2010-12-13

Subject: Cimeira de Cancún chega a acordo

 

Cimeira de Cancún chega a acordo

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ The Guardian

As conversações das Nações Unidas sobre as alterações climáticas produziram um acordo muito modesto, pois ainda que pela primeira vez comprometa todas as maiores economias a reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, não o faz de forma suficiente para que mantenham a sua promessa de evitar que a temperatura global suba menos de 2ºC.

O acordo, que levou quatro anos a negociar, deve ajudar a impedir a desflorestação, promover a transferência de tecnologias de baixo carbono para os países em desenvolvimento e, até 2020, estabelecer um fundo verde, potencialmente no valor de $100 mil milhões por ano, para proteger os países mais vulneráveis das consequências das alterações climáticas.

No entanto, os governos não alcançaram um acordo sobre até onde deverão as emissões globais no seu todo ser reduzidas e há muitas escapatórias para os países evitarem cumprir as reduções profundas que os cientistas dizem ser necessárias.

Investigadores do Climate Action Tracker dizem que os compromissos estabelecidos levarão o mundo numa rota de aquecimento de 3,2ºC, uma catástrofe para muitos dos países mais pobres mas o acordo foi recebido com entusiasmo por Chris Huhne, secretário para a energia do governo inglês: "Isto é muito melhor do que esperávamos, é um ponto de viragem importante. Diz claramente que também tem que haver redução das emissões dos países em desenvolvimento e aproxima-nos de um acordo vinculativo no futuro."

Segundo ele, o acordo vai encorajar a indústria a investir em tecnologias de baixo carbono e estimular a Europa a comprometer-se seriamente com um corte de 30% nas emissões até 2020.

Nos últimos momentos das conversações, a única resistência a um acordo vinha da Bolívia, que considerou as decisões das Nações Unidas tomadas sem consenso. "Esta é uma vitória falsa e oca que nos foi imposta sem consenso e o seu custo será medido em vidas humanas", disse o seu embaixador Pablo Solon.

Ele não se deixou demover da sua posição pelos aplausos do plenário aquando do acordo, dizendo: "Estão a pensar como políticos. Os peritos que conhecem as alterações climáticas é que sabem que temos razão. Este acordo não vai impedir as temperaturas de subir 4ºC e sabemos que essa subida é insustentável."

Até aos últimos momentos o acordo pareceu difícil, com o Japão e depois a Rússia a recusarem assinar um segundo período de compromisso com o Protocolo de Quioto mas Connie Hedegaard, comissária da União Europeia para as alterações climáticas, referiu haver uma forte motivação entre todos para evitar a repetição da muito aguardada cimeira de Copenhaga e que falhou nos seus objectivos.

Líderes mundiais, incluindo o primeiro-ministro inglês David Cameron, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente mexicano Felipe Calderón, telefonaram ao primeiro-ministro japonês apelando a que alterasse a sua posição. No final, os advogados encontraram um fraseado que permitiu ao Japão evitar fazer novos compromissos por enquanto.

 

Os Estados Unidos, que também tinham adoptado uma linha dura, também tiveram a sua vitória. Chegaram às conversações dizendo que não apoiariam os acordos praticamente selados sobre desflorestação e finanças climáticas a não ser que a China e a Índia sujeitassem os seus compromissos de redução de emissões a um regime de inspecções.

Todd Stern, enviado do departamento de estado americano, referiu que o acordo de Cancún tinha dado substância à noção de um regime de inspecções, que foi levantado em Copenhaga, mas, por sua própria admissão, Cancún representou apenas mais um pequeno avanço.

A ministra do ambiente brasileira, Izabella Teixeira, mostrou-se satisfeita com o compromisso alcançado na manutenção de Quioto para além de 2012. "Acreditamos que o protocolo é crucial para termos um impacto significativo sobre as alterações climáticas."

Já os activistas climáticos têm outra opinião: "Cancún pode ter salvo o processo das Nações Unidas mas não salvou ainda o clima", disse o director de política do clima da Greenpeace International, Wendel Trio. "Com vidas em jogo, temos que ir mais além, os financiamentos a longo prazo têm que ser garantidos de forma a ajudar os países mais vulneráveis a protegerem-se", disse o director da Oxfam, Jeremy Hobbs.

A Friends of the Earth International, por sua vez, apelidou o acordo de "chapada na cara" e alertou para o facto de ainda poder conduzir a uma subida da temperatura global de 5ºC. "No fim, todos seremos afectados pela falta de ambição e vontade política de um pequeno grupo de países. Os Estados Unidos, juntamente com a Rússia e o Japão, são os culpados pela falta da desesperadamente necessária maior ambição", disse Nnimmo Bassey, director internacional da Friends of the Earth.

Mas Stern e Hedegaard recusaram a ideia de que os seus países tivessem deixado expedientes políticos espezinhar a necessidade científica: "Se olharmos para o que temos que fazer no próximo ano, pode-se ver que é trabalho a sério, não é como se só tivéssemos concordado em processos e deixado a substância para Durban. Há muitas questões substanciais que foram aqui resolvidas", disse ela.

Outras medidas acordadas em princípio incluem o estabelecimento para o ano de um painel de fundos climáticos para administrar e entregar os biliões necessários ao mundo em desenvolvimento para adaptações às alterações climáticas. Numa concessão feita aos países em desenvolvimento, este será gerido por eles próprios e não pelo Banco Mundial. 

 

 

Saber mais:

WikiLeaks revela como Estados Unidos manipularam acordo de Copenhaga

O Homem é demasiado estúpido para impedir as alterações climáticas

Mark Lynas - Como sei que a China destruiu o acordo? Eu estava na sala ...

Emerge Acordo de Copenhaga

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com