2011-01-09

Subject: Derrame do golfo pode dar indicações sobre clima árctico

 

Derrame do golfo pode dar indicações sobre clima árctico

 

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@ BBCQuase todo o metano libertado na fuga de petróleo do golfo do México foi rapidamente absorvido por bactérias, o que pode dar pistas sobre as alterações climáticas no Árctico.

Escrevendo na revista Science, investigadores americanos relatam que as bactérias que absorvem metano se multiplicaram no golfo logo a seguir ao incidente de Abril.

O Árctico contém vastas quantidades de metano armazenado e a sua libertação pode rapidamente acelerar o aquecimento por todo o mundo mas os cientistas alertam para o facto de as duas regiões serem muito diferentes.

O navio de pesquisas Pisces, operado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), realizou diversas viagens no golfo os meses a seguir ao início da fuga de petróleo.

"Havia milhares de tipos de moléculas a saírem do poço e, de longe, a mais abundante era o metano", diz o investigador-chefe John Kessler, da Universidade Texas A e M. "De facto, em peso, 30% do que saía do poço era metano. Normalmente temos que andar à volta e estudar o que se escoa naturalmente do fundo do mar mas esta libertação era maciça e localizada."

Virtualmente todo o metano permaneceu em suspensão, dissolvido na água do mar, a uma profundidade de cerca de mil metros.

As bactérias da água que desenvolveram formas de metabolizar o metano que se escoa naturalmente aparentemente aumentaram o seu efectivo, retirando oxigénio da água à medida que o faziam, e limparam os resíduos da Deepwater Horizon.

Os cálculos da equipa indicam que menos de uma em cada 100 mil moléculas do gás libertadas do fundo do mar atingiram a atmosfera.

O metano é segundo mais importante dos gases que formam a parte de origem humana do efeito de estufa e vastas quantidades dele, ninguém sabe exactamente quanto ainda que alguns estimem que seja 3 mil vezes a actual quantidade presente na atmosfera, estão armazenadas no leito do mar Árctico. Sabe-se que existem outros depósitos noutros locais do mundo, uma potencial fonte de energia para o futuro.

Outros temem que, se todo este metano escapar com o aquecimento das águas oceânicas, aja como amplificador do aquecimento global.

Em princípio, a pesquisa em redor da Deepwater Horizon pode ajudar a informar os cientistas sobre até que ponto as fugas de metano podem ser ser graves, que quantidade seria metabolizada na água do mar e que quantidade atingiria a atmosfera.

"No Árctico haveria sem dúvida algum tipo de resposta bacteriana e na maioria dos locais do leito do mar onde há possibilidade de fugas maciças haverá já algum tipo de libertação que ajude a povoar a água com bactérias que pudessem reagir", diz Kessler.

No entanto, alerta ele, há enormes diferenças entre a fuga do golfo do México e as potenciais fontes de metano no Árctico. 

Ed Dlugokencky, que dirige o registo global da concentração de metano da NOAA e que não esteve envolvido na investigação do golfo, concorda.

 

"As implicações deste trabalho para a libertação de metano a partir de hidratos provavelmente só se aplicarão a águas profundas e não a áreas onde os hidratos existem em plataformas continentais de águas baixas como no caso da plataforma árctica do leste da Sibéria. Aí a água tem apenas 40 metros de profundidade e a formação de bolhas é um mecanismo importante para o transporte de metano dos sedimentos para a atmosfera."

Quanto menor a altura da água, menos tempo o metano passará nela, tornando a sua absorção menos provável. A temperatura, correntes e tipos de bactérias presentes podem ser outros factores importantes na determinação da quantidade de metano que atinge a atmosfera.

No entanto, Dlugokencky salienta que as evidências de vastas e rápidas libertações de metano do leito do mar não são observadas nos regidos de núcleos gelados, que agora registam a história da Terra desde há 800 mil anos.

@ BBC

O metano pode escapar de hidratos sobre ou do leito do mar e borbulhar até à superfície e as temperaturas elevadas podem exacerbar o problema.

Navios de investigação que fazem viagens regulares ao Árctico e têm geralmente encontrado evidências desse borbulhar de metano para a atmosfera mas, diz Graham Westbrook, da Universidade de Birmingham, ainda há muita ciência a realizar.

"Não sabemos qual é a distribuição dos hidratos de metano, não sabemos até que ponto são prevalentes na região e em locais como a plataformas do norte da Sibéria, onde as libertações têm sido identificadas, não é claro que quantidade é proveniente do leito do mar e que quantidade é trazida pelos rios. Também não sabemos que volume dessas libertações que observamos se devem ao aquecimento antropogénico a que se assiste nos últimos dois séculos e que quantidade está relacionada com o aquecimento natural a que se assiste desde o final da última idade do gelo."

 

 

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