2010-12-27

Subject: 20 anos de resolução de conflitos entre tigres e humanos

 

20 anos de resolução de conflitos entre tigres e humanos

 

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@ BBC/ John Goodrich/WCS

Viver no habitat de um animal perigoso não é fácil mas é particularmente desafiador quando esse animal é o criticamente ameaçado de extinção tigre de Amur.

Se um tigre se aproxima de uma aldeia russa representa uma ameaça mas também um dilema: como podem as pessoas defender-se sem recorrer ao abate de um animal que está no limiar da extinção? Para apresentar a solução surge a Equipa de Resposta Tigre da Rússia.

A World Conservation Society (WCS) e uma patrulha anti-caça furtiva baptizada Inspecção Tigre estão a trabalhar de perto com a equipa, que foi criada pelo governo em 1999 para ajudar a resolver os "conflitos entre tigres e humanos".

Os tigres de Amur vivem num mosaico de floresta no longínquo leste da Rússia, uma zona de mais de 150 mil quilómetros quadrados de habitat de tigre pontilhada com pequenas aldeias. "Há uma zona cinzenta onde tanto o Homem como o tigre coexistem", explica Dale Miquelle, director do programa russo da WCS. "Por isso, mesmo com os tigres incrivelmente escassos, acabam por passar através ou perto das aldeias regularmente."

Quando um tigre se aproxima demasiado pode atacar o gado ou outros animais domésticos, normalmente cães, mas é muito raro que ataque uma pessoa. Nos últimos 10 anos, os tigres de Amur mataram 254 animais domésticos, dos quais 160 eram cães, e 19 ataques a pessoas, resultando em 11 pessoas feridas e duas mortas.

É precisamente aqui que a resposta da equipa se torna muito directa. Quando alguém vê um tigre ou descobre um animal que claramente foi atacado por um, podem alertar as autoridades, que, por sua vez, contacta a equipa.

"As autoridades locais avaliam a situação e, se necessário, uma equipa é enviada", explica Miquelle. "Mas temos em mãos uma área vasta, por isso podemos levar vários dias a alcançar a aldeia."

@ BBC/ John Goodrich/WCS

Uma vez lá chegada, a equipa de resposta tem várias opções. A mais óbvia é espantar o tigre através de foguetes ou flares mas por vezes é mesmo necessário capturar o animal.

"Fazemo-lo frequentemente", diz Miquelle. "O que fazemos depois da captura é que depende da situação: por vezes colocamos-lhes uma coleira-rádio e devolvemo-los à procedência, outras têm que ser deslocados, se achamos que isso reduzirá a probabilidade de voltar à aldeia."

 

Mas se um tigre for ferido, a situação é mais complicada.

John Goodrich, conservacionista e fotógrafo da vida selvagem, tem trabalhado com a equipa durante algumas das suas missões de salvamento de tigres e diz que a maioria dos tigres que atacam pessoas na Rússia já foram feridos por caçadores furtivos ou por armadilhas, o que lhes altera o comportamento. Se estão incapacitados e incapazes de caçar, os tigres aproximam-se dos povoados em busca de presas fáceis como os animais domésticos.

Segundo Goodrich, ferimentos de tentativas falhadas por parte dos caçadores furtivos são a principal causa de ataques a humanos por parte dos tigres de Amur. O tigres feridos por vezes podem ser reabilitados e libertados na floresta mas quando um foi ferido com demasiada gravidade ou se tornam demasiado perigosos, a equipa tem que os remover da natureza, para sua própria segurança tanto como para a dos humanos.

Goodrich seguiu a reabilitação de um jovem macho chamado Volya, que tinha sido baleado no focinho por caçadores furtivos. "A bala quebrou três caninos e estilhaçou-lhe o maxilar inferior." Os veterinários do Centro de Reabilitação da Fauna Selvagem de Utyos ligaram-no o melhor que puderam "mas o ferimento condenou Volya a uma vida de cativeiro".

Goodrich e os seus colegas estão agora a tentar analisar a prevalência de doenças infecciosas na população de tigres de Amur, algo que também pode afectar o seu comportamento e torná-los mais agressivos para o Homem.

É complicado quantificar exactamente quantos tigres já foram salvos pelos esforços da equipa mas neste momento todos os indivíduos contam. A última estimativa considerou que restariam apenas 350 tigres de Amur na natureza.

"Há algumas indicações de que fomos capazes de reduzir o número de tigres perdidos por causa de conflitos", diz Miquelle. Mas ainda há muito espaço para melhorias, considera ele, os esforços para afastar os animais de zonas dominadas por humanos não têm sido tão bem sucedidos como se esperava.

"Mas com tão poucos tigres restantes, sabemos que temos que inverter essa tendência de declínio e realmente temo visto a mortalidade causada pelo Homem como um componente importante disso, há 20 anos a principal intervenção era uma bala."

Em comunidades tão isoladas, a equipa de resposta espera dar aos locais um sinal de que há um grupo que se preocupa com o seu bem-estar. "Pode ser extremamente ameaçador quando um animal do tamanho de um tigre se aproxima da nossa vizinhança", diz Miquelle. "Por isso, ter uma equipa que que possa lidar com a situação é muito importante."

 

 

Saber mais:

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