2011-01-19

Subject: Inundações de Queensland atingem barreira de coral

 

Inundações de Queensland atingem barreira de coral

 

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satellite shot of floods entering Great Barrier Reef

As inundações que devastaram vastas zonas do sul de Queensland estão a começar a perturbar um dos maiores locais parte do Património da Humanidade, a Grande Barreira de Recifes, dizem os cientistas australianos.

As zonas mais a sul do recife, que se estende por mais de 2 mil quilómetros ao longo da costa norte de Queensland no nordeste da Austrália, já estão a ser afectadas pela enorme pluma de água poluída que jorra de muitos dos rios de Queensland. O impacto total das inundações só se saberá daqui a alguns anos e podem eventualmente afectar todo o sistema do recife.

"A quantidade  de água que está a entrar no recife, com os rios do sul de Queensland todos em cheia, nunca foi vista antes", diz Michelle Devlin, investigadora da qualidade da água da Universidade James Cook em Townsville, Queensland, que está a liderar os esforços para seguir a progressão da pluma. Os fluxos de apenas duas zonas de Queensland central, a Burnett Mary e a Fitzroy, já cobrem 11% da superfície oceânica da Grande Barreira, descobriu Devlin, e os corais estão aí em risco devido aos efeitos directos e agudos da água de inundação poluída.

O impacto imediato da água de inundação é apenas o de vastas quantidade de água doce estarem a entrar no mar. A água doce mata o coral, pelo que os recifes de águas rasas junto à costa, directamente no percurso da pluma, estão ameaçados. À medida que a água barrenta, cheia de nutrientes e pesticidas, se espalha, também vai abafar os corais das águas mais profundas, bloqueando a luz e limitando a fotossíntese, ao mesmo tempo que estimula o crescimento dos competidores do coral, como as macro-algas.

Devlin está agora a mapear a dispersão da água de inundação ao longo da Grande Barreira. Imagens de satélite mostram que a prevalência dos ventos de sudeste tem, até agora, confinado a pluma a uma distância de 65 Km da costa. Prevê-se que estes ventos devem decair esta semana, o que pode levar a pluma a espalhar-se muito mais para o recife.

 

A pluma pode continuar a espalhar-se por várias semanas. "Em terra, as inundações estão a recuar mas no ambiente marinho o impacto vai continuar a agravar-se", diz Britta Schaffelke, que investiga a qualidade da água e a saúde dos corais no Instituto Australiano de Ciências Marinhas em Townsville. "Mas ainda estamos no início da estação das chuvas", diz Schaffelke. "Fevereiro é geralmente o mês mais húmido."

Mesmo depois da dispersão da pluma, os corais em stress continuarão vulneráveis. "Após a inundação podemos ver um aumento da incidência de doenças, por isso, mesmo que o coral sobreviva inicialmente, ao longo dos próximos meses ainda pode morrer, não se reproduzir ou não crescer", diz Schaffelke. Também se podem tornar menos resilientes a qualquer tipo de branqueamento devidos a períodos de clima quente, algo que já aconteceu no recife duas vezes na passada década. "O coral pode não ter a energia para recuperar", diz Devlin.

No entanto, a maior ameaça ao recife pode ainda lá estar daqui a três anos, diz Katharina Fabricius, também do Instituto Australiano de Ciências Marinhas, que estuda os efeitos a longo termo das escorrências dos rios sobre o recife. Três anos é o habitual espaço entre uma inundação e a emergência da maior ameaça única aos corais, a estrela-do-mar coroa-de-espinhos Acanthaster planci.

"Os nutrientes na pluma de água de inundação provocam florescimentos de algas e estas micro-algas são o alimento perfeito para as larvas da estrela-do-mar coroa-de-espinhos, que se alimentam de coral", diz Fabricius. "Cada fêmea produz cerca de 60 milhões de ovos por ano, por isso se encontram uma pluma de alimento como esta gigantesca, a sua população basicamente explode."

São precisos três anos para a estrela-do-mar atingir a maturidade e podem eventualmente invadir todo o recife. "Uma vez que se surja o surto primário, nada consegue parar surtos secundários mesmo em águas límpidas", diz Fabricius. "As larvas obtêm transporte de um recife para outro, como uma onda ao longo da matriz do recife, matando corais por todo o lado."

O momento das inundações, apenas dois anos após as inundações de 2008–09 que foram as terceiras maiores do registo em Queensland, torna o surto de estrelas-do-mar ainda mais provável, diz Fabricius. "Aquilo com que estamos realmente preocupados é que estas condições boas para as alrvas prolongadas no tempo estejam já a dar origem a outro surto."

Os recifes de coral tipicamente demoram 25 anos a recuperar de um surto de estrelas-do-mar e a Grande Barreira de Recifes está a ser atingida por uma explosão populacional destes equinodermes em média a cada 15 anos.

 

 

Saber mais:

Michelle Devlin

Instituto Australiano de Ciências Marinhas

 

 

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