2011-01-15

Subject: Será que amamentar não é o melhor para o bebé?

 

Será que amamentar não é o melhor para o bebé?

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureA Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as mães amamentem exclusivamente os seus bebés durante os primeiros seis meses de vida. 

O conselho, emitido em 2001, tem sido adoptado desde então pelos governos nacionais mas uma nova análise publicada na última edição da revista British Medical Journal, contradiz esta directriz. Pelo contrário, sugere que a amamentação durante quatro meses é o melhor para os bebés.

Quais são as descobertas deste novo estudo?

Bebés amamentados em exclusivo durante seis meses têm maior risco de desenvolver anemia, que, por sua vez, tem sido associada a problemas mentais, motores e psicossociais. O estudo também descobriu evidências de uma maior incidência de alergias alimentares e maior risco de doença celíaca.

Mas o estudo também salienta a descoberta de estudos observacionais em que bebés ocidentais que foram amamentados em exclusivo durante seis meses tinham menor probabilidade de sucumbir a infecções, como a pneumonia, do que os amamentados menos do que seis meses. Por isso, "a amamentação em exclusivo durante seis meses é defensável em países pobres com alta morbilidade e mortalidade devida a infecções", diz o estudo actual.

Estas descobertas receberam eco por conselhos emitidos em 2009 pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar baseados numa análise detalhada de evidências científicas que sugerem que as mães devem introduzir alimentos sólidos entre os quatro e os seis meses.

De que forma e porque isto difere do conselho da OMS?

A recomendação inicial da OMS baseia-se largamente numa revisão das evidências disponíveis antes de 2002. A análise BMJ, levada a cabo por cientistas especialistas em saúde e nutrição infantis da University College de Londres e pelas Universidades de Edimburgo e Birmingham, incluía vários estudos mais recentes. Estes novos estudos encontraram evidências de efeitos adversos na saúde quando a introdução de alimentos sólidos foi atrasada até aos seis meses, incluindo a incapacidade da mãe para sustentar as exigências energéticas e de ferro das suas crianças.

Qual é a resposta da OMS?

Uma porta-voz da OMS rejeitou as sugestões de que a sua recomendação se baseia em evidências ultrapassadas. "A OMS segue de perto as novas descobertas da investigação nesta área e tem um processo de reexaminação regular das suas recomendações." Isto garante que as suas recomendações "são baseadas nas melhores evidências disponíveis e totalmente livres de conflitos de interesses, conclui ela.

 

O último grande estudo considerado pela OMS foi uma análise sistemática de 2009 da Cochrane Collaboration, uma respeitada organização independente de Oxford, Reino Unido, que tem como objectivo fornecer informação sobre cuidados de saúde rigorosa. A análise Cochrane apoiou a manutenção do status quo.

A porta-voz da OMS colocou preocupações sobre a independências do estudo BMJ dado que os seus autores receberam financiamento da indústria de comida para bebés.

O artigo BMJ declara que três dos quatro autores fizeram consultas ou receberam financiamento de companhias de fabrico de leite e comida para bebés nos últimos três anos mas um dos autores, Mary Fewtrell, nutricionista infantil do University College de Londres, referiu: "Os meus colegas e eu somos pediatras independentes e cientistas, financiados por universidades ou hospitais, não recebemos fundos para a realização desta análise, para além dos salários normais. Todos tivemos ligações à indústria em algum momento. Não fazemos qualquer comentário no nosso artigo sobre o tipo de alimentos sólidos que devem ser introduzidos, podem ser caseiros ou comerciais, a questão principal é que a comida deve ser nutricionalmente adequada e segura."

O que dizem outros?

A Baby Milk Action, um grupo de defesa da amamentação sediado em Cambridge, Reino Unido, está preocupada com a possibilidade de as companhias usarem o estudo para enfraquecer as políticas nacionais e a legislação que exige que os alimentos para bebés tenham no rótulo 'para crianças com mais de seis meses'.

A organização também questiona as evidências de que a introdução de sólidos aos quatro meses previna a doença celíaca e as alergias.

Então o que devem fazer as mães?

Fewtrell refere que "não estamos a fazer 'novas recomendações' como tem sido afirmado em algumas publicações, não é essa a nossa função. No entanto, a nossa própria opinião é que actualmente o equilíbrio dos dados pede a favor da introdução de sólidos paralelamente à continuação da amamentação entre os quatro e os seis meses, quando a mãe achar que o seu bebé está preparado." 

 

 

Saber mais:

OMS

Baby Milk Action

O gene que transforma o leite materno em alimento para o cérebro

Amamentar reduz o risco de infecção por HIV

Leite materno ajuda a bloquear o HIV

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2011


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com