2011-01-27

Subject: Expulsar espécies para salvar ecossistemas?

 

Expulsar espécies para salvar ecossistemas?

 

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@ NaturePoder-se-á impedir nove extinções acelerando uma extinção? 

Parece completamente contra-intuitivo mas dois modeladores de ecossistemas estão a propor que os conservacionistas podem, por vezes, ajudar um ecossistema em dificuldades removendo uma ou mais das suas espécies, e usando modelos para determinar o momento e a ordem dessas remoções.

As espécies que compõem um ecossistema estão interligadas em complexas teias alimentares. Quando uma das espécies desaparece, os seus predadores já não a podem comer e as suas presas já não são comidas, ou seja, alterações numa população afectam as outras. Essas cascatas de impacto podem ser imprevisíveis e por vezes catastróficas.

Sagar Sahasrabudhe e Adilson Motter, da Universidade Northwestern em Evanston, Illinois, mostraram que em vários modelos de teias alimentares, bem como em duas teias obtidas com dados derivados de ecossistemas reais (a baia de Chesapeake ao largo do Maryland e da Virginia e o vale Coachella no sul da Califórnia) a remoção ou a supressão parcial de uma ou mais espécies em momentos chave após um dos membros se ter extinguido salva os outros membros da teia da extinção local.

Os resultados do estudo foram publicados na última edição da revista Nature Communications.

A ideia depende do facto de as redes dos ecossistemas poderem passar para diferentes arranjos estáveis após perderem membros. "Os sistemas ecológicos são muito robustos na verdade", diz Motter. O famoso 'equilíbrio da natureza' talvez seja melhor compreendido como 'os múltiplos equilíbrios da natureza'. Mas a ordem das remoções é importante.

Remova-se A e depois B, por exemplo, e uma dada teia pode alterar a sua forma e manter todos os restantes membros mas remova-se B e depois A, no entanto, e a cascata de alterações conduz muitos dos outros membros à extinção.

Em teias muito simples, os impactos podem ser fáceis de seguir. Por exemplo, a remoção de um grande predador pode permitir a um predador de médio porte aumentar o seu efectivo e devorar até à extinção as suas presas menores. Neste caso, conter o efectivo do predador de médio porte impediria essas extinções.

Mas mesmo as teias pequenas podem conter complexidades que tornam a ordem da remoção para a estabilidade do ecossistema difícil de perceber. Motter gosta da história das raposas das ilhas Urocyon littoralis das ilhas Channel ao largo da Califórnia, que estão presentes no estudo. 

Quando os porcos ferais foram introduzidos nas ilhas, atraíram águias douradas, que se alimentavam tanto dos porcos como das raposas, levando à redução do seu efectivo. A remoção dos porcos teria deixado as raposas como única presa das águias, provavelmente condenando-as definitivamente. Por isso, pelo contrário, os conservacionistas capturaram e relocalizaram as águias e só depois erradicaram os porcos, permitindo a recuperação das raposas.

 

"As mesmas acções em momentos diferentes têm consequências muito diferentes", diz Motter.

Em teias mais complexas, as espécies chave que precisam de ser removidas ou suprimidas para evitar colapsos mais sérios não são intuitivamente claras mas, modelando uma variedade de teias alimentares através dos princípios ecológicos os ecologistas foram capazes de as encontrar e esperam que os algoritmos que criaram possam eventualmente identificar espécies no mundo real.

No entanto, os resultados apenas serão rigorosos se o ecossistema real for bem representado pelo modelo. Nos seus modelos de teias alimentares, Sahasrabudhe e Motter usaram modelos aceites de relações predador e presa mas uma representação mais elaborada de um ecossistema teria que incluir o parasitismo, dispersão de sementes, competição, mutualismo, dinâmica de nutrientes e outros. Para incluir esses detalhes complexos num modelo, os cientistas teriam primeiro que ir recolher informação no campo.

Quando os algoritmos apontam para uma espécie exótica como o alvo de remoção ou supressão, os conservacionistas não devem ter problema com a ideia mas se uma espécie nativo for o algo, isso irá contra os impulsos de muitos conservacionistas para proteger em vez de remover.

Neo Martinez, director da Laboratório Computacional de Ecologia e Ecoinformática em Berkeley, Califórnia, diz que as ideias de Sahasrabudhe e Motter são entusiasmantes mas o conservadorismo da conservação significa que não dependerão deles em exclusivo, pelo menos não para já. "Devido à falta de realismo, não incluímos tudo nestes modelos, ninguém vai tomar uma importante decisão de conservação apenas com base nestes modelos. Isso será daqui a muito tempo no futuro."

Mas daqui a muito tempo no futuro não é nunca. Martinez diz que enquanto há seis ou oito anos os ecologistas geralmente consideravam os ecossistemas demasiado complexos para ser modelados de forma produtiva, tal como mercado de acções, actualmente os modeladores estão a ganhar confiança.

Motter concorda. "A longo prazo, penso que teremos pessoas no campo a defender a supressão de espécies nativas." Ele salienta que os gestores de terras já o fazem, menos sistematicamente, desenvolvendo caça controlada de presas em áreas onde os predadores de topo foram removidos. Os impactos humanos são demasiado grandes na maioria dos ecossistemas, diz ele, para podermos ficar à espera que eles se consertem a si próprios. "Na presença de perturbações, é razoável considerar perturbações compensatórias."

 

 

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