2011-01-24

Subject: Fogos de carvão associados a extinção do Pérmico

 

Fogos de carvão associados a extinção do Pérmico

 

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@ NatureDe impactos de meteoritos a libertação de metano aprisionado no gelo, os culpados por trás do evento de extinção da fronteira entre os períodos Pérmico e Triássico, que devastou grande parte da vida na Terra há 250 milhões de anos, ainda têm que ser identificados mas agora mais um suspeito vem juntar-se a este alinhamento: cinzas aerotransportadas da queima de carvão.

Um estudo publicado na última edição da revista Nature Geoscience sugere que um desencadeador para a quase apocalíptica matança, que dizimou 96% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres, terá sido uma explosão vulcânica em depósitos de carvão e xisto na Sibéria. No espaço de dias, a cinza da erupção, escorrendo para o árctico canadiano, terá sugado o oxigénio da água e libertado elementos tóxicos.

Stephen Grasby, geoquímico do Geological Survey do Canadá em Calgary, Alberta, descobriu três camadas distintas de cinzas aerotransportadas ricas em carbono, partículas finas que são libertadas quando o carvão entra em combustão, em sedimentos rochosos depositados imediatamente antes da extinção do Pérmico-Triássico.

Os peritos há anos que dizem que os vulcões das Armadilhas Siberianas russas foram responsáveis pelo evento de extinção. Estas formações rochosas em forma de degrau surgiram por actividade vulcânica que ocorreu na mesma altura que a extinção em massa mas as erupções vulcânicas são tão comuns na história geológica que factores extra devem ter estado envolvidos.

Alguns investigadores, por exemplo, têm mencionado que a libertação de gases de uma explosão massiva terão lavado a alterações climáticas devastadoras que, por sua vez, conduziram às extinções em massa. Outros sugeriram que o carvão podia ter desempenhado esse papel.

A casualidade veio agora fornecer algumas evidências. Grasby encontrou as camadas ricas em carbono há dez anos mas não conseguiu identificar o material. Um encontro casual com um geoquímico ambiental que estuda a combustão das modernas centrais termoeléctricas a carvão e o impacto ambiental da utilização do carvão mostrou que o material era cinza aerotransportada, tal e qual como as emitidas pelas centrais que queimam carvão.

"Estas são as primeiras evidências de que houve combustão de carvão naquela época", diz Grasby. "Por isso, encontrámos, literalmente, a arma fumegante."

Nas centrais termoeléctricas a carvão, o carvão líquido é acendido para formar uma mistura explosiva de alta temperatura, diz Norman Sleep, geofísico da Universidade de Stanford, Califórnia, que não esteve envolvido neste estudo. Na crosta terrestre, a mistura de magma com a camada de carvão pode originar condições  semelhantes para esse tipo de explosão.

 

Jennifer McElwain, paleobióloga da University College Dublin, diz que outros estudos feitos sobre eventos de extinção devem ser reexaminados para detectar se há presença de cinzas aerotransportadas.

O modelo do estudo de Grasby foca-se nas Armadilhas Siberianas. Nem todas as erupções que ocorreram na zona ao longo do seu período de formação de mais um um milhão de anos foram mortíferas à escala da extinção em massa. Então, cerca de 500 a 750 mil anos antes do evento de extinção, o magma subiu das profundezas e atingiu a camada de carvão. A mistura tornou-se explosiva e irrompeu pela superfície da Terra.

"O magma atravessou uma camada da crosta muito rica e com capacidade de libertar uma grande quantidade de coisas nocivas", diz Paul Wignall, paleontólogo da Universidade de Leeds, Reino Unido, que estuda os eventos de extinção em massa.

Uma vez a mistura atingindo a atmosfera plena de oxigénio, enormes nuvens em forma de cogumelo de gás e cinzas atingiram a estratosfera. As nuvens negras foram capturadas pelos ventos e deslocaram-se para oeste, chovendo cinzas aerotransportada no lago Buchanan na bacia Sverdrup no Árctico, onde Grasby e a sua equipa encontraram as suas amostras. Esta situação aconteceu três vezes ao longo de um período de 500 a 750 mil anos. A última camada de cinza aerotransportada encontrada pela equipa foi depositada imediatamente antes do evento de extinção.

Este pode ter sido o ponto de viragem, diz Wignall. Estudos têm sugerido que os vulcões libertaram 3 triliões de toneladas de carbono, o suficiente para desencadear alterações climáticas devastadoras. As erupções também causaram chuvas ácidas e emitiram halogéneos suficientes para criar um buraco na camada de ozono, diz ele. As cinzas tóxicas, a somar a tudo isto, pode ter sido o golpe final. "Não posso sugerir que esta é a resposta para a história da extinção em massa mas é certamente um novo componente para ela", diz ele. 

 

 

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