2011-01-22

Subject: Orcas e a desgastante dieta de tubarão

 

Orcas e a desgastante dieta de tubarão

 

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@ NatureAs orcas são reconhecidamente esquisitas na escolha de alimento e um tipo de orca em especial, descobriu-se agora que tem como prato preferido algo invulgar: tubarão.

No entanto, estas orcas de mar alto do Pacífico nordeste pagam um preço elevado pela sua preferência de pele rija, os seus dentes desgastam-se até à gengiva.

A documentação da sua invulgar dieta junta peso à noção de que as três linhagens de orcas da região pertencem a espécies diferentes, o que tem implicações tanto para estudos futuros, como para as estratégias para a sua conservação.

As orcas Orcinus orca já tinham sido observadas a caçar tubarões ocasionalmente (veja o vídeo). "Elas conseguem caçar praticamente tudo o que quiserem", diz John Ford, da Estação Biológica do Pacífico em Nanaimo, Colúmbio Britânica, cuja equipa relata as novas evidências na última edição da revista Aquatic Biology, mas é invulgar estes predadores de topo especializarem-se neste tipo de presa. Uma outra população de orcas na Nova Zelândia é tida como também preferindo carne de tubarão, ainda que os investigadores não tenham ainda evidências sólidas.

Os três tipos de orca que vivem ao largo da costa norte americana no Pacífico nordeste são as mais estudadas do mundo. Duas são conhecidas desde a década de 70 do século XX: as chamadas orcas 'residentes', que se alimentam de peixe, e as 'transientes' que preferem os mamíferos marinhos como os leões marinhos. As orcas de mar alto foram identificadas pela primeira vez no final da década de 80 mas a sua preferência alimentar permanecia um mistério até agora.

As diferentes linhagens de orcas também são conhecidas por terem genética diferente, não acasalam umas com as outras e aprendem diferentes estratégias de caça. As transientes, por exemplo, viajam em grupos pequenos e são geralmente silenciosas, o que lhes permite aproximarem-se sub-repticiamente das suas presas, enquanto as residentes são mais vocais.

O trabalho de Ford vem juntar-se a um grupo de vozes cada vez mais fortes que apelam a que as diferentes linhagens sejam consideradas espécies separadas, o que pode ser crucial em decisões sobre conservação no futuro. "O facto de estas populações terem dietas tão diferentes significa que não podem simplesmente trocar de lugar", diz Robin Baird, investigador de orcas no Colectivo de Investigação de Cascadia em Olympia, Washington, que não esteve envolvido no estudo de Ford.

 

Uma população mais a sul de orcas residentes que se alimentam de peixe está já considerada ameaçada, diz Ford, e outras populações estão localmente classificadas como em perigo, incluindo as orcas de mar alto que vivem entre o Alasca e a Califórnia, onde se estima que restem menos de 500 indivíduos. "Estas são pequenas populações que são muito vulneráveis a alterações no seu alimento."

Detectar o festim temível das orcas de mar alto não foi fácil. Os colegas de Ford conseguiram observar as baleias em 98 ocasiões distintas entre 1988 e 2009 mas como se alimentam a profundidades de centenas de metros, os seus hábitos alimentares habituais foram difíceis de descobrir. 

Os investigadores apenas as apanharam a caçar em duas ocasiões: o facto de se estarem a alimentar foi denunciado pelas voltas rápidas, mergulhos longos e profundos e os pedaços de carne rosada que flutuavam até à superfície. Testes genéticos realizados nestes pedaços confirmaram os vestígios de pelo menos 16 tubarões Somniosus pacificus.

"Esta é a primeira boa documentação do que se estavam a alimentar", diz Baird. Outra pista para a sua abrasiva opção de alimento é o desgaste dos destes das orcas. De exames realizados a orcas mortas que deram à costa e de espécimes de museu, Ford descobriu que a orca de mar alto média tem os dentes completamente desgastados, expondo a sua polpa.

Apesar da escolha de tubarão como o prato principal poder parecer perigosa, Baird salienta que as orcas transientes não escolheram necessariamente um presa mais fácil. "Os crânios dos leões marinhos de Steller são como os dos ursos pardos. Atacar um deles é provavelmente mais perigoso do que atacar um tubarão de 2 metros."

O efeito sobre os dentes das baleias desta opção é que pode ser mais problemático. "Pode ser que as baleias jovens tenham que fazer quase todo o trabalho", diz Ford. "As orcas mais velhas provavelmente já só conseguem comer o fígado pois só têm gengivas." Ou pode ser que os animais mais velhos mudem de alimento, diz Baird, tal como os mais idosos humanos passam a preferir alimentos mais macios no final da vida.

 

 

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