2010-12-23

Subject: Elefantes africanos pertencem a duas espécies diferentes

 

Elefantes africanos pertencem a duas espécies diferentes

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureOs elefantes africanos que vivem na floresta Loxodonta cyclotis são uma espécie diferente dos que vivem na savana africana Loxodonta africana, demonstraram os investigadores.

Há muito que os cientistas debatem se os elefantes africanos pertencem todos à mesma espécie. Têm aparência muito diferente, com os elefantes da savana a pesar 7 toneladas, cerca do dobro do peso do elefante da floresta, mas estudos tinham sugerido que eram todos da mesma espécie. O DNA mitocondrial dos elefantes africanos revelou evidências de cruzamento entre os animais da floresta e da savana há cerca de 500 mil anos.

Agora um grupo de cientistas olhou mais fundo para a ancestralidade dos elefantes africanos. Os investigadores sequenciaram os genomas nucleares dos dois tipos de elefantes africanos, bem como dos elefantes asiáticos Elephas maximus. Também extraíram e sequenciaram DNA do extinto mamute lanudo Mammuthus primigenius e do mastodonte Mammut americanum, antigos ancestrais do elefante. Comparando todos estes genomas, a equipa descobriu que os elefantes da savana e da floresta divergiram para espécies separadas entre há 2,6 e 5,6 milhões de anos.

O estudo foi publicado na última edição da revista Plos Biology.

"Eles separaram-se mais ou menos ao mesmo tempo que os elefantes africanos e asiáticos se dividiram em espécies diferentes e há muito mais tempo do que antes se pensava", diz David Reich, geneticista populacional da Escola de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, e autor principal do estudo. "Já não podemos considerar os elefantes africanos da mesma espécie, tal como já não consideramos que os elefantes asiáticos ou o mamute o sejam."

A maioria dos investigadores concorda que o elefante asiático e o mamute são espécies separadas, diz Thomas Gilbert, geneticista da Universidade de Copenhaga, "mas este estudo realmente prega o último prego no caixão dos argumentos que consideram que os animais da savana e da floresta são da mesma espécie ou mesmo do mesmo género."

O DNA mitocondrial apenas dá aos investigadores informação sobre a ancestralidade materna, pois este tipo de material genético é herdado exclusivamente da mãe. Ao examinar o genoma nuclear, que é cerca de 200 mil vezes maior do que o contido nas mitocôndrias, tem-se uma imagem mais rigorosa da história dos elefantes. "Tem-se uma imagem diferente ao analisar o DNA nuclear", diz Reich.

 

As evidências obtidas pelo DNA mitocondrial que indicavam que os elefantes da floresta e da savana se tinham cruzado recentemente e tinham um ancestral feminino comum recente podem ser explicadas como o resultado do comportamento social das fêmeas dos elefantes, dizem os investigadores.

As fêmeas têm tendência para permanecer perto do seu local de nascimento, enquanto os machos se dispersam. Manadas de elefantes fêmeas da floresta podem ter estado repetidamente em contacto e até se cruzado com machos migrantes de elefantes da savana. Ao longo de um período de tempo alargado, o fundo genético dos elefantes da floresta teria ficado diluído e afastado pelo dos elefantes da savana mas o DNA da floresta teria sido conservado no DNA mitocondrial, que é passado através da linhagem feminina.

"O que observamos é uma divergência antiga com um pequeno fluxo genético mais recentemente", diz ele. A hibridação acontece entre espécies aparentadas de perto e a sua existência não implica necessariamente que as duas sejam a mesma espécie.

Os autores sugerem que as descobertas ajudem a rever prioridades sobre os programas de conservação dos elefantes. Todos os elefantes africanos estão actualmente a ser conservados como a mesma espécie mas as evidências que os consideram duas espécies distintas sugerem que podem estar a enfrentar pressões diferentes e exigem estratégias de conservação diferentes. Os elefantes da floresta devem tornar-se uma maior prioridade de conservação, refere o estudo. 

 

 

Saber mais:

Thomas Gilbert

Pêlo de elefante revela competição

Elefantes dizimados no Congo

Elefantes não são enganados por espelhos

Elefantes aprendem através da imitação

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com