2004-04-30

Subject: Gerbos do deserto alertam para doenças humanas 

News of the Wild

 

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Gerbos do deserto alertam para doenças humanas 

 

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Durante mais de meio século, um exército de investigadores tem vasculhado o deserto do Cazaquistão em busca de sinais de uma feroz ameaça à saúde pública: os gerbos. 

Mas não são estas pequenas criaturas peludas que inspiram esse terror, os cientistas estão preocupados com a peste, causada por uma bactéria passada de humano para humano através das pulgas dos gerbos, despoletando surtos da doença. Quando a peste era detectada, os investigadores registavam cuidadosamente a sua presença e pulverizavam químicos anti-pulga nas tocas dos gerbos. 

Agora, Herwig Leirs da Universidade de Antuérpia e seus colegas introduziram os 40 anos de registos manuscritos sobre os gerbos e a peste no computador para análise. A peste emerge a cada 2 anos, após um aumento do número de tocas habitadas por gerbos, revelam no seu artigo, agora publicado na revista Science.

O resultado aponta para uma forma fácil e barata de prever e combater os surtos da doença. Os agentes sanitários locais poderiam apenas aceder ao número de gerbos e reduzir a sua população quando na fase de crescimento, em vez de capturar os animais e realizar testes dispendiosos, como agora o fazem. Desta forma, poder-se-ia saber de um surto com 2 anos de avanço, explica Leirs.

A descoberta confirma uma teoria há muito defendida de que a peste e outras doenças infecciosas irrompem quando as suas populações hospedeiras ultrapassam um patamar crítico. No caso da peste, tal acontece em populações grandes de pulgas, que têm facilidade em saltar de um animal para outro, fazendo florescer as bactérias. 

Se surtos ocorrerem também noutras populações de roedores e se puder prever a peste desta forma, então, contar estes animais pode ajudar a prevenir surtos noutros locais, explica Kenneth Gage, perito em vigilância da peste do US Centers for Disease Control and Prevention, no Colorado.

A peste é causada por bactérias Yersinia pestis, que vivem em roedores como as ratazanas, cães da pradaria e esquilos, sendo transferidas para o Homem quando as pulgas dos roedores mordem humanos. Tornou-se infame durante a Idade Média, quando a peste negra dizimou perto de 25 milhões de pessoas, só na Europa. 

 

Apesar da doença ser agora tratável com antibióticos, a peste ainda está presente em áreas rurais das Américas, Ásia e África, onde a combinação correcta de espécies de pulga e roedores ainda persiste. 

Em todo mundo, existiram 2700 casos humanos e 175 mortes devido à peste em 2001. No Cazaquistão, os casos mais frequentes são devidos aos camelos prenderem as patas nas tocas dos gerbos, apanhando a doença e passando-a aos seus donos. Em África, onde muitos ainda vivem em aldeias infestadas de ratazanas, a mortalidade é a mais elevada do mundo. 

Gage prevê que a falta de fundos possa impedir a vigilância das populações de gerbos no Cazaquistão, onde a a vigilância da peste era motivada por investigação de armas biológicas e defesa, até à desintegração da União Soviética na década de 90 do século passado. 

No entanto, outros métodos podem ser usados para prever o surgimento da peste. Os estudos de Gage nos Estados Unidos mostraram que a doença tem tendência a surgir cerca de 18 meses após fortes chuvadas de Inverno, que provavelmente alimentaram as plantas de que os roedores se alimentam. Talvez estejamos finalmente a compreender a dinâmica da doença, conclui Gage. 

 

 

Saber mais:

Black Death's DNA

Pied piper a plague risk?

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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