tumores resistem à quimioterapia

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NaturePotentes medicamentos de quimioterapia como o Taxol (paclitaxel) levam as células cancerígenas a autodestruir-se mas alguns tumores sobrevivem teimosamente ao tratamento.

Dois estudos identificaram agora de forma independente um gene que está por trás de pelo menos parte desta resistência. A descoberta pode ajudar os oncologistas a prever que pacientes têm maior probabilidade de reagir ao Taxol e a medicamentos com acção semelhante, para além de assinalar novos objectivos para a terapia do cancro.

O Taxol pertence a uma classe de medicamentos de quimioterapia que actua ligando-se à tubulina, uma proteína crucial do citosqueleto. Células tratadas com medicamentos anti-tubulina "tentam dividir-se mas não conseguem", diz Ingrid Wertz, bióloga molecular na companhia de biotecnologia Genentech, sediada em San Francisco, Califórnia

As células cancerígenas que reagem ao Taxol eventualmente morrem mas outras resistem ao tratamento. Em 2007, Wertz questionou-se porquê e a sua equipa descobriu que nas células que reagem, os níveis de uma proteína em particular, a MCL1 (parte de uma família de proteínas já conhecida por afectar o ciclo celular), eram acentuadamente inferiores imediatamente a seguir ao tratamento com Taxol (e outro medicamento anti-tubulina, vincristina). Outras experiências mostraram que uma proteína conhecida por combater o cancro, a FBW7, estava a destruir a MCL1.

Defeitos no gene da proteína FBW7 já tinham sido associados a uma variedade de cancros, incluindo o da mama e do cólon. Wertz considerou que a sua ausência podia levar aos altos níveis de MCL1 e explicar a razão porque algumas células cancerígenas não morriam quando tratadas com medicamentos anti-tubulina.

E com certeza, os investigadores observaram que as células cancerígenas do ovário e do cólon com mutações no gene FBW7 tinham níveis superiores da proteína MCL1 e eram mais resistentes aos medicamentos anti-tubulina que as células com cópias funcionais do gene.

Entretanto, Wenyi Wei, biólogo molecular do Centro Médico Beth Israel Deaconess de Boston, Massachusetts, também estavam a estudar os efeitos da FBW7. O grupo de Wei focou-se numa doença em particular, a leucemia linfoblástica aguda das células T (T-ALL), em que se estimava que 30% dos casos contivessem células com mutações FBW7.

Estas células tinham altos níveis de outras proteínas que normalmente induzem a morte celular e ainda assim não morriam. A pesquisa de Wei sobre a razão dessa situação conduziu-o à mesma explicação: sem a proteína FBW7 as células não degradam a MCL1, um passo necessário à sua morte. "Abordámos a questão a partir de pontos opostos mas chegámos à mesma conclusão", diz Wertz, "o que foi muito fixe."

 

Wei também descobriu uma ligação à resistência aos medicamentos. Expôs células T-ALL a ABT-737, um medicamento experimental descoberto pela companhia americana Abbott, de Abbott Park, Illinois (uma nova versão, ABT-263, está agora na fase II dos testes clínicos). Este medicamento não ataca a tubulina mas mata bloqueando outras proteínas que promovem a sobrevivência celular. 

Mais uma vez, as células com a mutação FBW7 e altos níveis de MCL1, são menos sensíveis ao medicamento mas os investigadores encontraram uma forma de resolver este problema: tratar as células com um agente chamado sorafenib, que baixou os níveis de MCL1 e restaurou a sensibilidade das células ao medicamento experimental.

Os estudos sugerem que os oncologistas podem ser capazes de adequar os seus tratamentos dependendo do facto de os seus pacientes apresentarem um gene FBW7 mutado nas suas células cancerígenas. "Penso que tem implicações potenciais para qualquer cancro em que os agentes anti-microtúbulos são utilizados", diz Wertz.

Ainda assim, há outras formas de resistência ao Taxol e medicamentos semelhantes. As células cancerígenas podem conter tubulina mutada, o que significa que os medicamentos anti-tubulina não se ligam logo à partida, ou podem conter bombas proteicas extra que permitem às células eliminar rapidamente os medicamentos de quimioterapia. Anthony Letai, oncologista do Instituto do Cancro Dana-Farber de Boston, diz que a importância da via da MCL1 na resistência aos medicamentos provavelmente varia dependendo do tipo de cancro.

"Tal como com qualquer estudo, não sabemos até que ponto é generalizado para além destas linhagens celulares", diz Letai. "Há provavelmente muitas linhagens celulares em que estes efeitos não são observáveis." O truque, acrescenta ele, será descobrir que cancros seguem este modelo.

Hayley McDaid, bióloga do cancro da Faculdade de Medicina Albert Einstein de Nova Iorque, sugere a análise de espécimes arquivados de pacientes com cancro tratados com medicamentos do tipo Taxol. Se o modelo de Wertz se aguentar, os investigadores deverão encontrar uma correlação entre a presença da FBW7 e a resposta ao Taxol.

 

 

Saber mais:

Medicamento para osteoporose pode curar cancro da mama

Drosophila ajuda na compreensão do cancro

Proteína do cancro da mama finalmente purificada

Células imunitárias construídas combatem cancro da próstata

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2011


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com