2011-02-20

Subject: Estados Unidos e lobos cinzentos: abater ou não abater

 

Estados Unidos e lobos cinzentos: abater ou não abater

 

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@ NatureRobert Millage tinha ouvido os lobos uivarem no dia anterior por isso sabia onde esperar.

Com o nascer do sol os uivos recomeçaram e ele emitiu o seu chamamento de caça, um som semelhante ao de um coiote aflito. 

Quinze minutos depois, uma loba com dois anos chegou à clareira. "Não se tem muito tempo para pensar", diz Millage, agente imobiliário de Kamiah, Idaho. Levantou a sua espingarda e disparou. "Ela caiu logo ali."

A caçada de Millage foi em Setembro de 2009, poucos meses após a maioria dos lobos da costa ocidental dos Estados Unidos ter sido retirada da lista americana de espécies ameaçadas.

A decisão foi tomada no quadro da Acta das Espécies Ameaçadas mas revogada por um juiz federal. Agora, os decisores estão a tentar voltar a retirar os lobos da Acta legislativamente, contornando tanto a Acta como, temem os biólogos conservacionistas, a ciência.

As tentativas de remover o lobo da lista de protecção pela segunda vez surgiram em resposta a uma decisão de um tribunal federal de Agosto de 2010 onde se afirmava que os lobos da Montanhas Rochosas do norte deviam ser novamente colocados na lista de espécies a proteger.

O Serviço Americano de Pesca e Fauna Selvagem tinha retirado os lobos da lista em todos os estados excepto o Wyoming, que tinha prometido permitir aos seus residentes abater os canídeos à vista em vez de ter uma estação de caça regulamentada como os outros estados. Mas o juiz referiu que a acta tinha que ser aplicada à população como um todo, sem que houvesse excepções para alguns estados.

A decisão do tribunal não caiu bem nos estados ocidentais. Em alguns deles, como Idaho, Montana e Utah, muitas pessoas sentem-se rodeadas de lobos, que consideram uma ameaça para si e para o gado. "Os habitantes das zonas rurais foram espezinhados, sentimos que não somos mais do que uma enorme experiência para os feds", diz Millage.

Assim, os membros do congresso tentaram contornar a por vezes morosa Acta das Espécies Ameaçadas simplesmente aprovando uma lei que retira os lobos da lista.

Apesar de nenhuma espécie ter sido retirada com sucesso da lista desta forma, já houve tentativas para retirar os lobos nos últimos dias do centésimo décimo primeiro congresso, tanto a partir de republicanos como de democratas, mas a lei nunca foi aprovada.

Agora, os senadores democratas Max Baucus e Jon Tester, do Montana, propuseram outra lei para a retirada da lista e a reaplicação da regra da retirada de 2009 foi anexa a uma 'resolução de continuidade' dos republicanos de 11 de Fevereiro, que manterá o governo federal até que o orçamento de 2011 seja aprovado. Se a emenda passará a lei ainda está para ser visto.

 

"Há uma ameaça real de que esta legislação passe", diz Noah Greenwald, director do programa de espécies ameaçadas do Center for Biological Diversity de Portland, Oregon. "Da nossa perspectiva seria um precedente terrível, acreditamos que é uma decisão científica que deve ser tomada pela agência."

O secretário do interior Ken Salazar tem-se mostrado tolerante para com os estados que consideram ter um problema com os lobos. Ele assinou a remoção da lista em 2009 e, em Novembro de 2010, encontrou-se com os governadores do Idaho, Montana e Wyoming, referindo "fico satisfeito que os governadores partilhem o nosso objectivo de retirar a espécie da lista de protecção com uma abordagem responsável e guiada pela ciência". Ele também está interessado em remover a protecção a uma população de lobos que tem sido gerida de forma isolada em estados como o Michigan, Minnesota e Wisconsin, que também pretendem ter o direito de gerir as suas populações de lobos.

Entretanto, os estados continuam a ter esperança de que a lei da remoção surja. "Estamos a trabalhar com afinco com a nossa delegação ao congresso para obter uma solução legislativa", diz Jon Hanian, porta-voz do governador do Idaho. "Fiquem atentos."

Qualquer legislação desse tipo terá que avançar sem a ajuda do próximo secretário do comité dos recursos naturais, o congressista republicano Richard "Doc" Hastings. O seu secretário de imprensa diz que a Acta das Espécies Ameaçadas e assuntos relacionados "não prioridade" para Hastings e que a questão dos lobos deverá ser resolvida internamente pelos estados.

Os tribunais também vão andar ocupados com os lobos. Greenwald diz que apesar dos habitantes do Idaho puderem sentir-se enterrados em lobos, à falta de lobos a nível nacional. O Center for Biological Diversity e outros grupos conservacionistas tencionam processar o Departamento do Interior, que gere a Acta das Espécies Ameaçadas, em Março por por não ter produzido um plano unificado de recuperação para o lobo cinzento.

Os lobos da costa ocidental estão abrangidos pelo Plano de Recuperação do Lobo das Montanhas Rochosas do Norte de 1987, vestígio do tempo em que pensava que os lobos cinzentos americanos eram compostos por uma série de subespécies, mas não abrange os restantes lobos do país.

Para além disso, Greenwald que os cientistas actuais provavelmente apelariam a muito mais do que o actual objectivo do plano, que era salvar 300 lobos em toda a costa ocidental. "Aprendemos muito mais sobre os lobos e a sua viabilidade populacional desde a década de 80", diz ele.

 

 

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