2011-01-17

Subject: Galinhas transgénicas bloqueiam transmissão da gripe das aves

 

Galinhas transgénicas bloqueiam transmissão da gripe das aves

 

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@  NatureOs investigadores criaram galinhas geneticamente modificadas que não conseguem infectar outras aves com gripe das aves.

A estirpe H5N1 da gripe, que grassou por todo o sudeste asiático faz agora uma década e matou centenas de pessoas, permanece um problema em alguns países em desenvolvimento, onde é endémica.

As aves transportam uma alteração genética que desvia uma enzima crucial para a transmissão da estirpe H5N1. Apesar de morrerem com a doença no espaço de dias, o engodo molecular de alguma forma impede o vírus de infectar outras aves. As descobertas foram publicadas na última edição da revista Science.

Os investigadores dizem que apesar da distribuição em larga escala de aves geneticamente modificadas ser um dia possível, o seu estudo tem como objectivo apenas demonstrar o conceito da técnica.

"Temos objectivos mais ambiciosos em termos de obter resistência total à gripe antes de propormos colocar estas galinhas em verdadeira produção", diz Laurence Tiley, virologista molecular da Universidade de Cambridge, Reino Unido, e investigador principal do estudo. A sua equipa está agora a trabalhar noutras alterações genéticas que possam inibir o vírus de diferentes formas. "Seria algo como a combinação de terapia medicamentosa para o HIV."

Outros peritos salientam que mesmo que as galinhas GM tivessem resistência total à gripe, existem barreiras políticas e económicas à sua utilização comercial generalizada, especialmente a aversão do público a alimentos GM.

"É o início de algo que vai exigir muitos anos para que se verifique se será aceite pelo público", diz Ilaria Capua, chefe da virologia do Instituto de Saúde Animal Experimental de Veneza em Legnaro, Itália.

O H5N1 é endémico em pelo menos cinco países e é particularmente ameaçador no Egipto e na Indonésia, diz Capua. Até agora, o vírus não tem tido a capacidade de se propagar entre humanos mas alguns peritos em saúde público estão preocupados com essa eventualidade.

Em países desenvolvidos, os surtos de H5N1 são controlados por abates rápidos dos animais, mas nos países mais pobres há muitas pequenas criações, regras de saúde inferiores e práticas antigas relativas às aves. "No mundo em desenvolvimento, não se pode usar a estratégia de abate do mundo desenvolvido", diz Arnold Monto, epidemiologista da Escola de Saúde Pública da Universidade do Michigan em Ann Arbor. "Politicamente não o podem fazer e na prática também não."

Em vez disso, os países em desenvolvimento tentam controlar o H5N1 vacinando as aves, o que não as impede de silenciosamente adquirirem formas suaves da doença, se não forem devidamente seguidas, e a transmitam para as aves saudáveis. Os vírus da gripe, recorde-se, mutam rapidamente e são famosos por escapar às vacinas.

 

Se fossem disponibilizadas comercialmente, as aves GM não teriam essas questões. Elas transportam uma 'cassette' genética de RNA, que inclui as sequências genéticas que complementam uma enzima usada pelos vírus da gripe na replicação e embalamento. Estas sequências podem ligar-se à enzima, impedindo-a de alguma forma de trabalhar para o vírus.

A enzima pode mutar para evitar este engodo mas se o fizesse já não seria capaz de se ligar ao vírus. Por isso, para o vírus escapar teria que simultaneamente alterar o seu próprio genoma e o da enzima em oito locais diferentes, um acontecimento altamente improvável.

As galinhas foram modificadas por uma equipa liderada por Helen Sang, geneticista no Instituto Roslin da Universidade de Edimburgo. Os investigadores modificaram as galinhas injectando um lentivírus transportando a cassette para conjuntos de células de ovos de galinha. Em alguns dos pintos resultantes a cassette integra-se nas células sexuais e estes animais podem ser cruzados para produzir galinhas que transportem a cassette em todas as células.

Os investigadores infectaram aves que transportavam o engodo com o H5N1 e alojaram-nas com aves saudáveis, algumas com o transgene e outras normais. A maioria das aves que recebeu a infecção primária morreu mas não transmitiram a gripe a qualquer dos seus parceiros saudáveis de gaiola.

Sang diz que usando os seus métodos custa cerca de US$79 mil produzir "um pequeno número de aves transgénicas estáveis que se possa caracterizar e cruzar". Ela e Tiley defendem que a obtenção de aves transgénicas semelhantes numa produção global seria possível porque existem apenas um punhado de companhias que fornecem galinhas de raça mas esta abordagem não seria exequível nos países mais pobres: "Isto só será possível para pessoas que estão bem na vida", diz Marc Van Ranst, virologista da Universidade Católica de Leuven, Bélgica.

A técnica pode tornar-se mais útil, não na prevenção da propagação do H5N1, mas na utilização de cassettes semelhantes para criar resistências a outras doenças comuns em aves de capoeira.

O estudo de Tiley foi parcialmente financiado pela Cobb-Vantress, uma importante companhia multinacional de criação de galinhas. A Cobb-Vantress referiu, no entanto, que não pensa continuar a financiar este trabalho.

"Todas as companhias são muito sensíveis à percepção popular", diz Karel Schat, virologista e imunologista da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque. Schat é um consultor pago de outra companhia que também financia investigação sobre a utilização de transgenes na resistência a doenças. "Os cientistas estão entusiasmados mas os líderes das companhias estão a ser um pouco mais cautelosos."

 

 

Saber mais:

Laurence Tiley

Helen Sang

Cobb-Vantress

 

 

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