2011-02-07

Subject: Aves de Chernobyl têm cérebros pequenos

 

Aves de Chernobyl têm cérebros pequenos

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ BBC & Marek Szczepanek

As aves que vivem em redor da zona do acidente nuclear de Chernobyl têm cérebros 5% mais pequenos, um efeito directamente associado à permanência da radiação de fundo.

A descoberta surge de um estudo realizado com 550 aves pertencentes a 48 espécies diferentes que vivem na região e agora publicado na revista PLoS One. 

A dimensão do cérebro era significativamente inferior nos juvenis quando comparados com aves mais velhas. A menor dimensão do cérebro pensa-se que esteja associada a uma capacidade cognitiva reduzida.

A descoberta foi feita por uma equipa de investigadores noruegueses, franceses e americanos, liderados por Timothy Mousseau, da Universidade da Carolina do Sul, e por Anders Moller, da Universidade de Paris-Sud, França.

Em Abril de 1986, o reactor número quatro da central nuclear de Chernobyl explodiu. Após o acidente vestígios de depósitos radioactivos foram encontrados em praticamente todos os países do hemisfério norte.

@ BBC

Uma zona de exclusão foi estabelecida em volta do local do acidente mas os cientistas têm recebido autorização para avaliar o impacto da radiação sobre a ecologia da região.

No ano passado, Moller e Mousseau publicaram os resultados do maior censo da vida selvagem do seu tipo realizado em Chernobyl, que revelou que os mamíferos estão em declínio na zona de exclusão em volta da central nuclear.

A diversidade de insectos também caiu e, anteriormente, os mesmos investigadores tinham encontrado uma forma de prever que espécies tinham maior probabilidade de serem severamente atingidas pela contaminação radioactiva, avaliando com que frequência renovam partes do seu DNA.

 

No seu último estudo, os cientistas usaram redes finas para recolher aves de oito localizações na floresta em redor de Chernobyl em que tinham observado um declínio no número de animais maiores e pequenos invertebrados.

Depois de controlar para as diferenças entre espécies, descobriram que as aves tinham cérebros 5% menores, em média, quando comparados com aves que não tinham sido expostas a radiação de fundo.

O efeito era mais pronunciado em aves mais jovens, particularmente aquelas com menos de um ano de idade, o que sugere que muitos embriões não sobreviveram de todo, devido aos efeitos negativos sobre o cérebro em desenvolvimento.

As aves sob stress são capazes de alterar a dimensão de alguns dos seus órgãos para sobreviverem a condições ambientais difíceis. Por exemplo, as aves em migração que viajaram grandes distâncias reduzem frequentemente certos órgãos para poupar energia mas o cérebro é o último órgão a ser sacrificado dessa forma, dizem os cientistas.

Isso sugere que a radiação de fundo pode estar a ter um efeito ainda mais pronunciado sobre os restantes órgãos das aves, ainda que não seja claro qual o mecanismo que está a encolher os cérebros dos animais.

Os altos níveis de radiação de fundo provocam stress oxidativo nos animais, de forma a terem que utilizar antioxidantes presentes no seu corpo para combater os seus efeitos negativos. Isso deixa os animais expostos à radiação gravemente carentes em antioxidantes e o reduzido tamanho do cérebro pode ser o resultado dessa carência.

@ BBCPor outro lado, a radiação pode causar erros de desenvolvimento na forma como o cérebro cresce. No entanto, se esse fosse o caso, os cientistas dizem que esperariam ver alterações pronunciadas na dimensão e forma de outras partes do corpo das aves.

Outra possibilidade é que as aves se estejam a desenvolver menos bem por terem menos presas invertebradas disponíveis para se alimentarem mas os cientistas não conhecem nenhum exemplo de cérebros de um animal selvagem ter encolhido devido a falta de alimento. 

 

 

Saber mais:

Zona de Chernobyl revela redução de biodiversidade

Dúvidas acerca da recuperação da vida selvagem de Chernobyl

Greenpeace rejeita relatório sobre Chernobyl

Ecossistemas de Chernobyl espantosamente saudáveis

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2011


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com