2010-12-17

Subject: Ursos polares podem sobreviver no gelo persistente

 

Ursos polares podem sobreviver no gelo persistente

 

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@ NatureAlgum do gelo marinho de Verão deve persistir no Árctico no próximo século, fornecendo um último refúgio para os ursos polares, focas e outros animais, relatam os investigadores no encontro da União Geofísica Americana em San Francisco, Califórnia, que decorre esta semana.

No entanto, tanto o gelo como os animais enfrentam ainda assim múltiplas ameaças, desde derrames de crude e outras formas de poluição à extinção por cruzamentos entre populações animais distintas.

Stephanie Pfirman, cientista ambiental do Observatório da Terra de Lamont-Doherty em Nova Iorque, deve apresentar hoje modelos climáticos que prevêem que o gelo marinho continue a acumular-se no lado norte do arquipélago canadiano árctico e na Groenlândia, locais onde o gelo mais espesso existe actualmente.

Parte deste gelo forma-se localmente e algum é conduzido à zona a partir da Sibéria pelas correntes oceânicas. Pfirman estima que uma área de gelo de cerca de meio milhão de quilómetros quadrados deve persistir durante todo o ano durante o século XXI.

Apesar da quantidade de gelo que derrete em cada Verão estar a aumentar, ainda se forma gelo no Inverno e continua a ser transportado para o lado canadiano do Árctico mais rapidamente pois as águas estão mais abertas. "Se antes seriam precisos 8 ou 9 anos para fazer a viagem, agora pode-se faze-lo em 7 anos", diz Robert Newton, geoquímico também da Lamont-Doherty.

Um artigo publicado na revista Nature traz mais boas notícias para o gelo árctico. Steven Amstrup, do Geological Survey americano em Anchorage, Alasca, analisou modelos da futura circulação do gelo marinho e não encontrou evidências do 'ponto de viragem' de aquecimento para além do qual o gelo desaparecerá irreversivelmente. Assim, controlar as emissões de gases de efeito de estufa, escreve ele, deverá ajudar a preservar o habitat dos ursos polares e o ecossistema árctico no seu todo.

Alguns locais no Árctico devem permanecer cobertos de gelo mais tempo que outros à sua volta. Melanie Smith, ecologista paisagista do grupo conservacionista Audubon Alasca de Anchorage, que compilou um atlas do Árctico mas não esteve no encontro desta semana, diz que há duas zonas de águas rasas no Mar de Chukchi entre a Sibéria e o Alasca que estão protegidas do degelo até quase ao final do Verão todos os anos: Hanna Shoal em águas americanas e Herald Shoal em águas russas. As correntes quentes são desviadas em redor destes baixios com 10 mil quilómetros quadrados, tornando-os 1 a 2ºC mais frios que as águas em redor.

 

Smith salienta que a companhia petrolífera Shell, sediada em Hague, Holanda, se candidatou a uma licença para perfurar na zona de Hanna Shoal em 2010, apesar do projecto ter sido interrompido após o governo americano fechar a torneira das perfurações ao largo depois do derrame no golfo do México em Abril. 

Smith não sabe se a instalação de uma plataforma petrolífera na zona teria, por si só, teria impacto sobre a vida selvagem que busca refúgio nos baixios mas refere que seria desastrosa a ocorrência de um derrame de crude no último pedaço de habitat adequado aos animais locais, como as morsas.

A Audubon "não está a tentar impedir todas as perfurações mas há locais que absolutamente não podem ser tocados", diz Smith. "Hanna Shoal faz parte dessa lista."

Newton e Pfirman dizem que tomar medidas para proteger os últimos refúgios de gelo não será suficiente, é igualmente importante garantir que a crescente actividade industrial no Árctico não impeça o transporte de gelo da Ásia para o Canadá, por exemplo, ou que permita a chegada de poluentes de zonas distantes. "O gelo que o suporta vem de uma vasta área", diz Newton. Os investigadores estão, por isso, a apelar a uma colaboração internacional para proteger este gelo.

Mas mesmo que bolsas de gelo árctico adequadas à vida dos ursos polares e das focas sejam preservadas e permaneçam livres de poluição, os animais ainda enfrentam outra ameaça: a hibridação.

Habitats em redução e alteração estão a trazer os ursos polares que se deslocaram para sul para o contacto com ursos pardos, forçando as focas a partilhar zonas menores e permitindo que baleias dos oceanos Pacífico e do Atlântico se encontrem nas águas livres de gelo do Árctico, diz Brendan Kelly, biólogo marinho da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional  Americana em Juneau, Alasca. A situação facilita que as populações e espécies se cruzem, o que pode conduzir algumas espécies ameaçadas, incluindo os ursos polares, à extinção. 

 

 

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