2011-01-05

Subject: Alarmismo climático estimula cepticismo

 

Alarmismo climático estimula cepticismo

 

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@ NatureA utilização de predições alarmistas para encorajar à acção contra as alterações climáticas pode estar a virar-se contra o feiticeiro, aumentando a dúvida de que os gases de efeito de estufa resultantes das actividades humanas são a causa do aquecimento global.

Apesar das evidências científicas de que as actividades antropogénicas estão realmente por trás do aquecimento global continuarem a somar-se, a crença no fenómeno estagnou nos últimos anos. "Quando fazia sondagens, notava que muitas mensagens alarmistas pareciam ser contraproducentes e precisávamos mesmo que alguém determinasse porquê", diz Ted Nordhaus, do Breakthrough Institute, um grupo de estudos sobre questões climáticas e energéticas.

Matthew Feinberg, da Universidade da Califórnia, Berkeley, colocou a hipótese de a apresentação de crianças como as principais vítimas das alterações climáticas, algo comum nas mensagens sobre aquecimento, poderia ser visto como injusto, dado que as crianças não causaram o aquecimento global.

Ele especulou que isso, bem como as descrições apocalípticas das possíveis consequências do aquecimento global, poderia ameaçar a tendência natural das pessoas para acreditar que o mundo é um local fundamentalmente justo e estável. Minar essa crença já foi demonstrado que aumentava a probabilidade de as pessoas ignorarem a realidade e permitirem que os acontecimentos se desenrolassem em seu redor sem intervirem.

Alguns psicólogos exploraram a psicologia da crença nas alterações climáticas, com alguns desses trabalhos a revelarem que o cepticismo climático está relacionado com a tendência das pessoas para defender o status quo, mas pouco mais tinha sido feito. "Vimos um enorme buraco na literatura quando se tratava de olhar para as respostas psicológicas às mensagens sobre o aquecimento global", Feinberg.

Por isso, Feinberg e o seu colega Robb Willer, também de Berkeley, pediu a 45 participantes online espalhados por 15 cidades dos Estados Unidos que participassem no que ostensivamente era apresentado como uma actividade de desmontar frases.

A metade dos voluntários foi pedido que desmontasse frases como De alguma forma a justiça prevalece sempre" e aos outros frases como "Frequentemente a justiça não prevalece". Esta actividade levava-os a ter uma crença forte ou fraca num mundo justo. 

Seguidamente, os participantes participaram uma sondagem que media o seu cepticismo sobre as alterações climáticas, onde surgiam questões como "Até que ponto são sólidas as evidências de que a Terra está a aquecer?" e exigindo que os participantes respondessem usando uma escala de seis pontos, em que seis correspondia a nada sólidas e um muito sólidas.

 

Seguidamente, os participantes viram dois curtos vídeos sobre o aquecimento global realizados pelo Environmental Defense Fund, uma organização sem fins lucrativos de Nova Iorque que faz campanha sobre temas 'verdes'. O primeiro mostrava um comboio a deslocar-se a alta velocidade em direcção a uma menina, uma metáfora para a catástrofe que espera as crianças do mundo (veja o vídeo). 

O segundo mostrava crianças ansiosas a simularem verbalmente o tiquetaque de um relógio enquanto descrevem a devastação climática que se aproxima (veja o vídeo). Após o visionamento, os participantes voltaram a medir o seu grau de cepticismo sobre as alterações climáticas. Também lhes foi pedido que classificassem até que ponto estavam dispostos a agir para reduzir a sua pegada ecológica de carbono.

Feinberg e Willer descobriram que os participantes que tinham uma maior crença num mundo justo revelaram níveis de cepticismo 29% mais altos e uma disponibilidade para reduzir a sua pegada de carbono 21% inferior do que os que viam o mundo como um lugar injusto. As suas descobertas estão relatadas na revista Psychological Science.

"A ideia de que a persuasão é mais eficaz quando condiz com os sistemas de crença de uma pessoa é algo que sabemos há algum tempo mas o que é bom nesta pesquisa é que identifica o sistema de crença num mundo justo como um factor crucial para os comunicadores das alterações climáticas", diz a psicóloga Janet Swim, da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park.

No entanto, se as descobertas irão alterar a forma como as ameaças das alterações climáticas são comunicadas não é claro. "Os autores estão certamente a levantar questões válidas e as mensagens fortes são importantes para activar as pessoas que já estão contigo", explica Keith Gaby, director de comunicações da secção climática do Environmental Defense Fund.

Gaby defende que os vídeos do fundo atingem de forma eficaz quem querem alcançar. "Um dos nosso anúncios actuais tem crianças e está a carregar os mesmos botões emocionais que o do comboio mas estamos a tentar passar a mensagem ao congresso e não comunicar com o público", diz ele. "Se estivéssemos a montar uma campanha de $50 milhões em anúncios para alterar o modo de pensar dos cépticos seria diferente e certamente teríamos em consideração estas descobertas."

 

 

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