2011-03-02

Subject: Traças diversificam-se sem mudar de dieta

 

Traças diversificam-se sem mudar de dieta

 

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@ NatureHá milhares de espécies de traças e borboletas, para deleite dos lepidopterólogos de todo o mundo. 

A explicação mais popular para a sua exuberante diversidade é a coevolução: à medida que as plantas desenvolvem defesas contra as esfomeadas lagartas, cada espécie de lepidóptero desenvolve truques para contornar as defesas de uma dada planta ou passa a uma nova.

Assim, potencialmente poderiam existir tantas espécies de traças e borboletas como de plantas, e há centenas de milhares de espécies de plantas, mas uma nova análise de uma família antiga de traças sugere que essa 'especiação ecológica' não é a história toda.

Yume Imada, da Universidade de Kyoto, viajou por todo o arquipélago japonês recolhendo traças da família Micropterigidae e identificando as hepáticas de que se alimentam. 

Ela comparou o DNA das traças e construiu a árvore filogenética que representa as suas relações de parentesco mais prováveis. Descobriu que 25 espécies de traça tinham divergido a partir de um ancestral comum entre há 35 a 15 milhões de anos e todas se alimentavam da mesma espécie de hepática, a Conocephalum conicum, e parecem ter o mesmo nicho ecológico. As suas descobertas surgem na última edição da revista Proceedings of the Royal Society B.

É possível que haja algo subtilmente diferente nos nichos ecológicos das diferentes espécies de traça mas não pode ser a planta hospedeira, a variável ecológica mais óbvia, e todas as traças vivem em microhabitats húmidos e ricos em briófitas.

Mais provável, dizem os investigadores, é que as traças tenham sofrido especiação tornando-se geograficamente isoladas, o que os biólogos chamam especiação alopátrica. As traças são más voadoras e as populações ficam mais ou menos encalhadas nos ambientes ribeirinhos húmidos em que vivem. Ao longo do tempo, as populações isoladas podem acumular diferenças suficientes para se tornarem espécies diferentes.

A especiação alopátrica tem sido algo negligenciada na excitação com a especiação ecológica, considera Tommi Nyman, da Universidade da Finlândia Oriental em Joensuu. Nyman mostrou que outro grupo de insectos, os himenópteros, também tem tendência para especiar sem mudar de nicho. "É muito mais excitante quando descobrimos especiação ecológica, tem havido um enorme foco sobre ela. Há uma tendência para esquecer que haverá montes de casos de especiação normal, alopátrica, que tende a ser algo aborrecida."

 

Nyman acha que em insectos que se alimentam de plantas, algures entre os 20% e os 50% da especiação deverá ser alopátrica.

Imada e a sua equipa sugere que espécies que actualmente se especializam em diferentes hospedeiros não especiaram necessariamente por ter passado a nichos ecológicos diferentes. "Um cenário possível é que um estádio inicial de especiação alopátrica tenha sido seguido, ou acompanhado, de pequenas divergências na escolha de hospedeiro", diz ela. Esse cenário poderia ajudar a explicar porque insectos fortemente aparentados frequentemente se especializam em plantas fortemente aparentadas. O género Ectoedemia, por exemplo, contém 26 espécies cujas larvas todas atacam as folhas de várias espécies de carvalho.

Charles Mitter, entomólogo da Universidade do Maryland em College Park, concorda que é tempo de ir para além do entusiasmo inicial com a especiação ecológica. "Estamos no início de uma nova fase nos estudos de evolução de insectos e plantas. A questão já não é se a especiação ecológica acontece mas quando acontece, com que frequência e porque razão."

Para responder a essas questões, diz Mitter, os investigadores terão que ir para o campo e obter o tipo de dados detalhados que Imada recolheu. "Muitos de nós gostamos de ficar à secretária a compilar dados da literatura para obter as respostas, este é um dos poucos grupos que que andou de gatas sobre rochas escorregadias para recolher dados sobre o ciclo de vida dos insectos."

 

 

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