2011-02-11

Subject: Sexo e violência interligados no cérebro

 

Sexo e violência interligados no cérebro

 

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Sexo e violência estão interligados nos ratos. Um pequeno grupo de células bem no interior do cérebro do macho determina se o animal luta ou acasala e há boas razões para para acreditar que um circuito semelhante exista em humano.

O estudo, publicado na revista Nature, mostra que quando estes neurónios estão sossegados os ratos ignoram machos intrometidos que atacariam noutras circunstâncias. No entanto, quando as células são activadas, os ratos atacam objectos inanimados e até as fêmeas que deviam cortejar.

As células localizam-se numa área d hipotálamo com associações conhecidas ao comportamento violento. Um choque eléctrico na sua vizinhança torna os gatos e os ratazanas violentos mas experiências neurofisiológicas realizadas há décadas estimulavam uma área demasiado grande para que se pudesse identificar os circuitos cerebrais, quanto mais neurónios individuais, envolvidos na agressão.

Mais recentemente, os cientistas que estudam ratos modificados geneticamente para não expressar genes específicos descobriram que alguns deles agem de forma mais agressiva do que animais normais. "Não sabemos realmente que parte do cérebro está a funcionar mal nesses ratos, logo é complicado compreender esse comportamento", diz Dayu Lin, neurocientista da Universidade de Nova Iorque e um dos autores do estudo, que começou a procurar a localização da agressão em ratos quando trabalhava com David Anderson no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. Mas ao contrário do que acontece com gatos e ratazanas, dar um choque ao hipotálamo de um rato macho não o torna mais belicoso. 

Para compreender que outras áreas podem estar implicadas no comportamento violento, Lin e Anderson expuseram ratos macho a sucessivos encontros com outros machos intrusos e fêmeas. Seguidamente examinaram as áreas do cérebro activadas pelos encontros marcando neurónios com uma fluorescência que identifica células recentemente activas. Surpreendentemente, os neurónios do hipotálamo ventromediano (VMH) foram activadas durante as lutas mas também durante o sexo.

Perplexa, a equipa implantou nos machos eléctrodos capazes de medir células individuais desta área e observaram o que acontecia quando os ratos lutavam ou acasalavam. A maioria dos neurónios dispararam especificamente durante o sexo ou surtos violentos mas um punhado disparou simultaneamente em ambos estes comportamentos aparentemente opostos.

A seguir infectaram os neurónios desta região com um vírus que insere um gene que torna os neurónios reactivos à luz azul, uma técnica chamada optogenética. Com um implante de fibra óptica no cérebro destes ratos, Lin e Anderson podiam disparar esses neurónios quando queriam.

 

Quando o fizeram, os ratos macho não demoravam a atacar os machos intrusos. A activação dos neurónios do centro de agressão também resultavam em ataques a animais castrados (geralmente ignorados pelos machos normais), bem como a animais anestesiados e até a luvas de laboratório infladas. 

Com estes neurónios activados os machos atacavam as fêmeas (veja o vídeo) mas apenas até certo ponto. Quando os machos encontravam a fêmea pela primeira vez, a activação desses neurónios colocava-os em modo de ataque, no entanto, se o sexo já tivesse sido iniciado os investigadores já não conseguiam induzir o ataque. No entanto, activar o circuito da agressão após o coito provocava um rápido ataque à fêmea.

Acalmar o centro de agressão também impedia os ratos de ter impulsos violentos. Os animais que expressavam o gene que silenciava os neurónios não atacavam os machos intrusos, apesar dos seus impulsos sexuais permanecerem intactos.

Lin e Anderson colocaram a hipótese de que a ligação dos circuitos cerebrais relacionados com o sexo e a violência podem ajudar os ratos a responder apropriadamente a intrusos, sejam machos ou fêmeas. Os neurónios activados pelo sexo, sugerem eles, suprimem a ânsia de atacar fêmea desconhecida.

"Há necessidade de proteger o seu território contra um intruso macho e uma necessidade de ter sexo com invasores femininos e isto ficou marcado nos circuitos do cérebro", diz Clifford Saper, neurocientista da Escola Médica de Harvard de Boston, Massachusetts. "É a forma de os animais protegerem o seu território de forma a terem espaço que permita alimentar a descendência."

Os mesmos circuitos existem provavelmente em humanos também, diz Newton Canteras, neurocientista da Universidade de São Paulo. Estimulação eléctrica em profundidade associou o VMH ao comportamento defensivo, como ataques de pânico, e a região deve estar associada à agressão, diz ele.

"Penso que há todas as razões para pensar que isto pode ser verdade em humanos", diz Anderson. O hipotálamo é uma das regiões mais antigas do cérebro e a região também está associada a agressividade em macacos.

Talvez, diz Anderson, o circuito cerebral que a sua equipa identificou possa entrar em curto-circuito em alguns criminosos sexuais violentos. "Talvez nesses indivíduos haja algum tipo de má ligação nestes circuitos do cérebro e os impulsos violentos e sexuais são sejam devidamente segregados."

 

 

Saber mais:

Composto acalma ratos violentos

 

 

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