2011-01-29

Subject: Oceano Árctico já sente o calor

 

Oceano Árctico já sente o calor

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureA água que flui para o oceano Árctico a partir do oceano Atlântico é hoje cerca de 2°C mais quente do que tem sido, pelo menos, nos últimos dois mil anos, segundo um estudo publicado na revista Science.

A descoberta vem somar-se à imagem do aquecimento das águas e do degelo do gelo marinho por toda a Terra e os investigadores sugerem que a subida da temperatura está associada à amplificação das alterações climáticas que ocorre no Árctico.

Robert Spielhagen, paleoceanógrafo no Instituto Leibniz de Ciências Marinhas de Kiel, Alemanha, focou a sua pesquisa no estreito Fram, que separa a Groenlândia e o arquipélago norueguês de Svalbard, que abriga o maior canal de água quente que flui para o Árctico. A corrente de águas quentes localiza-se 50 metros abaixo da superfície e atinge os amenos 6°C no Verão, bem mais quente que o frígido árctico, onde as águas superficiais atingem os -2°C.

Para avaliar as variações passadas da temperatura desta corrente, Spielhagen recolheu uma amostra com 46 centímetros de comprimento do fundo do mar. Analisaram a amostra em busca de plâncton de concha rija e compararam o número de espécies de plâncton que se sabe preferirem as geladas águas polares com o número daquelas que prefere os climas subpolares mais amenos. Também mediram a razão de magnésio/cálcio nas conchas do plâncton, dado que esta varia com a temperatura da água.

Como cada fatia com meio centímetro de sedimentos cobre uma ou duas décadas de história, os investigadores puderam detectar apenas as tendências gerais de temperatura mas ambas as técnicas sugerem que a temperatura de Verão da água era, em média, de 3,5°C desde o século I até 1850, momento em que subiu cerca de 2°C. O momento sugere que as alterações climáticas antropogénicas são a causa do aquecimento, consideram os autores.

 

"É mais um stick de hóquei", diz Joshua Willis, oceanógrafo do Laboratório de Propulsão a Jacto de Pasadena, Califórnia, referindo-se ao famoso gráfico em forma de stick de hóquei que mostra a subida acentuada da temperatura da atmosfera nas décadas mais recentes. "É mais uma peça de evidência que mostra que os últimos 100 anos têm sido anómalas."

"Não é realmente surpreendente, considerando o que temos visto da regressão do coberto de gelo e o aquecimento do Árctico ao longo dos últimos 100 anos", diz Spielhagen. A subida da temperatura na corrente proveniente do Atlântico nos últimos anos associa-se ao aumento em volume dessa água quente, salienta ele. Isto significa que provavelmente há uma grade dose de energia calorífica extra a atingir o Árctico, diz ele.

Spielhagen diz que esse calor extra está provavelmente a a contribuir para o derreter do gelo Árctico mas o oceanógrafo Ron Kwok, também do Laboratório de Propulsão a Jacto considera que não deve ser assim tão simples. Em teoria há calor suficiente na camada inferior de água quente e salgada do Árctico para derreter todo o gelo marinho, diz ele, mas este calor tem dificuldade em escapar para a superfície através das camadas superiores de água mais fria e menos salgada. 

O gelo árctico está certamente a recuar e a ficar mais fino, diz Kwok, mas não é claro se é o aquecimento da água ou do ar que o está a causar. "De que forma o calor atinge o gelo não é bem compreendido."

O estudo não ajuda a resolver discussões maiores sobre se e de que forma as principais correntes oceânicas estão a alterar o resultado das alterações climáticas. Alguns oceanógrafos sugeriram que o 'tapete rolante' que transporta água em redor do planeta, é o motor da Corrente do Golfo e mantém partes da Europa invulgarmente quentes, pode abrandar à medida que o gelo árctico derreter.

Willis foi recentemente co-autor de um artigo onde defendia que esta circulação é tão variável de ano para ano que simplesmente não há dados suficientes para detectar qualquer tipo de tendência. Os padrões de circulação oceânica são tão complicados, diz Willis, que é possível que o fluxo de entrada no árctico aumente ao mesmo tempo que o tapete rolante abrande, ou vice-versa.

 

 

Saber mais:

Jet Propulsion Laboratory

Leibnitz Institute of Marine Sciences

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2011


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com