2011-02-27

Subject: Rãs voltam a ter dentes

 

Rãs voltam a ter dentes

 

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@ National Geographic

Dentes nas mandíbulas inferiores das rãs voltaram a evoluir após uma ausência de 200 milhões de anos, revela um novo estudo agora conhecido. A descoberta desafia um pilar do pensamento evolutivo, de acordo com os peritos.

Das mais de seis mil espécies de rãs, apenas uma, a rã arborícola marsupial da América do Sul Gastrotheca guentheri, tem dentes tanto na mandíbula superior como inferior. A maioria das rãs apenas tem dentes minúsculos na mandíbula superior.

Uma nova análise da árvore filogenética das rãs revela que o ancestral comum a todas as rãs, que tinha dentes no maxilar inferior, os terá perdido há mais de 230 milhões de anos antes de se extinguir.

A rã marsupial G. guentheri não tinha dentes inferiores e de repente "bang, há cerca de 5 a 15 milhões de anos, ganhou-os ... ", refere John Wiens, autor de um estudo recente sobre o fenómeno.

A descoberta vai contra o princípio conhecido por lei de Dollo, que considera que as estruturas físicas perdidas durante o processo evolutivo nunca voltam a ser recuperadas, explica Wiens, biólogo evolutivo na Universidade Stony Brook em Nova Iorque.

De facto, o reaparecimento dos dentes pode ter exposto a falha da lei: "é muito mais simples voltar a desenvolver certas coisas se já as estamos a fazer noutro local", diz Wiens. Por outras palavras, a rã "não teve que formar dentes na mandíbula inferior a partir do zero pois já os está a formar na mandíbula superior."

De modo geral, a perda de estruturas complexas é comum na evolução. Homens e rãs perderam as caudas, a maioria das cobras perdeu membros inteiros e as aves e as tartarugas perderam dentes. Mas nos últimos oito anos mais estudos descobriram evidências de que estas características avançadas voltam a aparecer, por exemplo, asas em insectos-pau e dedos em lagartos.

Neste estudo, Wiens usou métodos estatísticos para traçar a evolução dos dentes na árvore filogenética de 170 espécies de anfíbios até ao ancestral comum das rãs. Os cientistas usaram uma combinação de dados, incluindo sequências de DNA de rãs actuais e fósseis.

 

Uma teoria alternativa considera que os dentes da mandíbula inferior se perderam em centenas de outras rãs mas não em G. guentheri. "Não é impossível mas é muito mais provável que os dentes se tenham perdido uma vez e recuperado uma vez", diz Wiens, cujo estudo foi publicado na revista Evolution.

Gunter Wagner, biólogo evolutivo da Universidade de Yale, refere que, de todas as recentes pesquisas que questionam a lei de Dollo, "esta é provavelmente a que é menos questionável."

Parte dela foi sorte, salienta ele: Wiens descobriu um animal que está suficientemente isolada na árvore filogenética para que os resultados sejam fortes e "inatacáveis", diz Wagner, que não esteve envolvido no estudo. "É um caso muito claro de reaquisição de uma estrutura morfológica complexa, o que, segundo o pensamento corrente, não devia ser possível.

Menos óbvia, no entanto, é razão porque os dentes terão reaparecido, concordam ambos os investigadores.

Em muitas rãs, os dentes não são cruciais pois geralmente dependem mais das suas línguas do que dos dentes para capturar insectos, comenta Wiens, mas para algumas espécies carnívoras, incluindo um grupo conhecido por rãs Pac-Man, os dentes são mais importantes. Estas rãs têm dentes tipo presa no maxilar superior e em alguns casos desenvolveram espinhos tipo dente na mandíbula inferior. Estes, no entanto, ao contrário do que acontece com a G. guentheri, não são verdadeiros dentes.

O facto de as estruturas do tipo dente surgirem mais frequentemente do que os verdadeiros dentes significa que a evolução do dente não surge automaticamente quando a necessidade surge, salienta Wagner.

Com isso em mente, a selecção natural não é o suficiente para explicar a razão porque a rã arborícola marsupial recuperou os seus dentes inferiores. "Posso dizer com confiança que não sabemos", diz Wagner. "É uma questão extremamente interessante."

 

 

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