2011-02-02

Subject: Um lobo em pele de chacal

 

Um lobo em pele de chacal

 

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@ Oxford University/WildCRUA análise de DNA mostrou que o chacal do Egipto, que antes se acreditava ser uma subespécie do chacal dourado, é afinal aparentado com o lobo cinzento.

A informação genética mostra que a espécie Canis aureus lupaster é mais fortemente aparentada com os lobos indianos e himalaicos do que com os chacais dourados. 

Escrevendo na última edição da revista Plos One, os investigadores, que rebaptizaram a espécie como "lobo africano", referem que esta é a única espécie de lobo cinzento encontrada em África. Por esse razão, apelam a uma urgente avaliação do seu estatuto de conservação.

Há muito que corre o debate sobre o animal é um chacal ou um lobo. No final do século XIX, o famoso biólogo evolucionista Thomas Huxley disse que o animal se parecia suspeitosamente com os lobos cinzentos Canis lupus.

Já no século XX, outros biólogos fizeram observações semelhantes após examinarem crânios de espécimes da espécie. No entanto, a sua classificação taxonómica permaneceu inalterada.

A equipa de investigadores da Noruega, Etiópia e Reino Unido explicaram porque decidiram focar a sua atenção sobre a espécie. "Durante um estudo de campo sobre o lobo da Etiópia no centro da Etiópia, notamos que alguns dos chacais dourados tinham uma aparência ligeiramente diferente dos chacais dourados de outros locais."

Eles acrescentam que os canídeos eram "maiores, mais esbeltos e por vezes com uma coloração mais esbranquiçada". Isto, combinado com uma fotografia obtida em 2004 na Eritreia que mostrava "um animal semelhante a um lobo" que se sugeria ser um chacal egípcio, levou a equipa a investigar os chacais dourados das terras altas e a sequenciar o seu DNA.

O co-autor Claudio Sillero, da Unidade de Investigação e Conservação da Vida Selvagem (WildCRU) da Universidade de Oxford, diz que foi "realmente entusiasmante" descobrir que o que pensavam ser o membro de uma espécie relativamente comum pode ser um animal pertencente a um grupo muitos mais surpreendente.

 

Ele acrescenta: "O que percebi do trabalho genético desenvolvido pelos nossos colegas noruegueses é que a consistência dos resultados encontrou semelhanças muito fortes com outras subespécies de lobo cinzento. Por essa razão estamos muito confiantes de que estamos a olhar para um taxon diferente."

Sillero explicou que o próximo passo será trabalhar para que a espécie seja reclassificada. "Tradicionalmente, far-se-ia uma descrição morfológica formal do espécime. No entanto, há a possibilidade de que possamos descrever a espécie apenas com material genético."

"Não o fizemos já neste artigo porque quisemos ver qual era a reacção das pessoas e as respostas têm sido fenomenais entre os colegas. Algures mais à frente penso que iremos fazer pressão para que seja reconhecido como uma espécie separada."

Até agora, sabia-se que o território do lobo cinzento se estendia até à península do Sinai mas não para a África continental. Presumia-se que o parente vivo mais próximo no continente era o ameaçado de extinção lobo da Etiópia Canis simensis, que se encontra apenas nas terras altas da Etiópia.

Sillero, que também é o presidente do grupo de especialistas em canídeos da União Internacional para a Conservação da Natureza, explicou que os investigadores encontraram exemplos da espécie em duas localizações nas terras altas, o que estendeu o território conhecido do Canis aureus lupaster pelo menos 2500 km para sudeste.

"Isto cria mais questões que respostas, como por exemplo, até onde no interior de África conseguiram ir?" Ele acrescenta que recentemente recebeu uma "fotografia intrigante", tirada no norte do Senegal. "Era a fotografia de um lobo, disso não há questão, mas nunca falámos de lobos no Senegal anteriormente. Este lobo está a conviver com um grupo familiar de chacais de dorso listrado, o que mostra que há aqui uma complexidade, não apenas na distribuição mas também na socialização."

 

 

Saber mais:

WildCRU

IUCN

 

 

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