2010-12-09

Subject: WikiLeaks revela como Estados Unidos manipularam acordo de Copenhaga

 

WikiLeaks revela como Estados Unidos manipularam acordo de Copenhaga

 

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A Greenpeace activist in a hot air ballon ahead of the UN climate summit in Cancún

Escondida por trás da retórica 'vamos salvar o mundo' das negociações sobre alterações climáticas está a política real: dinheiro e ameaças compram apoio político e espionagem e guerra virtual são usados para a obtenção de vantagem.

Os telegramas diplomáticos americanos dados a conhecer pelo site WikiLeaks revelam como os Estados Unidos procuram os podres dos países que se opõem à sua visão de como lidar com o aquecimento global, como ajuda financeira e outras é usada por países para ganhar apoio político e como a desconfiança, as promessas quebradas e a contabilidade criativa manipulam as negociações. Revelam também como os Estados Unidos montaram uma ofensiva diplomática secreta a nível global para acabar com a oposição ao controverso acordo de Copenhaga, o documento não oficial que surgiu das ruínas da Cimeira Climática de Copenhaga em 2009.

Procurando moeda de troca, o departamento de estado americano enviou um telegrama secreto a 31 de Julho de 2009 em busca de informação sobre os diplomatas das Nações Unidas sobre vários temas, incluindo alterações climáticas. 

Esta recolha de informações foi de todos os lados, pois também os americanos relatam um ataque ao enviado americano Todd Stern durante as conversações climáticas na China. Cinco pessoas receberam emails, personalizados para parecerem enviados pelo Nacional Journal, contendo ficheiros anexos que davam controlo total sobre o computador a um pirata informático. 

As conversações com os chineses não permitiram um acordo global em Copenhaga mas os americanos, historicamente os maiores poluidores e há muito considerados párias climáticos, tinham algo a que se agarrar. O acordo de Copenhaga, martelado nas últimas horas e não adoptado pelo processo das Nações Unidas, vinha resolver muitos problemas americanos.

O acordo inverte a abordagem das Nações Unidas, com cada país a escolher metas agradáveis para as emissões de gases de efeito de estufa. É uma forma muito mais fácil de associar a China e outros países em rápido crescimento do que o processo da ONU mas não consegue garantir as reduções necessárias para evitar o aquecimento perigoso. Ameaça ultrapassar completamente as negociações da ONU para o prolongamento do Protocolo de Quioto, em que os países ricos têm metas obrigatórias, o que levou os mais pobres a opor-se veementemente ao acordo.

Associar o máximo de países ao acordo interessava aos Estados Unidos e a ofensiva diplomática começou. Alguns países precisaram de ser persuadidos, por isso o acordo prometia $30 mil milhões de ajuda aos mais pobres atingidos pelas alterações climáticas que não tinham causado. 

As Maldivas foram um dos que demonstrou interesse em apoiar o acordo, desde que houvesse algo tangível nos apoios, mas outros países foram secretamente considerados vulneráveis a pressão financeira. A 11 de Fevereiro, Pershing reuniu-se com a comissária europeia da acção climática Connie Hedegaard, onde ela lhe disse que os países da Aliança das Pequenas Ilhas Estado poderiam ser os melhores aliados devido à sua necessidade de financiamento.

Para além das finanças, outra questão duvidosa nas negociações climáticas é saber se os países irão fazer o que prometem. Hedegaard pergunta porque os Estados Unidos não concordaram com a China e a Índia o que considera medidas aceitáveis de redução de emissões futuras e a resposta citada de Pershing é "será que eles vão cumprir o que dizem".

 

Telegramas confidenciais registam nova falta de confiança entre os Estados Unidos e o primeiro-ministro da Etiópia Zenawi, que lidera as negociações pelos africanos: assina o acordo ou as negociações terminam agora. Zenawi responde que a Etiópia vai apoiar o acordo mas tem a preocupação de que a palavra pessoal de Obama em ajudar não seja cumprida.

A determinação americana em encontrar aliados contra os seus adversários mais poderosos, os gigantes económicos em crescimento Brasil, África do Sul, Índia e China (BASIC), fica clara noutro telegrama que relata um encontro entre Michael Froman, Hedegaard e outros funcionários da UE. Froman refere que é preciso aprender as tácticas dos BASIC e jogá-los uns contra os outros para evitar novos desastres nas conversações climáticas.

Hedegaard assegura Froman do apoio da UE, revelando a discrepância entre as declarações públicas e privadas. Hedegaard e Froman discutem a necessidade de "neutralizar ou marginalizar países pouco cooperantes como a Venezuela e a Bolívia", tendo os Estados Unidos cortado o apoio financeiro a esses países pela oposição ao acordo.

Após a cimeira de Copenhaga surgem ainda mais ligações entre apoio financeiro e apoio político. Até o governo holandês, que tradicionalmente se obstem dessas manigâncias, envia um telegrama indicando que tinha comunicado às capitais de países que recebem apoios holandeses que desejava apoio para o acordo.

Mas talvez o mais audacioso apelo para fundos revelado nos telegramas venha da Arábia Saudita, o segundo maior produtor de petróleo do mundo e um dos 25 países mais ricos do mundo. Um telegrama secreto enviado a 12 de Fevereiro regista um encontro entre funcionários americanos e o negociador principal para o clima Mohammad al-Sabban. "O reino precisa de tempo para diversificar a sua economia para longe do petróleo" e salienta que o compromisso americano em ajudar a Arábia Saudita nos seus esforços irá "tirar a pressão das negociações climáticas".

Os sauditas não gostam do acordo mas não querem perder algo que acham ser um truque inteligente. O príncipe Abdulaziz bin Salman disse os funcionários americanos que "não queria perder a oportunidade de apresentar 'algo inteligente', como a China ou a Índia, que não era legalmente vinculativo mas mostrava boa vontade sem comprometer interesses económicos vitais".

Os telegramas obtidos pelo WikiLeaks terminam em Fevereiro de 2010. Actualmente, 116 países já aderiram ao acordo e outros 26 estão em vias de o fazer. Esse total, 140, é o limite superior da  meta de 100-150 países revelado por Pershing no seu encontro com Hedegaard a 11 de Fevereiro.

Os 140 países representam quase 75% dos 193 participantes na convenção climática das Nações Unidas e responsáveis por mais de 80% das actuais emissões de gases de efeito de estufa.

A meio das conversações sobre alterações climáticas que decorrem em Cancún, México, já há sinais de alarme sobre a forma como os fundos para adaptação climática serão distribuídos. O maior choque foi o anúncio por parte do Japão de que não irá apoiar uma extensão do actual Protocolo de Quioto, o que dá um enorme impulso ao acordo. Parece que a diplomacia americana está a colher frutos do seu trabalho.

 

 

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