2011-01-01

Subject: 2010 - o Ano Internacional da Biodiversidade em revista

 

2010 - o Ano Internacional da Biodiversidade em revista

 

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Mais um ano chegou ao fim, momento em que sempre se faz um balanço do que de melhor e de pior nele ocorreu.

2010 foi rico em momentos de grande impacto relacionados com a ciência, a natureza e a biodiversidade, infelizmente na maioria das vezes por razões pouco simpáticas e frequentemente por grandes calamidades climáticas. Fica um conjunto de situações que nos ficaram mais na memória, algumas como um alerta, outras um sinal de esperança para o ano que agora tem início, que ele seja o melhor de que há registo.

O ano começou com o enorme embaraço do IPCC quando confrontado com erros no seu último relatório. O governo indiano contestou a afirmação de que os glaciares dos Himalaias iriam desapareceu até à década de 30 deste século e foi apoiado na sua ideia pela comunidade científica. O terramoto do Haiti colocou em perspectiva a pequenez do ser humano perante o poder da natureza mas também comprovou a triste relação entre a pobreza e a degradação da natureza.

Em Fevereiro as graves inundações na Madeira, e o trágico custo em vidas humanas que trouxeram consigo, alertaram o país para as consequências da desflorestação das encostas associado às inesperadas ocorrências climáticas que se vão tornando comuns com o aquecimento global. Já o terramoto no Chile, geologicamente muito mais grave que o do Haiti, demonstrou que as consequências deste tipo de evento podem ser minimizadas com a devida prevenção pois causou muito menos vítimas e estragos materiais. A descoberta de uma ilha de lixo no Atlântico norte, semelhante à já conhecida no Pacífico, recordou-nos que as consequências do nosso consumismo desenfreado são de longo alcance, tanto física como temporalmente.

Em Março a iniciativa Limpar Portugal mostrou a capacidade de mobilização da sociedade civil e o impacto positivo de pequenas acções individuais. O objectivo de mudar mentalidades para que não surjam mais lixeiras espalhadas pelas nossas florestas pode não ter sido completamente alcançado mas a semente foi certamente plantada. Más notícias para o atum são más notícias para a CITES, pois o corpo que fiscaliza o comércio internacional de espécies ameaçadas foi claramente ultrapassado pelos interesses económicos mais imediatos. Enquanto assim for, não só o atum, como muitas outras espécies estarão em risco, a não ser que volte a surgir uma cobra que engula dinossauros para por tudo na ordem.

Já em Abril a erupção do vulcão (cujo nome não terá sido pronunciado por muitos em Portugal) Eyjafjallajökull na Islândia revelou a enorme fragilidade da nossa dependência do transporte aéreo, constatação que voltou a ser reforçada com os nevões e temperaturas baixas registados por todo o hemisfério norte no final de Dezembro. O derrame de crude da plataforma da BP Deepwater Horizon no golfo do México foi certamente o acontecimento que dominou o ano que agora termina, pelo impacto que teve e pela controvérsia que causou. As reais consequências do maior derrame da história ainda estão longe de estar compreendidas mas espera-se que, desta vez, não haja impedimentos ao seu estudo, o que nos permitirá retirar pelo menos conhecimento útil desta calamidade, tal como o balanço de um ano de pandemia de gripe A nos permitiu.

 

Soube-se em Maio que os genomas europeu e asiático apresentavam traços de Neanderthal, indicando que o Homem actual e este seu parente próximo tinham coexistido e cruzado. Tal como todos os hominídeos, ficou provado mais uma vez que todas as espécies actuais tiveram origem numa única célula, mais uma prova da existência de evolução.

Um Agosto escaldante por toda a Europa, especialmente com a onda de calor na Rússia causou incêndios florestais descontrolados e graves problemas de saúde aos mais debilitados devido à inalação de fumo. A justiça americana voltou a devolver a protecção aos lobos americanos, numa montanha-russa de processos judiciais e protestos que não têm impedido que muitos destes animais tenham sido chacinados da forma mais cruel.

Em Setembro estalou a polémica com a aprovação do consumo humano de salmão transgénico nos Estados Unidos, apesar da enorme contestação por parte dos ambientalistas e activistas anti-OGM de todo o mundo. 

A FIV recebeu o Nobel em Outubro, situação que rapidamente foi esquecida com a catástrofe ambiental do derrame de lama tóxica na Hungria. Muitas famílias foram desalojadas e a contaminação levará um tempo indeterminado a realizar-se mas fica o alerta para as condições em que laboram muitas indústrias nos países de leste, não respeitando as normas da União Europeia e colocando em perigo o ambiente.

Novembro foi algo bipolar para a biodiversidade, pois enquanto a cimeira do tigre atraiu doadores famosos para a causa da conservação deste maravilhoso felino, soube-se que o branqueamento dos corais vai de mal a pior em várias zonas, indicando que a subida da temperatura da água do mar está a ter graves consequências para os ecossistemas marinhos, muitos dos quais estão à beira do colapso.

O mês de Dezembro trouxe a enorme expectativa criada com a forma dramática como foi anunciada a divulgação da descoberta de formas de vida com base em arsénico (ou não, pois a comunidade científica ficou bastante céptica com a apresentação). Desta vez na zona de Tomar, um tornado voltou a mostrar um lado do clima a que não estamos acostumados em Portugal. Será um sinal do que nos espera num futuro em aquecimento? Precisamente sobre esse tema tão premente, o site WikiLeaks revelou como Estados Unidos manipularam acordo de Copenhaga, entre muitas outras revelações mais ou menos embaraçosas para alguns, precisamente no momento em que a cimeira climática de Cancún decorria no México, com resultados mais uma vez pouco satisfatórios para os activistas climáticos.

simbiotica.org aproveita para desejar a todos, mais uma vez, um Feliz Ano Novo, que 2011 traga a todos um planeta gerido de forma mais sustentável e amiga da Natureza.

 

 

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