2011-01-11

Subject: Filmes pornográficos com vermes revelam segredos do sexo

 

Filmes pornográficos com vermes revelam segredos do sexo

 

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@ NatureAo visualizar incontáveis horas de sexo hermafrodita entre vermes, Lukas Schärer e a sua mulher Dita Vizoso, biólogos evolutivos na Universidade de Basileia na Suíça, descobriram evidências para uma teoria que tem iludido a experimentação há perto de um século: o sexo molda os espermatozóides.

As suas descobertas, incluindo os vídeos dos vermes a acasalar, foram publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os espermatozóides são as células animais mais diversificadas, adornadas de forma variada com caudas, pêlos, ganchos, fibrilhas e mais. "Mas não sabemos para que serves todos esses adornos", diz Scott Pitnick, biólogo evolutivo na Universidade de Syracuse em Nova Iorque. A fecundação não é fácil de observar e as previsões sobre a função do design do espermatozóide são ainda mais difíceis de testar, por isso foi preciso que um grupos de vermes achatados transparentes e maliciosos revelasse uma das peças do puzzle. Os animais são hermafroditas, do tamanho de uma vírgula mas acasalam facilmente no microscópio.

O mundo heterossexual da reprodução animal está povoado primariamente por machos ansiosos por acasalar e por fêmeas mais preocupadas em encontrar um parceiro superior mas os hermafroditas enfrentam desejos antagonistas em simultâneo. A espécie de verme achatado do género Macrostomum resolve o conflito permitindo que a ânsia por sexo venha primeiro e seja depois seguida por selectividade.

"No laboratório acasalam como doidos", diz Schärer. "Uma vez, observamos um par acasalar 40 vezes numa hora." Os vermes achatados encaixam cauda com cauda, como dois 'C' interligados, com o estileto (equivalente ao pénis) de cada um a penetrar a abertura genital feminina do outro e ejaculando para a correspondente cavidade, o átrio.

Uma vez o acto concluído, a selectividade pode entrar em jogo. O verme dobra-se e parece sugar o esperma do seu átrio (veja o vídeo). "Quando vi isto pela primeira vez em 2002, quase desmaiei", diz Schärer. "Desde então, temos feito filmes dos acasalamentos para capturar até 12 pares simultaneamente, penso nisto como um hotel de má fama com câmaras em todos os quartos."

 

Ele descobriu que as espécies que acasalam reciprocamente e depois sugam o esperma da abertura genital feminina apresentam espermatozóides ornamentados com um par de longas vibrissas no meio da célula e uma cauda semelhante a um pincel. Vizoso diz que algumas espécies do género Macrostomum têm apêndices extra nos espermatozóides, incluindo estruturas que ficam encaixadas no corpo feminino após a copulação, combatendo os esforços do receptor de remover o esperma (veja o vídeo).

Se pêlos ou fibrilhas funcionam como mecanismos para evitar que o esperma seja sugado depois do sexo, os autores colocaram a hipótese de os vermes achatados que não acasalam via penetração estileto no átrio e subsequente sucção não terem apêndices extra nos espermatozóides.

Observando uma série de espécies e avaliando a sua sexualidade no contexto da árvore filogenética do género Macrostomum, a equipa deduziu que as espécies que têm sexo 'traumático' e não recíproco desenvolveram espermatozóides menores e sem pêlos ou fibrilhas. Essas espécies acabaram com os rituais de acasalamento: têm estiletos com a forma de ganchos de pirata com os quais apunhalam outros vermes em qualquer parte do corpo para injectar esperma. Depois de espetado, o verme receptor não suga e os espermatozóides sem frescuras dirigem-se para o óvulo (veja o vídeo).

"Gosto desta história porque é muito invulgar para alguém ter uma ideia coerente sobre o significado funcional da morfologia do espermatozóide", diz William Eberhard, biólogo do Instituto de Investigação Tropical Smithsonian na Costa Rica. "Esta é uma história de muitas, muitas outras que não compreendemos, é um primeiro passo na direcção certa."

 

 

Saber mais:

Dita Vizoso

Lukas Schärer

Macrostomorpha

 

 

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