2011-02-06

Subject: Nova Zelândia regista colapso de biodiversidade

 

Nova Zelândia regista colapso de biodiversidade

 

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@ BBCOs cientistas da Nova Zelândia dizem que estabeleceram uma relação entre o declínio de um ecossistema arbustivo vulgar e a extinção local de duas aves polinizadoras há mais de um século.

Eles dizem que o desaparecimento de duas espécies de aves (o bellbird Anthornis melanura e o stitchbird Pogonornis cincta) da zona mais a norte da Ilha do Norte do país levou a um lento declínio em plantas vulgares, incluindo a gloxínia da Nova Zelândia.

Os ratos dos navios e os arminhos Mustela erminea importados para o país por volta de 1870 são os culpados pelo desaparecimento das aves e os investigadores alegam que o estudo, publicado na última edição da revista Science, oferece uma rara prova experimental da degradação de um ecossistema local.

A gloxínia da Nova Zelândia Rhabdothamnus solandri é um esguio arbusto da floresta, cresce em zonas sombrias, onde atinge cerca de 2 metros e produz uma flor tubular laranja. Depende de três espécies de aves para a realização da polinização, os bellbird, os stitchbird e o tui.

Ainda que a última espécie pareça agora alimentar-se a níveis mais altos na copa da floresta, as primeiras duas desapareceram da parte superior da Ilha Norte no final do século XIX. Pensa-se que foram dizimadas por ratos trazidos pelos navios ou pelos arminhos introduzidos posteriormente para controlar a população local de coelhos.

@ BBCOs investigadores quiseram observar o impacto sobre a gloxínia da Nova Zelândia do desaparecimento destas populações de aves e comparar a situação da ilha principal com a de três ilhas próximas transformadas em santuários de aves, onde as espécies permanecem abundantes.

O que descobriram foi que as taxas de polinização foram vastamente reduzidos na ilha principal, com a uma produção de sementes por flor 84% inferior quando comparada com a das ilhas.

Ainda que esta situação ainda não se tenha manifestado em pleno na densidade das populações de gloxínias na ilha principal, os investigadores descobriram 55% menos plantas juvenis por cada planta adulta na ilha principal quando comparada com as ilhas.

Os investigadores também puderam quantificar com que frequência as aves visitavam a planta, já que as aves deixam marcas distintas na flor quando se alimentam do néctar.

 

"Esta planta está metida em sarilhos mas é um desastre em câmara lenta", diz Dave Kelly, da Universidade de Canterbury, que liderou a pesquisa. "Não tem sido bem polinizada desde há 140 anos, ou seja, desde que estas aves desapareceram da Ilha Norte. Nesse espaço de tempo não tem havido plantinhas suficientes a vingar pelo que a espécie está suavemente a desaparecer."

Não é apenas a gloxínia que está a sentir os efeitos do desaparecimento destas aves. Estima-se que 49% de todas as aves terrestres da Nova Zelândia se perderam, dizem os investigadores, e as consequências disso serão muito superiores às delineadas neste estudo.

Um censo recente de todas as plantas polinizadas por aves do país descobriram apenas uma fracção a ser polinizada normalmente. Espécies de azevinho ameaçadas já foram associadas ao declínio das espécies de aves.

"Certos tipos de azevinho têm flores grades e vermelhas e são muito vulgares nas ilhas Sul e Norte", diz Kelly. "Os botões amadurecem e enviam um sinal de cor mas não abrem até que uma ave chegue e aperte o topo do botão. Se isso não acontecer a planta não é polinizada e parece que estas aves nativas são as únicas que conhecem o truque para abrir as flores."

@ BBC Stephen Hopper, director dos Royal Botanic Gardens em Kew, refere que o trabalho é uma elegante peça de investigação que "salienta os efeitos em cascata da extinção".

Ele não ficou surpreendido com o desfasamento entre o desaparecimento das aves e o efeito na flora.

"Observamos muitas vezes estes desfasamentos com plantas. Neste caso trata-se de plantas lenhosas e sabemos muito pouco sobre a sua longevidade. Em alguns casos podemos ver árvores enormes na paisagem e assumir que tudo está bem, quando na verdade deixaram de se reproduzir."

Ele considera que os eventos que podem desencadear estes colapsos ecológicos são muitos e variados, desde a introdução de espécies exóticas, como na Nova Zelândia, ao abate das florestas e às alterações climáticas. 

 

 

Saber mais:

IUCN

 

 

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