2011-01-18

Subject: Amigos criam ligação a nível genético?

 

Amigos criam ligação a nível genético?

 

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@ NatureOs grupos de amigos mostram padrões de semelhança genética, revela um estudo publicado na revista The Proceedings of the National Academy of Sciences.

As descobertas são baseadas em padrões de variação de dois de seis genes amostrados entre amigos e estranhos mas a alegação não está a ser facilmente aceite por alguns geneticistas, que dizem que os investigadores não analisaram genes suficientes para excluir explicações alternativas.

A equipa, liderada por James Fowler, sociólogo da Universidade da Califórnia, San Diego, analisou dados disponíveis sobre seis genes de cerca de cinco mil indivíduos envolvidos em estudos não relacionados e registou a variação num local específico (polimorfismo de nucleótido simples SNP) de cada gene e comparou-a entre amigos e não amigos.

Após fazer um controlo para a semelhança genética devida ao sexo, idade, raça ou ancestralidade comum, os amigos ainda tinham tendência para ter a mesma SNP numa posição num gene que codifica o receptor de dopamina D2, o DRD2. Os amigos também mostravam mais variação numa posição de um gene citocromo, o CYP2A6, do que os não amigos.

Um fenómeno de 'atracção de opostos' pode ser responsável pela variação no CYP2A6 entre amigos, dizem os autores. O estudo também sugere que padrões genéticos nem sempre se revelam para amigos que se relacionam através de actividades semelhantes, como correr maratonas ou tocar instrumentos musicais.

A função final do DRD2 ou do CYP2A6 não é clara mas os autores salientam que estudos prévios associaram ambos os genes, ainda que de forma controversa, com características que influenciam o comportamento social: o DRD2 com o alcoolismo e o CYP2A6 com a 'abertura'.

"Quando as pessoas escolhem amigos com genótipos semelhantes, a aptidão individual (a capacidade de sobrevivência até à reprodução) naõ só reflecte os seus próprios genes mas também os genes dos amigos escolhidos", diz Nicholas Christakis, sociólogo da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, e um dos autores do estudo. Por outras palavras, pode haver um benefício evolutivo em ter amigos com genes compatíveis, mesmo que não se produza descendência com eles. Por exemplo, se as pessoas que são naturalmente menos susceptíveis a infecções bacterianas andarem juntas, a sua saúde colectiva como grupo multiplica-se porque as bactérias não têm hospedeiros vulneráveis.

 

"Assumindo que eles têm razão, o que é interessante neste estudo é que tenham encontrado uma associação ao nível dos SNPs", diz David Sloan Wilson, peritona evolução dos grupos sociais da Universidade de Binghamton em Nova Iorque. Ele refere que os cientistas há muito sabem que as pessoas gravitam em redor de pessoas que pensam como elas mas ele esperaria que as semelhanças genotípicas forem muito menos aparentes pois o comportamento tende a ser influenciado por vários genes. Há muito poucas razões para suspeitar que os amigos com características semelhantes, como o altruísmo, sejam capazes de detectar variações nos genes subjacentes a essa característica.

Mas nem todos estão convencidos.

"Se este estudo tivesse como objectivo encontrar genes partilhados por pacientes com diabetes, não estaria de acordo com os standards do campo", diz David Altshuler, geneticista do Instituto Broad em Cambridge. "Estabelecemos esses standards após 10 anos de observação de tantos resultados irreproduzíveis em estudos de associação de genes."

Dado que a maioria dos genes têm efeitos modestos no comportamento ou na saúde, muitos cientistas assumem que milhares de SNPs, e não seis, precisam de ser analisados antes de uma correlação poder ser inferida com confiança. Os geneticistas são frequentemente pressionados para encontrar um SNP num milhão que se correlacione de forma reproduzível com uma doença, diz Altshuler. "É como se a equipa tivesse comprado seis bilhetes de lotaria e tivesse ganho milhões duas vezes, não é assim que as coisas funcionam."

Stanley Nelson, geneticista humano da Universidade da Califórnia, Los Angeles, concorda, acrescentando: "É certamente um estudo provocador, adoraria vê-lo com informação sobre o resto do genoma."

Fowler defende a sua decisão de se focar em seis genes em vez de milhares. A informação de genoma completo não estava disponível e "os testes estatísticos de desequilíbrio genético" que o grupo realizou para controlar a semelhança devida a ancestralidade estão entre os mais fortes do campo dos estudos de genética humana.

 

 

Saber mais:

James Fowler

Nicholas Christakis

 

 

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